Lara Paiva

O local que era para abrigar abandonados está abandonado

Dispensário Symphronio Barreto

Quem anda na rua da Parada Metropolitana nem pensa que está rodeado de prédios históricos. Na parte mais de baixo tem a Capitania das Artes e a antiga sede da OAB. Mais acima tem a Casa da Viúva Machado, a Casa da Estudante e um pouco mais na frente do último prédio mencionado tem um casarão que atualmente em reforma, mas foi uma das tentativas de reduzir os moradores de rua.

Saiba a sua história a seguir.

O que foi  

No alto do prédio dá para ver os números 1935, indicando que o início da obra foi naquele ano. No entanto, a inauguração aconteceu em 21 de abril de 1936 para abrigar a sede do Dispensário Symphronio Barreto. Funcionado algo que seria hoje, todavia, como o albergue público, uma vez que era um estabelecimento de beneficência onde eram prestados serviços gratuitos à comunidade carente da cidade de Natal.

Na época, a construção de um espaço para diminuir os moradores de rua numa época que a gestão pública queria modernizar “Natal”.

No alto do prédio, próximo da platibanda, dá para ver as iniciais DSB, que hoje estão em ruínas por conta da ação do tempo.

Sua inauguração, no entanto, foi anunciada como uma solução para o problema do aumento de moradores de rua que assolava o centro da cidade, que intensificou durante um intenso período de seca. Além disso, nos anos de 1935 a 1970, o espaço foi utilizado com frequência por D. Marcolino Dantas, D. Eugênio Sales, Câmara Cascudo e entre outras ilustres personalidades para a realização de cursos, palestras, encontros, conferências, simpósios e apresentações culturais.

O edifício também abrigou uma escola de empregadas domésticas e a Confederação Católica (CC), onde se realizavam trabalhos de catequização. Por isso, o nome CC na outra lateral da fachada.

Há mais de 20 anos, o prédio está abandonado e desde 2012 está em reforma para a construção do Arquivo da Arquidiocese de Natal. A obra é de responsabilidade do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Como será o novo prédio do Dispensário Symphronio Barreto

A obra que inclui a criação e adaptação de diversos ambientes para a utilização do espaço como arquivo e sua abertura ao público, como salas de depósitos, de exposições e de digitalização, além de banheiros, copa e salas de serviços diversos. Todas as adequações serão feitas de modo a manter a planta original do edifício, uma vez que tem a proteção do Iphan como parte do conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Natal.

Acima, portanto, está o projeto de como ficará a casa após reforma
Planta do projeto

Atualmente, o Arquivo Diocesano fica no subsolo da Catedral Metropolitana de Natal.

Papa-filas da Base Aérea de Natal

Papa-filas Natal

Na década de 50 e 60, um ônibus do modelo Massari transportava a população nas principais capitais. Em Natal, no entanto, os filhos de militares em vilas para as suas respectivas escolas.

Esse transporte era muito comum principalmente na Vila da Base Aérea de Natal, próximo ao antigo aeroporto.

Foi uma tentativa de dar uma resposta rápida à necessidade de ônibus com maior capacidade, uma vez que havia o crescimento contínuo das cidades. Algumas linhas já necessitavam de veículos maiores e os ônibus da época tinham dimensões reduzidas para uma demanda de passageiros em expansão.

Agora, vamos contar a história deste transporte. A foto acima é de Jeronymo Tinoco.

O Papa-Fila é uma inspiração americana

Os primeiros registros de Papa-Filas foi nos Estados Unidos, na época da Segunda Guerra Mundial, para transportar funcionários da General Motors (dona da Chevrolet) e, posteriormente, até tropas.

No Brasil, uma empresa chamada Massari resolveu fazer uma parceria com a FNM e resolveram montar os carros.

O desafio foi assumido entre 1955 e 1956 pela FNM, que fabricava o cavalo mecânico. Já a Massari, empresa de São Paulo, por sua vez, fazia os chassis das carrocerias. Além disso, o Papa-Fila tinha capacidade para transportar em torno de 60 pessoas sentadas, imagina que ele fosse um grande Circular da UFRN.

O Papa-Filas recebeu carrocerias de fabricantes como Caio, Cermava e Grassi.

O fim do Papa-Filas em Natal

Mas com o tempo, o Papa-Fila acabava se mostrando pouco viável. Os veículos eram lentos, barulhentos e desconfortáveis e, por mais que a Massari investisse para deixar os chassis mais aptos possíveis para o transporte de passageiros, os solavancos e vibrações eram intensos.

Algumas unidades de Papa-Fila rodaram pelo Brasil em transportes urbanos até os anos 1970. Em Natal, o Papa-Filas também foi extinto em 70s.  

Por causa da flexibilidade do chassi e também por opção dos operadores de ônibus, muitas vezes poderiam ser vistas carrocerias sendo tracionadas por cavalos mecânicos não eram da FNM.

Essa estátua fica no Centro de Extremoz

Estátua Extremoz

Mais um dia falando de Extremoz neste mês. Essa essa escultura é um dos pontos turísticos da cidade da Grande Natal, uma vez que representa o patrimônio cultural do RN: o grude. A iguaria é feita com goma de mandioca e coco ralado, o grude é delicioso e veio dos nossos ancestrais indígenas. Além disso, a receita tradicional da iguaria leva goma de tapioca, açúcar, sal, manteiga, leite e coco fresco ralado.

A foto acima fotografei enquanto passeava pela região.

No dia 19 de maio deste ano, o Grude é o patrimônio cultural do Rio Grande do Norte. A ideia surgiu a partir de um projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Hermano Morais. Além disso, o projeto foi votado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte durante a sessão remotamente em virtude da pandemia do covid-19.

De acordo com o deputado, valorizar a gastronomia potiguar é um meio para preservar a nossa identidade e resguardar a sua existência, além de estimular economia local.

Como surgiu a Estátua do Menino do Grude em Extremoz

A estátua do Grude foi instalada pelo artista Jordão em 2011, o mesmo que fez a escultura de Luiz Gonzaga no posto da avenida Alexandrino de Alencar e outras obras que relatamos no Brechando. Além disso, neste ano, os pintores Cleanto Franco e Janailson Vinícius pintaram e ampliou o destaque da escultura e marcou o início da revitalização.

Por conta da pandemia, adicionaram uma máscara sob o rosto do menino do Grude para conscientizar a população para proteger o novo coronavírus.

Afinal, como faz?

O preparo do grude começa com a quebra e a rala do coco seco, utilizando ferramentas e raladores artesanais. Numa bacia mistura-se o coco ralado com a goma, até atingir o ponto da massa, em uma proporção de 1 quilo de goma para 5 cocos. Pode-se acrescentar uma pequena quantidade de sal.

Depois, prepara-se as formas para o cozimento (chamadas de marquinhas do grude), em formato de anel, feitas com tiras de palha de coqueiro costuradas ou fixadas com “palitos” da mesma planta.

Em uma tábua ou suporte forrado com folhas de bananeira, coloca-se a massa nas formas, pressionando levemente para preencher todo o espaço dos cilindros. A tábua ajuda a colocar as formas sob o tacho, aquecido com o fogo à lenha, e as folhas da banana permitem que o grude cozinhe sem queimar.

No fogo, o grude ganha consistência, o exterior ganha cor de tostado e textura crocante. Depois de frios, os grudes podem ser embalados em saquinhos e prontos para a venda.

Brechando novamente a Cidade Alta

Cidade Alta

A Pinacoteca reabriu, conforme falei neste artigo. Mas, as belezas de explorar um sábado na Cidade Alta ainda continua. Muita gente seguiu o mesmo caminho que fiz antes do show. Primeiramente, paramos na região do Beco da Lama para almoçar, onde pegamos caldos, batata-frita, refrigerante, gela e outras delícias.

Neste momento esperamos alguns amigos. Ora alguns pegaram o 46 e outros resolveram arriscar os vários cancelamentos de Uber. Além disso, você podia dá uma volta nos sebos, como Balalaika, onde a velha guarda e os jovens se encontram para discutir vinis e livros dos mais diversos assuntos.

Depois de encontrar os amigos era a hora de reencontrar a Pinacoteca, que infelizmente estava fechada a parte interna. Além disso, um curralzinho montaram para adentrasse e comprovar que a vacina estava em dia. Mas, os shows demoraram muito, assim ficávamos alternando entre o Beco e a parte externa.

De um lado ouvia o samba. Do outro, contudo, a passagem de som mais demorada que já ouvi na vida.  Comprovei que pode jogar um meteoro, que o bairro continuará recebendo os boêmios sobreviventes.

Vou repetir algo que já falei anteriormente: Sempre que vou ao Centro de Natal, sempre trago alguma lição. Aquilo é o coração da cidade pulsando o tempo todo, onde estão os bancos, igrejas, lojas, escolas…

É onde você vai encontrar aquele tecido para ser usado no vestido para a festa da sua amiga ou beber aquele mate gelado. Sempre tem alguma coisa rolando. Lá é onde vemos o desenvolvimento da cidade e também a sua história.

Apesar de todos os percalços, a Cidade Alta sempre continuou viva, sobreviveu a Gripe Espanhola, Aids e está dando um nó na Covid-19. Claro que registrei tudo isso a partir de fotografias, no qual o álbum completo pode ser visto, portanto,  a seguir.