Mais uma casa de praia que virou um arranha-céu em Natal

 

Achei esta bonita foto. Uma casa de praia que era utilizada para o veraneio por natalenses da elite. Você ver que ela está por cima de uma duna, numa época que não existia a regulamentação que futuramente seria o Parque das Dunas. A foto, publicada inicialmente no grupo Fatos e Fotos de Natal Antiga, é mais outra prova que o conceito de veraneio mudou ao longo do tempo.

Antigamente, as casas de praia eram utilizadas apenas para as férias e tinham que ficar longe do centro. Hoje, existem pessoas que utilizam a casa como moradia mesmo.

Sem contar que essa casa nem existe mais, uma vez que se transformou em um grande arranha-céu. Por quê?

Essa casa ficava em Areia Preta, que na época era um local longínquo e a elite natalense apenas passava no local para as férias. Somente nos anos 60, com o crescimento populacional da cidade, que fez com que o bairro fosse visto com outros olhos. Já nos anos 90 foram construídos os primeiros casarões.

De acordo com os integrantes do grupo, a casa pertencia ao Dr. Silvino Bezerra, que era um empresário bastante importante da época. No feriadão eles saíam do Barro Vermelho para se divertir em frente ao mar.

Ficava próxima ao antigo trampolim. Vamos explicar a seguir

O Trampolim

Na década de 30, Areia Preta já era uma Praia de veraneio, procurada pelos natalenses mais abastados, onde construíam as suas casas de praia, no qual já falamos sobre a História do Veraneio em Natal e Litoral do Rio Grande do Norte. Entre as décadas de 50 e 70 foi se modernizando e já era frequentada por grande parte dos moradores da cidade. Ganhou uma praça com jangada, um trampolim e um muro de contorno na sua orla. Veja como a praia era bastante agitada:

O Trampolim foi instalado durante a gestão de Sylvio Pedrosa, que foi bastante criticado por construir o trampolim em um local no meio das pedras, deixando algumas vítimas de acidentes fatais. O Trampolim foi inaugurado em 1956, quando foi entregue o calçamento da avenida principal da orla. Junto com o trampolim, a balaustrada, que até hoje existe na orla da praia urbana.

A partir da década de 80, houve um descaso com a praia, onde as grandes ressacas, derrubaram parte da mureta que a margeava. Os antigos veranistas passaram a procurar a Praia de Ponta Negra e outras do litoral Sul. Essa passou a ser frequentada pelos moradores do bairro de Mãe Luíza, que fica bem próximo às suas águas. Por conta da maresia, o Trampolim caiu  junto com a ponte que levava para o caminho do equipamento. Não houve interesse da Prefeitura em instalá-lo novamente.

O local onde ficara o trampolim é onde está localizado, hoje, o letreiro com o nome Natal, instalado pela Prefeitura do Natal.

Confira como hoje está a casa atualmente

A seguir uma foto com um prédio que ocupou o lugar desta casa.

 

 

 

prédio ocupação palmares natal

Este prédio virou uma ocupação aos moradores sem-teto

 

Quem anda pela Ribeira e vai aos bairros das Rocas sabe dos inúmeros galpões por aí espalhados, mas completamente abandonados com as ações do tempo. E são os inúmeros motivos. Um deles é de um prédio que se transformou em ocupação Palmares em Natal.

O prédio acima, por exemplo, é da Prefeitura do Natal. Fica no bairro das Rocas, perto do Grande Moinho Potiguar, hoje se encontra ocupado, mas por muito tempo foi sinal de abandono do patrimônio público. Antes, ele era usado pelos norte-americanos como uma de suas bases que fizeram na capital potiguar durante a Segunda Guerra Mundial.

O local tinha mais de 20 anos de abandono. Tinha. No verbo pretérito mesmo, passado.  Em março 2022, o Movimento de Lutas no Bairro (MLB) ocuparam ente antigo galpão e assim nasceu mais uma ocupação, em que reivindicam casas aos moradores que não tem condições em pagar um aluguel.

Eles conseguiram limpar o terreno e agora estão lutando contra o despejo da Prefeitura do Natal, uma vez que desejam a casa própria.

Vamos falar agora do prédio da ocupação Palmares em Natal e eles precisam de ajuda no prédio

Ocupação Palmares

A ocupação surgiu como uma forma de cobrar que o Município forneça melhores condições aos moradores de rua da zona Leste. Ao todo, são mais de 100 famílias que estão neste local pedindo para que tenha uma simples casa. O nome Palmares é uma homenagem ao Zumbi dos Palmares, que foi o líder da maior quilombola do Brasil.

Hoje, a ocupação tem como liderança Movimento de Lutas e Bairros, que representa politicamente os sem-teto.

Além da Palmares, atualmente quatro ocupações de famílias sem teto organizadas pelo MLB/ RN estão em atividade em Natal: a Ocupação Emmanuel Bezerra (Ribeira); a Ocupação Margarida Maria Alves (Mãe Luíza); a Ocupação Valdete Guerra (Planalto) e a Ocupação Luiz Maranhão (Jardim Progresso).

Ao todo, o MLB é responsável pela organização de, pelo menos, 20 ocupações na capital potiguar. O Movimento está presente em mais de 20 estados com ocupações urbanas sendo que, no Rio Grande do Norte, o MLB já conseguiu mais de três mil moradias desde o início de sua atuação.

Dados fornecidos pela prefeitura de Natal em 2021, mostravam que a cidade tinha um déficit habitacional de, cerca de, 70 mil moradias. No entanto, o MLB já estima que até este mês de março esse número tenha subido para 90 mil moradias. Além disso, a capital potiguar tem 70 favelas.

Em 2021, 16 famílias da Ocupação Pedro Melo, que ficava no Albergue Municipal, na Ribeira, receberam unidades habitacionais no condomínio Village de Prata, no Planalto.

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Dona Francisquinha, a dona do Arpege  

Muita gente pergunta se Maria Boa teve concorrência e ela teve muitas concorrentes. Mas, na época eram tão vaidosas e sempre procuravam as mulheres mais bonitas para os seus clientes. Um dos cabarés que concorriam é o Arpege, que era administrado por uma mulher que os moradores e comerciantes do bairro a chamavam de Dona Francisquinha. Vamos contar a sua história a seguir.

Já atuou como prostituta e tinha um legado de prostíbulos

Seu nome era Francisca Edith Silva, natural do município de São Vicente, veio residir em Natal na década de 1940, depois de um casamento desfeito com o cidadão conhecido como Pedrinho de Julião. Não foi de papel passado, apenas na igreja.

Em Natal, trabalhou como manicure no Grande Hotel, onde os políticos da cidade se hospedavam e atuava como manicure. Mas foi trabalhando com a prostituição que se encontrou.

Durante a Segunda Guerra Mundial, dona Francisquinha fazia trabalho com as unhas e se engraçava com os americanos que estavam no Grande Hotel e estimulou outras mulheres a trabalhar na área. Teve muitos amantes e alguns até famosos.

Em 1941, o empresário Nestor Galhardo adquire parte da edificação, tendo o intuito de instalar sua própria gráfica, ocupando apenas o pavimento térreo e vendendo material para os americanos. Já o piso superior era feito pela amante, que era Francisquinha. Os três andares era para a boate do Arpege.

Ela foi proprietária dos bordéis Royal, Dia e Noite e do Arpege, em seu apogeu. Sua última e única entrevista aconteceu em 1993, através do jornal Dois Ponto por Gutenberg Costa e a foto acima foi de Canindé Soares, no qual a imagem peguei do grupo Fatos e Fotos Natal das Antigas.

Mas existe uma outra foto de Dona Francisquinha, quando ela tietou Nelson Gonçalves se apresentou, também coletada no grupo Fatos e Fotos Natal das Antigas.

Dona Francisquinha morava perto do Arpege

Não só trabalhava na Ribeira, como morava em uma das casas da antiga Avenida Junqueira Alves, onde hoje se chama Câmara Cascudo.  Morreu sozinha, sem deixar filhos e apenas a sua coleção de bonecas.

Hoje, o Arpege também se encontra falecido e fechou as portas ainda no final dos anos 90. No ano de 2005, o imóvel é adquirido pela empresária carioca Paula Homburger, acreditando na revitalização da Ribeira. A intenção era construir um restaurante no local, entretanto a ideia não deu certo por diversas razões.

Três anos depois, parte da estrutura do cabaré da Arpege é destruída com as fortes chuvas, chegando a ser interditado pelo Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte . No ano de 2010, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em junho de 2020, as fortes chuvas em Natal fizeram com que os andares superiores caíssem de vez.

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RN anos 40

A agricultura do RN era vista com bons olhos na década de 40


Na década de 40, o jornal carioca “A Noite” foi falar das ações do Governo de Getúlio Vargas em relação à região Nordeste do país, no qual se referiam aquela região como Norte, mostrando que o professor Durval Muniz aponta, portanto, em seu livro que “A Invenção do Nordeste” somente aconteceu após a segunda metade do século XX.

O Rio Grande do Norte recebe muitas menções nesta reportagem de quase duas páginas de jornais, que era muito grande para aquela época, onde o Rio Grande do Norte mereceu dois tópicos na sua economia. Além disso, pasmem, uma delas não existe mais.  

Resumindo, é uma matéria que fala sobre a agricultura do RN nos anos 40.

Uma das primeiras empreitadas da Família Marinho

O jornal foi um jornal vespertino brasileiro o Rio,  fundado por Irineu Marinho, pai do Roberto Marinho que formaria anos depois as Organizações Globo. Jornal encerrou as suas atividades em 1957, quando a administração já não mais pertencia ao clã.

Sobre a matéria da Agricultura no RN nos anos 40

Agora vou reproduzir a matéria na íntegra:

No Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte é um grande produtor de algodão de fibras longas. Como em Pernambuco, na Paraíba e no Ceará, os serviços de plantas têxteis do Ministério da Agricultura realizam obra de grande culto nas Estações experimentais norte-rio-grandenses, notadamente na de Seridó, onde o famoso algodão “Mocó”, que constitui a maior riqueza agrícola do Estado, é o objeto de contínuos trabalhos de melhoramento.

Manifestou-se o Sr. Fernando Costa muito bem impressionado com os grandiosos trabalhos de engenharia hidráulica que vem há longos anos realizando

no nordeste a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, cujos serviços experimentais agronômicos, destinados a orientar por meio de postos agrícolas junto aos açudes. A exploração das terras beneficiadas pela Irrigação, igualmente bem impressionaram a S. Exa

Acerca das atividades desses postos, o Sr. ministro estende-se em considerações, particularizando o estudo e aproveitamento das plantas indígenas, especialmente a oiticica, cuja sua existência foi um problema brilhantemente resolvido pelos técnicos do posto agrícola de São Gonçalo.

Além disso, traz as ações envolvendo o RN e a produção de sal.

Sal

O Rio Grande do Norte, o Ceará e Sergipe, e em menor escala o Maranhão, Pernambuco e Bahia, contam entre os seus mais importantes recursos a indústria extrativa do sal de cozinha, cuja exportação anual é orçada por cerca de 800.000 toneladas. A produção, entretanto, pode facilmente atingir de 1 a 2 milhões de toneladas. E, se os Industriais tiverem, como é necessário, melhor organização técnica para o benefício do sal, seria aproveitados seus subprodutos e criadas as indústrias derivadas, aumentando, assim, consideravelmente, as possibilidades do manancial de nossas riquezas.

Será que o RN era tão invisível assim ou a gente não se dá conta? Deixe, portanto, o seu comentário.

Fonte

Achei na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, cuja sede fica no Rio de Janeiro. Além disso, busquei jornais que mencionasse a palavra “Rio Grande do Norte”. Portanto, este método que consegui fazer os posts da semana.