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Casa da Ribeira exibirá longa de Linn da Quebrada nesse sábado (12)

Para comemorar seus 21 anos, a Casa da Ribeira, localizada em Natal, primeiramente, irá exibir, nesse sábado (12), às 18h, uma sessão especial do “CineQueer”. A atividade contará com os filmes “Sr. Raposo” (curta-metragem), de Daniel Nolasco, e “Bixa Travesty” (longa-metragem), com Linn da Quebrada. A entrada dos participantes será por meio de contribuição consciente, e será exigido o certificado de vacinação emitido pelo site do RN + Vacina, acompanhado pelo documento de identificação com foto. Além disso, o uso de máscaras descartável de tripla proteção, ou PFF2/N95 também será exigido, não sendo permitido o uso de máscaras de tecido.



Sinopse: “Bixa Travesty”
75 minutos | Direção: Kiko Goifman, Claudia Priscilla | Documentário | 2018 | Brasil | 14 ANOS

Linn da Quebrada é uma cantora, atriz e performer à procura da desconstrução de paradigmas e estereótipos. Além disso, é dona de uma forte e ousada presença no palco, é ela o foco do documentário BIXA TRAVESTY, dirigido por Claudia Priscilla e Kiko Goifman, com produção do Canal Brasil e distribuição da Spcine e da Arteplex Filmes. O filme, que ganhou prêmios no mundo todo, entre eles o Teddy Award de melhor documentário no Festival de Berlim, a melhor direção no Festival de Cartagena, e o de melhor longa do júri popular e melhor trilha sonora no Festival de Brasília.

 

Sobre a Casa da Ribeira


A casa da Ribeira é um espaço cultural independente em Natal, e funciona desde 2001, administrada por um grupo de artistas e produtores. A iniciativa veio do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare. A Casa fica a na rua Frei Miguelinho, número 52, no bairro da Ribeira, em Natal.

O espaço valoriza as temporadas de grupos e artistas e tem como foco o desenvolvimento humano por meio das artes, entendendo as apreciações artísticas como importantes oportunidades de conhecimento e convivência. Nesse sentido, ainda mais, tem como prioridade elaborar projetos para o acesso facilitado de públicos à programação do centro cultural.



Ela: Linn da Quebrada!


Lina Pereira dos Santos, mais conhecida pelo nome artístico Linn da Quebrada, é uma atriz, cantora e militante. Atualmente, também é “sister” do Big Brother Brasil 22, programa em que Linn tem recebido ainda mais visibilidade nacional.

A artista se denomina travesti, e tem nos dado verdadeiras aulas sobre as questões de gênero em horário nobre da televisão brasileira. Desde que sua entrada no maior reality show e com 20 edições no ar, Linn se tornou assunto na internet, estando cotidianamente nos trending topics.

O documentário “Bixa Travesty” (2018) conta com a direção de Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Além disso, os temas que falam no filme são a construção da identidade, a desconstrução de esteriótipos, a LGBTfobia e o racismo, intercalados com reflexões de Linn em uma rádio.

Marighella

Vimos o filme de Marighella: o que é terrorismo?

Independente de ter assistido no cinema ou na sua casa, o filme Marighella conta a história do Brasil. Você pode até ser contra o comunismo (para Brasileiro tudo que é progresso é comunista), mas se concorda com o Regime Militar, precisa rever os seus conceitos sobre humanidade. O que espera-se normalmente é que quem comete crime, seja preso, recebe a sua punição e fique recluso da sociedade para evitar novos delitos, não é mesmo? O lado animal do ser humano não permite.

O Código Penal e a Constituição listam o que um brasileiro deve ou não deve fazer. Posteriormente um órgão fiscaliza os cidadãos que estão seguindo as regras. É uma forma de evitar que os seres humanos não tenham atitudes de animais.

O Brasil virou um país independente apenas em 1822, século 19. Neste período, a literatura mundial seguia o Realismo, no qual o cientificismo também conduziu as correntes filosóficas da época, em especial o positivismo, do Auguste Comte, que propunha a criação de uma “física social”, isto é, uma análise da sociedade que seguisse os métodos das ciências exatas e biológicas.

Era o início do capitalismo financeiro. A intensificação da manufatura industrial gerou a massificação das cidades. Condições de emprego degradantes, longas jornadas de trabalho e baixos salários inspirou outra corrente filosófica do período, o socialismo, postulado por Karl Marx. 

Assim, a desigualdade social gerou uma divisão social, mostrando o lado animal, fazendo com que homens possam viver como se fossem porcos. O crime é o resultado de uma vingança, assim a burguesia, para esconder esse lado podre, repreendia.  Quem comete, geralmente recebe vingança. Por isso, medidas extremas geram atitudes extremas. Viajei? Não! Vou mostrar a relação do filme a seguir.

Sobre Marighella e o Brasil daquele período

Marighella é filho de uma negra que era empregada doméstica com imigrante italiano, que teve várias profissões até se estabelecer como mecânico.  Nasceu em Salvador em 5 de dezembro de 1911. Como falei anteriormente, era um Brasil que tinha 20 anos de República e a industrialização começa tardiamente. Com incentivo do pai, Carlos Marighella se alfabetizou cedo, na idade de quatro anos. 

Seu pai fornecia ao Carlos com livros nacionais e importados, sobretudo autores franceses. Lembra que os franceses eram pais do iluminismo e cheios de pensamentos progressistas.  Por causa da boa leitura, ele furou a sua bolha social e inscreveu-se no primeiro ano em 1925 no colégio Carneiro Ribeiro e mudou-se para o Ginásio da Bahia, atual Colégio Central, na Avenida Joana Angélica. Em 1934, tornou-se engenheiro civil e ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB). 

Conheceu a prisão em 1932, após escrever um poema criticando o interventor Juracy Magalhães, braço direito de Getúlio Vargas. Contra o Estado Novo, lhe prendeu e torturou. Saiu em 1936 e, por conseguinte, viveu na clandestinidade. Três anos depois foi preso até 1945, dando fim a Era Vargas. No ano seguinte, tornou-se deputado federal. 

Em 1948, o PCB foi punido e na década de 50 chegou a viajar para China entender o surgimento da revolução comunista no país. Em maio, após o golpe militar, foi baleado e preso por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) dentro de um cinema, no Rio. Libertado em 1965 por decisão judicial, no ano seguinte optou pela luta armada contra a ditadura, escrevendo “A Crise Brasileira”. É nesta época que o filme se passa. 

Sobre o filme

Primeiramente, a obra, em nenhum momento, tenta retratá-lo como herói, humanizou o máximo possível, mostrando seus erros e acertos. É mais fácil comparar a Marighella ao Lampião e não como Osama Bin Laden. Você pegaria em arma se falasse que era possível derrubar um governo antidemocrático e reprime as minorias? Muitos acreditam que sim e outros acreditam no pacifismo. A obra é detalhista e ainda assim houve dificuldade de sintetizar momentos históricos. 

Além disso, os nomes dos principais personagens foram alterados, mas se leu algum livro de história vai associar quem é quem. Durante o filme houve um questionamento sobre o conceito terrorista ao Marighella, uma vez que o Governo era bem mais armado e tinha apoio dos americanos para que pudesse acabar com cada membro de Marighella.

Será que terrorista é apenas quem é contra o poder ou aqueles que são contra o povo? Ainda mostrou técnicas que o Governo Militar usava os jornais em esconder os podres e a perseguição aos canais de oposição, podendo ser bem cruel. Por isso, muitas vezes para que se justificassem seus atos, a equipe de Marighella invadia sinal de rádio para expor a sua opinião, além da panfletagem em universidades. 

Terrorismo? Há controvérsias

Alguns justificam que Marighella e seu grupo praticaram a violência armada foi necessária e no filme até mesmo existe o questionamento de um padre que ajuda a turma de Marighella. No entanto, dentro da obra, mostra que uma ditadura só se instaura e se mantém pelo uso da violência e um apoio de grandes empresários e países.  Diferentemente do grupo da Aliança Libertária Nacional, uma vez que tiveram que assaltar banco e tinha um contingente bem menor que a Polícia Militar do interior.  Muitas vezes o protagonista agia do mesmo modus operandi do professor de La Casa de Papel (muitos amam e até torcem pelos anti-heróis). 

A narrativa é eletrizante, porém com pontos de repouso e reflexão. A questão familiar está presente no relacionamento de todos os personagens envolvidos Ainda mais mostrou a parte de um todo do Governo Federal através do personagem de Lúcio, que cada ação e fala você fica enjoada com a raiva e desejo de vingança.  Será que precisamos de heróis?

O filme é todo um mergulho nos anos 1960. Em um Brasil antes do AI-5, período mais nojento. Mas também, a gente vê coisas atuais, trocando o nome Exército e Guerrilheiros, com as ações policiais em favelas, brigas entre milícias e traficantes e, por fim, o desejo de ser dependente dos EUA e usar cortinas de fumaças para esconder a corrupção. 

Cineteca LGBTI+

Filmes online para assistir da Cineteca LGBTI+ da UFRN

Após o cancelamento do evento “Ela Mostra Ela”, que seria realizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Gênero, Diversidade Sexual e Direitos Humanos (Tirésias), a organização resolveu, portanto, disponibilizar os links com o objetivo de fazer com que as pessoas possam assistir as produções neste período de quarentena, uma vez que o evento foi cancelado por causa da suspensão das atividades na UFRN, devido a pandemia da Covid-19. A proposta é que os interessados possam, no entanto, aprofundar-se nas temáticas dos filmes ao assistir os filmes selecionados para a mostra.

Tirésias é um órgão dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

As obras escolhidas foram selecionados a partir da Cineteca LGBTI+ da UFRN, projeto de extensão que, além de se constituir através da exibição e debate mensal dos filmes na UFRN, realiza levantamento e mapeamento de produção cinematográfica pertinente à discussão das questões de gênero e das sexualidades para diferentes setores da sociedade. A intenção é fazer com que essas produções tenham o maior alcance possível.

Dentro do projeto Cineteca LGBTI+ tem sugestões de filmes e indicações de debates a partir de cada uma das obras.

A mostra Ela Mostra Ela, ação de extensão construída em razão do Dia Internacional de Luta das Mulheres, celebrado no dia 8 de março, procura refletir sobre diferentes contextos e experiências de diversas mulheres. Como forma de priorizar não apenas as narrativas sobre mulheres, mas as narrativas feitas por mulheres, a seleção dos filmes foi feita observando a presença delas na produção do roteiro e/ou direção das obras.

Confira a seguir os filmes que seriam exbibidos na Cineteca LGBTI+:

Os filmes podem ser compartilhados por outras pessoas livremente. Das três produções, duas são nacionais e a outra, no entanto, é uma animação vinda da França.

Persépolis (2007)

Marjane Satrapi é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, Marjane acompanha os acontecimentos que levam à queda do xá em seu país, juntamente com seu regime brutal. Tem início a nova República Islâmica, que controla como as pessoas devem se vestir e agir. Isto faz com que Marjane seja obrigada a usar véu, o que a incentiva a se tornar uma revolucionária.

Para assistir o filme completo é só clicar neste link: https://bit.ly/Persepoli5.

Um Atentado Violento ao Pudor (2017)

Cineteca LGBTI+

O filme mostra esses atravessamentos entre a vida de Keila e o movimento social das travestis, histórias que se confundem. Keila saiu de Pedreiras, interior do Maranhão, com 13 anos de idade, em busca de liberdade e novas experiências. Ganha o mundo, deixando para trás família e infância. Passa por Recife, Teresina e São Luís, estabelecendo residência em Salvador. Assim, como outras travestis, sua vida é interpelada pela violência e a militância se faz necessária como estratégia de sobrevivência.

Para asssitir o filme completo, clique no link: https://bit.ly/AtentadoAoPudor.

Que horas ela volta ? (2015)

A pernambucana Val se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino vai prestar vestibular, Jéssica lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val, todavia, recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

Veja o filme neste link: https://bit.ly/QueHorasEla.

E, aí, bora assistir um filme para encerrar abril com chave de ouro?

Jussara Queiroz

Jussara Queiroz: uma diretora de cinema potiguar

Pouca gente sabe, mas o Rio Grande do Norte tem muitos diretores de cinema e uma das pioneiras do audiovisual potiguar é uma mulher. Se Septo e outras produções potiguares feitas pela mulherada existe, porque existiu alguém que começou a trabalhar na área quando tudo era literalmente mato. Ela se chama Jussara Queiroz, conhecida pelo longa “A Árvore da Marcação”e vamos contar a sua história a seguir.

Jussara nasceu na cidade de Jucurutu em 04 de janeiro de 1956. Sua paixão pelo cinema veio de família, uma vez que seu pai era dono do cinema da cidade e exibia diversos filmes, como “Tarzan”. Mas, ela era fã assumida do diretor Glauber Rocha, autor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Após o Ensino Médio, ela se mudou para o Rio de Janeiro com a finalidade de cursar cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF) e trabalhou na TV Educativa e Embrafilme.

Entre a década de 70 e 80, Jussara produziu curtas, que sempre tratavam sobre problemas urbanos e buscava fazer os mais variados experimentos, mas seu primeiro longa só foi feito em meados da década de 80, onde encontrou bastante dificuldade. Com o fechamento da Embrafilmes, durante o período da Ditadura Militar, no final da década de 70, lhe prejudicou bastante, uma vez que estava na produção do seu filme, “A Árvore da Marcação”.

A gravação começou em 1987 e só terminou em 1993, após uma parceria com a emissora ZDF da Alemanha. A história narra a trajetória de Jocélia, jovem estudante de Direito, que reencontra em seu trabalho o Inspetor, personagem violento e autoritário, que lhe recorda sua infância em Marcação, pequeno vilarejo da zona canavieira da Paraíba. Ali, a maioria das crianças trabalha, desde os cinco anos de idade, nos canaviais e no mangue, e tem seus direitos desrespeitados pelos poderosos do local. Dentro do vilarejo, Jocélia e amigos percebem o que está se passando e organizam uma luta contra a absurda situação da comunidade que é obrigada.

O elenco do filme é totalmente nordestino, com predominância de artistas paraibanos. Participam, também, crianças e adolescentes de Marcação que viveram personagens reais na história que agora apresentam.

A produção pode ser conferida a seguir:

Em seus filmes ela traz para discussão um conteúdo político, a referência ideológica à esquerda e a mobilização popular, aliás, diria que estes são aspectos fundamentais contidos em suas obras documentais e, na maioria, experimentais. Ela documentou as lutas das classes sociais, a exploração nos canaviais, a desvalorização do homem do campo, dos sem tetos e das crianças sem direito à Educação.

Interrompeu a sua carreira na década de 90 por problemas de saúde e sua história foi contada através do documentário “O voo silencioso do Jucurutu”. Em 2012, a Prefeitura do Natal lhe forneceu a medalha de Honra ao Mérito Nísia Floresta.