Rio Grande do Norte baleias

Sabia que no Rio Grande do Norte tem baleias?

O litoral do Rio Grande do Norte tem 400 quilômetros de extensão e sua costa marítima tem várias espécies, inclusive baleias. Existe um grupo chamado Projeto Mamíferos Marinhos (PROMMARN), que pesquisa e conserva baleias jubartes e golfinhos da espécie nariz de garrafa.

A baleia jubarte quase foi extinta por conta da caça predatória. Até a década de 60, todavia, mais de 90% da população deste mamífero foi reduzida.

O projeto tem como seu coordenador o Lídio Nascimento, que é bacharel em psicologia e tem doutorado em psicologia. Como consiste a pesquisa? A sua principal finalidade é fazer com que os estudiosos embarcam para o mar aberto para registrar fotografias e mapear onde esses animais estão.

Além disso, eles têm um Instagram onde registram o cotidiano do projeto e mostram algumas baleiras que foram “flagradas” na lente dos pesquisadores.

A seguir, portanto, tem um vídeo que mostra um pouco da rotina dos pesquisadores.

Já o fotógrafo Brunno Martins postou em seu Instagram um registro durante a visita ao projeto. Além disso, as fotos da baleia tiveram quase 10 mil curtidas. Sem contar que ele deixou um depoimento de como ficou impressionado com a grandiosidade do animal.

Vocês sabiam que o Rio Grande do Norte tinha baleias? Deixe, portanto, o seu comentário.



tudo bem em partir

Ninguém falou como dizer que está tudo bem em partir

O luto ninguém explica. A gente acha que sabe. É a versão contrária de um nascimento. A década de 2010 foram os lutos mais diferentes que Vovó do Céu teve. Irmãos, amigos e o grande amor de sua vida partiram para o outro plano.

E não estou falando apenas de morte. Mas também de mudanças. Mudar com o vovô Manoel, além de deixar o sítio e a cidade que cresceu, criou os filhos e os mais diversos netos também foi uma mudança que exigiu muita coragem. O outro “luto” foi não conseguir se despedir do “Preto”, uma vez que estava internado.

Se adaptar a viuvez foi outro processo de luto. E agora estamos nos despedindo. Ver a vovó no leito de morte é uma experiência que botei para fora em um texto.

Era um sábado, fim de tarde quando o médico se reuniu com meu pai e tio alegando que queria falar com os dois. A vontade para ligar era forte para saber o que houve. Então, meu pai me ligou e aproveitei para perguntar, que prontamente me respondeu: “Lara, o médico avisou que o estado era irreversível.”.

Então, veio o questionamento: Quando posso dizer que está tudo bem o coração parar?

Fui ao hospital no dia seguinte, meu pai orientou como chegar ao leito 218 e cheguei. Vi vovó dormindo, abrindo os olhos como se fosse um bebê enxergando o mundo pela primeira vez.

Último aperto de mão e dizer que está tudo bem em partir

Apertei sua mão, mexi nos seus cabelos e cheirei a sua testa como sempre fiz. Então, prontamente disse: “Vovó, só quero dizer que te amo. E pode partir, que a gente vai ficar bem. Vovô está lhe esperando. Nós estamos aqui para que a sua despedida seja a melhor possível. Está bem pertinho, descanse”.

Saí do hospital triste e chorando, mas coração em paz. Seis horas depois, ela realmente partiu.

Só quero lembrar daquela senhora que verdadeiramente amou aqueles que estavam em sua volta. Está tudo bem em partir, nosso luto será mais tranquilo assim.

Gal Costa

Gal Costa, você sabe que fez história

Chuva de Prata” e “Nada Mais” estava na playlist e ocasionalmente cantarolava “Meu nome é Gal”. Mas, como todo jovem acha que os pais não tinham bom gosto. A primeira vez que ouvi o cover de “Fé Cega, Faca Amolada” de Doces Bárbaros eu pirei, principalmente na voz de Gal Costa que chamava atenção pela dramaticidade. Depois, eu escutei mais coisas de Gal, desbravando os álbuns e, assim, descobri a minha identificação com a música nordestina e com canções escritas na língua portuguesa.

Mas, depois descobri a importância da história de Gal, uma mulher a frente do seu tempo. Participou da Tropicália, onde misturou o rock com elementos da música brasileira. Lutou contra a Ditadura Militar e mostrou o seu corpo em um período que “não era considerado coisa de mulher”.

Gal pintava seus olhos exageradamente, quando o certo era ser delicada. A mesma deixava seus cacheados e volumosos expostos quando todo mundo queria alisar. Ensinou que você pode ser mãe a qualquer momento.

Sem contar que vou sentir falta da sua versatilidade, da extensão vocal única e também de seu carisma único. Ela podia cantar Caetano ao funk de forma primorosa. Algo que poucos artistas conseguem.

Gal se foi, “sem temer a morte”. Mas a música, sua interpretação e a contribuição na história do Brasil fica.

Romildo Soares

Morto em uma calçada que não era da fama

A calçada da fama em Hollywood é o sonho de todos os atores e gente das artes que querem seu reconhecimento nos Estados Unidos. Entretanto, teve gente que morreu na calçada enquanto comia cuscuz, com esperança de dias melhores. Gosto de imaginar que ele estava na parada de ônibus esperando corujão da linha “Paraíso”, com um prato de cuscuz e ele correu para o abraço.

Mas, Romildo Soares não era apenas um morador de rua qualquer, mas cantor, compositor, músico, organizador de eventos e entre outros. Foi só a morte lhe buscar na calçada da C&A (também morta pelo capitalismo), que as pessoas se tocaram que o Beco da Lama vai perdendo seus membros raiz. Não os nutelas pós-graffiti. Nem devíamos romantizar a sua morte, fazer um obituário para dizer ser um artista foda e muito menos chegar a este ponto.

Romildo Soares foi encontrado morto em uma calçada, que ao invés de lhe trazer fama, trouxe problemas de saúde e de dignidade.

Deveríamos ter pedido desculpa por vê-lo assim o tempo todo e não mover uma palha. A última vez que vi Romildo Soares dormindo no Espaço Ruy Pereira no palco de cimento, próximo do Zé Reeira, era um sinal de que ele só queria arte e diversão.

Agora, ele descansou e não vai precisar mais da ajuda do céu para se manter como artista.

Erramos rude, erramos feio. Falhamos como sociedade. Falhamos como artistas. E, pior, falhamos nas políticas públicas de incentivar a arte e, ao mesmo tempo buscar condições de moradias dignas aos moradores de rua.