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É possível falar de música e política

Você pode não ter gostado do Mada desse ano, mas uma coisa tem que concordar: este foi o ano mais político do festival. Quase todas as bandas utilizaram o palco para criticar a atual gestão federal e também cobrou medidas em relação à educação, Floresta Amazônia e também a falta de políticas públicas aos negros e LGBTs. Alguns chegavam a aplaudir o ato, outros ficavam putos e viravam as costas pelo o que diziam. Mas, é possível misturar política com música? Leia Também: Como foi o Mada 2019 e 47 fotos para você ver Mc Tha e Luedji Luna, duas cantoras poderosas no Mada O Brechando entrevistou alguns artistas do festival desse ano e comentaram que é sim possível utilizar as canções como arma para liberar o pensamento crítico. Dentre os destaques está a banda Bainasystem que durante todo o show criticou a especulação imobiliária nas capitais nordestina, a falta de demarcação de terras, os problemas ambientais e dentre outras questões. Em uma rápida entrevista, perguntamos ao Russo Passapusso, líder do grupo que mistura guitarra baiana com música eletrônica, se é possível fazer música em pleno 2019, no qual prontamente respondeu: “Aí que dá para fazer música, oxe. Pode ter certeza, nesse ano que as coisas estão caóticas tem que fazer mais música para criticar o que está acontecendo”. A cantora potiguar Bex esteve pela primeira vez no Mada e contou que as coisas que estão acontecendo no Brasil precisam ser ditas a partir de todas as manifestações artísticas. “Assim como qualquer outra forma de expressão artística, esse momento…

Você pode não ter gostado do Mada desse ano, mas uma coisa tem que concordar: este foi o ano mais político do festival. Quase todas as bandas utilizaram o palco para criticar a atual gestão federal e também cobrou medidas em relação à educação, Floresta Amazônia e também a falta de políticas públicas aos negros e LGBTs. Alguns chegavam a aplaudir o ato, outros ficavam putos e viravam as costas pelo o que diziam. Mas, é possível misturar política com música?

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Brechando entrevistou alguns artistas do festival desse ano e comentaram que é sim possível utilizar as canções como arma para liberar o pensamento crítico. Dentre os destaques está a banda Bainasystem que durante todo o show criticou a especulação imobiliária nas capitais nordestina, a falta de demarcação de terras, os problemas ambientais e dentre outras questões. Em uma rápida entrevista, perguntamos ao Russo Passapusso, líder do grupo que mistura guitarra baiana com música eletrônica, se é possível fazer música em pleno 2019, no qual prontamente respondeu: “Aí que dá para fazer música, oxe. Pode ter certeza, nesse ano que as coisas estão caóticas tem que fazer mais música para criticar o que está acontecendo”.

A cantora potiguar Bex esteve pela primeira vez no Mada e contou que as coisas que estão acontecendo no Brasil precisam ser ditas a partir de todas as manifestações artísticas.

Bex foi uma das participantes do Mada 2019

“Assim como qualquer outra forma de expressão artística, esse momento é essencial para mostrar o que está acontecendo. Acho que uma das coisas que impulsiona fazer arte ou fala o que pensa mesmo ou você quer mandar uma mensagem. As pessoas estão se sentindo confortáveis para falar, ligar o foda-se para que os outros vão achar e em toda a história vejo a arte como instrumento de resistência . Eu consigo ver as pessoas crescerem e as palavras sendo transmitidas, tabus sendo quebrados em perfomances e outras ações”, comentou.

Já para a cantora paulista Mc Tha este é o momento ideal para lutar os seus ideais. “A arte sobrevive enquanto tem esperança. Está acontecendo muita coisa negativa, porém não perdemos o foco. O importante não é apenas lutar, mas também compartilhar coisas boas e simples. Como por exemplo um amigo que ganhou um empregou ou entrou na faculdade. São as pequenas forças que faz com que a gente consiga a continuar lutando e produzindo arte. A gente precisa se fortalecer para que podemos ajudar os nossos amigos”.

Já a cantora Luedji Luna é possível lutar pelos seus ideais e ainda se manter firme na luta contra os preconceitos. “Ser mulher negra é minha condição e sou descedente de mulheres guerreiras, logo a mulher negra sempre esteve longe da visão fragilizada. A gente nunca esteve lugar de dama, protegida e sempre fomos ligadas pela força, conquista e quebra de barreiras. Herdamos tecnologias ancestrais que nos permite que a gente faz a respeito de qualquer opressão. Para mim é uma condição. Tenho condições de seguir plena”, disse.

Mada 2019
Russo Passapusso falou que hoje é o momento ideal para criticar as coisas que estão acontecendo

A cantora ainda complementa que o país está nessa situação é devido ao fato da gente nunca ter resolvido o nosso problema de identidade. ”

Já a cantora Kaya Conky, que dividiu o palco com a Potyguara Bardo, disse que o importante é ignorar a existência dos preconceituosos e seguir em frente com as nossas convicções.  “A gente tem que mostrar que somos muito mais fortes daqueles que estão no poder e ignorar a sua existência, que deixa o país atrasado. Ser resistência é mostrar que a gente é muito mais forte que esses preconceitos e vamos sobreviver esses quatro anos”.

 

 

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É possível falar de música e política

Você pode não ter gostado do Mada desse ano, mas uma coisa tem que concordar: este foi o ano mais político do festival. Quase todas as bandas utilizaram o palco para criticar a atual gestão federal e também cobrou medidas em relação à educação, Floresta Amazônia e também a falta de políticas públicas aos negros e LGBTs. Alguns chegavam a aplaudir o ato, outros ficavam putos e viravam as costas pelo o que diziam. Mas, é possível misturar política com música? Leia Também: Como foi o Mada 2019 e 47 fotos para você ver Mc Tha e Luedji Luna, duas cantoras poderosas no Mada O Brechando entrevistou alguns artistas do festival desse ano e comentaram que é sim possível utilizar as canções como arma para liberar o pensamento crítico. Dentre os destaques está a banda Bainasystem que durante todo o show criticou a especulação imobiliária nas capitais nordestina, a falta de demarcação de terras, os problemas ambientais e dentre outras questões. Em uma rápida entrevista, perguntamos ao Russo Passapusso, líder do grupo que mistura guitarra baiana com música eletrônica, se é possível fazer música em pleno 2019, no qual prontamente respondeu: “Aí que dá para fazer música, oxe. Pode ter certeza, nesse ano que as coisas estão caóticas tem que fazer mais música para criticar o que está acontecendo”. A cantora potiguar Bex esteve pela primeira vez no Mada e contou que as coisas que estão acontecendo no Brasil precisam ser ditas a partir de todas as manifestações artísticas. “Assim como qualquer outra forma de expressão artística, esse momento…

Você pode não ter gostado do Mada desse ano, mas uma coisa tem que concordar: este foi o ano mais político do festival. Quase todas as bandas utilizaram o palco para criticar a atual gestão federal e também cobrou medidas em relação à educação, Floresta Amazônia e também a falta de políticas públicas aos negros e LGBTs. Alguns chegavam a aplaudir o ato, outros ficavam putos e viravam as costas pelo o que diziam. Mas, é possível misturar política com música?

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Brechando entrevistou alguns artistas do festival desse ano e comentaram que é sim possível utilizar as canções como arma para liberar o pensamento crítico. Dentre os destaques está a banda Bainasystem que durante todo o show criticou a especulação imobiliária nas capitais nordestina, a falta de demarcação de terras, os problemas ambientais e dentre outras questões. Em uma rápida entrevista, perguntamos ao Russo Passapusso, líder do grupo que mistura guitarra baiana com música eletrônica, se é possível fazer música em pleno 2019, no qual prontamente respondeu: “Aí que dá para fazer música, oxe. Pode ter certeza, nesse ano que as coisas estão caóticas tem que fazer mais música para criticar o que está acontecendo”.

A cantora potiguar Bex esteve pela primeira vez no Mada e contou que as coisas que estão acontecendo no Brasil precisam ser ditas a partir de todas as manifestações artísticas.

Bex foi uma das participantes do Mada 2019

“Assim como qualquer outra forma de expressão artística, esse momento é essencial para mostrar o que está acontecendo. Acho que uma das coisas que impulsiona fazer arte ou fala o que pensa mesmo ou você quer mandar uma mensagem. As pessoas estão se sentindo confortáveis para falar, ligar o foda-se para que os outros vão achar e em toda a história vejo a arte como instrumento de resistência . Eu consigo ver as pessoas crescerem e as palavras sendo transmitidas, tabus sendo quebrados em perfomances e outras ações”, comentou.

Já para a cantora paulista Mc Tha este é o momento ideal para lutar os seus ideais. “A arte sobrevive enquanto tem esperança. Está acontecendo muita coisa negativa, porém não perdemos o foco. O importante não é apenas lutar, mas também compartilhar coisas boas e simples. Como por exemplo um amigo que ganhou um empregou ou entrou na faculdade. São as pequenas forças que faz com que a gente consiga a continuar lutando e produzindo arte. A gente precisa se fortalecer para que podemos ajudar os nossos amigos”.

Já a cantora Luedji Luna é possível lutar pelos seus ideais e ainda se manter firme na luta contra os preconceitos. “Ser mulher negra é minha condição e sou descedente de mulheres guerreiras, logo a mulher negra sempre esteve longe da visão fragilizada. A gente nunca esteve lugar de dama, protegida e sempre fomos ligadas pela força, conquista e quebra de barreiras. Herdamos tecnologias ancestrais que nos permite que a gente faz a respeito de qualquer opressão. Para mim é uma condição. Tenho condições de seguir plena”, disse.

Mada 2019
Russo Passapusso falou que hoje é o momento ideal para criticar as coisas que estão acontecendo

A cantora ainda complementa que o país está nessa situação é devido ao fato da gente nunca ter resolvido o nosso problema de identidade. ”

Já a cantora Kaya Conky, que dividiu o palco com a Potyguara Bardo, disse que o importante é ignorar a existência dos preconceituosos e seguir em frente com as nossas convicções.  “A gente tem que mostrar que somos muito mais fortes daqueles que estão no poder e ignorar a sua existência, que deixa o país atrasado. Ser resistência é mostrar que a gente é muito mais forte que esses preconceitos e vamos sobreviver esses quatro anos”.

 

 

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Desenho do ilustrador Um Samurai

Lara Paiva é jornalista e publicitária formada pela UFRN, com especialização em documentário (UFRN) e gestão de mídias sociais e marketing digital (Estácio/Fatern). Criou o Brechando com o objetivo de matar as suas curiosidade e de outras pessoas acerca do cotidiano em que vive. Atualmente, faz mestrado em Estudos da Mídia, pela UFRN e teve experiência em jornalismo online, assessoria de imprensa e agência de publicidade, no setor de gerenciamento de mídias sociais.

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