prédio Ribeira Natal

Este prédio fica na Ribeira, tem a sua mesma função e características alteradas


Na foto acima mostra um prédio numa rua do bairro da Ribeira em Natal. Parece uma escola, mas era uma estação de trem, que ligava Natal para outros municípios do Rio Grande do Norte. A intenção era que a estação principal fosse aquela que existe na Esplanada Silva Jardim para andar até a essa estação onde fica a imagem.

Mas, na prática, hoje a principal estação de Natal fica neste prédio. Sim, onde hoje é a sede no RN da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) era este monumento e tem as suas características totalmente alteradas.

Através do decreto lei nº 1.475, de 3 de agosto de 1939, a “Great Western” foi arrendada pela Estação de Ferro Central do Rio Grande do Norte. A partir do dia 5 de novembro de 1939, a linha férrea, que ligava Natal ao município de Nova Cruz, passa a circular sob o comando da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte.

Futuramente, o sistema ferroviário passaria a se chamar Estrada de Ferro Sampaio Correia, em homenagem ao engenheiro responsável pelo projeto da via férrea. Em 1957, a Estrada Sampaio Correia tornouse uma das 18 ferrovias regionais que compunham a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), sociedade de economia mista, controlada pelo Governo Federal e vinculada ao Ministério dos Transportes, transportando mais de 80 milhões de toneladas de carga por ano. O sistema ferroviário gerido pela RFFSA tinha papel fundamental para o desenvolvimento de diversos setores da economia brasileira.

Nos anos seguintes, a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) juntamente com Empresa de Engenharia Ferroviária S.A. (ENGEFER) dariam origem à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que passaria a realizar o transporte de passageiros.

A primeira reforma do prédio na Ribeira, na década de 50, derrubou a antiga casa e transformou naquela que hoje vemos até hoje a Estação Natal. 

Mudou alguma coisa? Deixe aqui o seu comentário.

Arpege clubbers Housaca

Ruínas do Arpege palco para clubbers arrasar no Housaca em Natal

Clubbers são pessoas que gostam do movimento Club Kids e são bastante fãs da música eletrônica. Além disso, as pessoas gostam de usar os estilos mais estupefatos, fazendo com que cada clubber tenha um estilo único. Sabendo que o negócio é colocar música em qualquer lugar, a organização resolveu utilizar as ruínas do Arpege para ser o mais novo para as clubbers e o evento de inauguração será no Housaca, marcado para acontecer neste sábado (6).

O evento contará com os mais diferentes DJs da capital potiguar, trazendo o melhor do estilo para dançar e se divertir. E, o mais importante, dá aquele close naquele visual bem apocalíptico que o antigo cabaré da cidade oferece.

O evento existe há 7 anos, onde as apresentações aconteceram vários pontos da Ribeira e também em lugares em que música de qualidade é privilégio em poucos bairros. O Housaca fez tanto sucesso que impulsionou outros eventos, como o a quinta do Beco, Sabadaço do Synthpop e o bloco de carnaval “Acorda, Clubber”.

Sem contar que durante a pandemia eles criaram a Rádio Meladona. Veja o vídeo do Arpege, onde as clubbers vão dançar bastante, palco do Housaca.

O que foi o Arpege

Construído primeiramente no século XX por um família de alemães, tendo inicialmente funcionando como um “Secos e Molhados”. Em 1941, o empresário Nestor Galhardo adquire parte da edificação, pois o seu intuito de instalar sua própria gráfica. Como resultado, ele ocupou apenas o pavimento térreo, o que restou do prédio após o ano de 2020.

Além disso, Galhardo decidiu abrir, portanto, um cabaré no pavimento superior, que seria administrado primeiramente por sua amante e entrada era feita através da Travessa Venezuela, próximo ao Cova da Onça.  

No ano de 2010, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o prédio.

Após a morte do seu proprietário, o  seu neto, que também se chama Nelson Galhardo, assume a administração dos negócios. Durante algum tempo, a gráfica permaneceu em atividade, porém fechou as portas. O local serviu como cenário aos filmes “For All- Trampolim da Vitória” e “O Homem que Desafiou o Diabo”.

No ano de 2020, toda a sua estrutura finalmente caiu, por conta das fortes chuvas, restando apenas a fachada do térreo. E, agora, o Arpege será ocupado pelas clubbers no Housaca, cujos ingressos estão disponíveis neste link.

Eufêmea

Rozeane Oliveira apresenta “Eufêmea” de graça na Ribeira

O espetáculo em dança contemporânea EUFÊMEA volta aos palcos após a pandemia. Com atuação e direção de Rozeane Oliveira, o solo será apresentado gratuitamente no Espaço A3 nos dias 10 e 11 de junho de 2022, cujo seu objetivo é mostrar a força da mulher a partir da dança contemporânea.

Como o espaço tem as suas limitações, disponibilizaram no Sympla fichas para quem tem interesse de assistir o evento, só clicar aqui e garantir a sua vaga.

Já fez uma apresentação virtual

Em janeiro do ano passado, ela se apresentou no Youtube e no seu Instagram por conta da pandemia do novo coronavírus. O pensamento inicial em ser estruturalmente, coreograficamente e cenicamente nos palcos. O espetáculo existe desde 2016, no qual participou de alguns festivais e recebeu a indicação do Troféu Cultura como melhor espetáculo e melhor bailarina no ano de 2017. No entanto, a pandemia do novo coronavírus fez com que teatros e outras casas de espetáculo fechassem as portas. Mas, nos tempos de trevas, existem novas opções de arte.

Como funciona o espetáculo

O espetáculo evidencia um ser que se transpõe, um ser que se atravessa. Além disso, a obra autoral tem a força da transformação, evolução e transbordamento. No decorrer da performance a bailarina-intérprete faz uma longa viagem a camada mais profunda do próprio ser. Como resultado, vai alcançar uma unidade de consciência total do ser.

A dança artística se ambienta em uma confluência de paradigmas, visto que a bailarina entretece, destece e põe em xeque “O SER MULHER”. Este SER que está em constante mutação que sublinha ora a precariedade e o nomadismo da consciência e da existência, ora as aleluias e as agonias desse ser.

Rozeane carrega para si, todavia, o empoderamento e firmeza do seu EU que impulsiona a Fêmea no íntimo do olhar. São experimentações postas na cena, encarando o processo enquanto obra, além de inquietações íntimas que a intérprete/criadora compartilha com o espectador.

Este projeto foi contemplado pela Lei Emergencial Aldir Blanc, pela Prefeitura Municipal do Natal, Funcarte e Governo Federal.

Ribeira Natal

Quem mandou apagar a Ribeira em Natal?

Lembro quando meu amigo Victor H Azevedo disse, durante a matéria que fiz na revista Brechando nº 2, a seguinte frase: “Gosto do visual da Ribeira, pois ele tem aquele cenário de filme apocalíptico.”. Quase dois anos que fiz a matéria e um ano depois da publicação posso dizer que a Ribeira de Natal está pior, parece que alguém jogou uma bomba atômica e só as baratas estão podendo circular por aquela região. Parece que alguém fechou a porta e deixou a chave no rio Potengi para que ninguém pudesse voltar. Não sei quem é o mais culpado, se é o poder público, os produtores culturais, os herdeiros que brigam por um prédio que está caindo aos pedaços ou simplesmente as pessoas que moram em Natal.

É muito estranho que o início do sábado em Natal ver a Ribeira diferente de 10 anos, que pelo menos as pessoas estavam no Bar do Reggae para escutar aquele Edson Gomes de lei. Estava escura, sendo guiada apenas pelos faróis do carro.

Refiz o caminho da matéria da revista

Estava indo em direção para Casa da Ribeira, onde iria ter o lançamento do filme de Jana Sá, o “Não foi acidente, mataram meus pais“. Após adiantar alguns trabalhos fora da agência de publicidade e os preparativos da castração da minha gata, eu peguei meu carro e fui direto pela Prudente de Morais, uma vez que a Hermes da Fonseca estava interditada com o cruzamento da avenida Alexandrino de Alencar.

O caminho todo estava focada em assistir o filme e ir para casa, pois estava cansada dos últimos acontecimentos. Então, peguei o sinal que vai ao Barro Vermelho, caminhando em direção ao Baldo e, por fim, atravessar o viaduto de mesmo nome e passei na avenida do Contorno, que corta o Passo da Pátria com o bairro de Cidade Alta.

Já estava escuro, com postes com iluminação precária, e garotos andando de bicicleta sem prestar no perigo dos carros andando em alta velocidade. Os grafites estavam desbotando, não via mais cor ou alegria de quando ia ao Circuito Ribeira da vida.

Somente o Salesiano estava aberto na Avenida Duque de Caxias na Ribeira em Natal

Quando cheguei na Duque de Caxias, eu vi somente o colégio Salesiano aberto. Com os carros de classe média alta circulando e buscando seus filhos que estavam praticando algum esporte. Deduzi que era isso por conta de que o pessoal estava com camiseta de vôlei e andando de chuteiras pelo ombro. Então, eu passo pela Rio Branco para pegar o cais da Tavares de Lira.

Onde a única fonte de iluminação eram as motos dos vendedores de pescados que estavam arrumando seus pertences para ir embora, sabendo que era a hora de fugir da Ribeira Dark e abandonada. Sem contar que a única iluminação vinha do pôr-do-som. Sim, o comércio que era tão característico deste bairro da zona Leste também pode ser o próximo a escapar e talvez pela janela, pois a porta está mais que lacrada.

A rua Chile totalmente escura

Para chegar na Frei Miguelinho, onde fica a Casa da Ribeira, tive que pegar a rua Chile. O local que por muito tempo era cheio de baladas, shows de rock, quadra de escola de samba e só vi escuro. Fiquei com medo de andar na Ribeira pela primeira vez, pois estava só e não tinha algum ser vivo atravessando. Nem os gatos ou cachorros de rua.

O tradicional Armazém virou uma igreja evangélica e o Alchimist está na lista de mais um bar que fechou as portas a partir do abandono e da pandemia.

O bar do reggae estava sem ninguém, o Porto sem nenhuma movimentação. A única que consegui ver foi na Casa da Ribeira, pois as pessoas estavam estacionados e chegando para ver.

Quem apagou a Ribeira? Não sabemos, mas queria que ela respirasse novamente.