Nevaldo Rocha

Avenida Bernardo Vieira mudou de nome: que rola agora?

Avenida Bernardo Vieira mudou de nome. A Câmara Municipal de Natal resolveu na noite desta terça-feira (13) mudar o nome da avenida Bernardo Vieira para Nevaldo Rocha, uma vez que era o empresário que criou o grupo Guararapes e, por conseguinte o Midway, que fica na então via. Esta não foi a primeira mudança no nome deste lugar, uma vez que no tempo dos nossos pais já foi a Avenida 15.

Este post é para falar quais serão os próximos passos para que ocorra a mudança em definitivo.

A sanção do prefeito de Natal

O prefeito Álvaro Dias é o autor da proposta. Mesmo sendo chefe do executivo, o documento precisa de aprovação dos vereadores. Além disso, tem que seguir algumas regras.

Os nomes das ruas e avenidas, no entanto, têm que ser de pessoas que já morreram e não ter ligação com período de escravidão ou contra os direitos humanos, segundo a lei federal de 2013.

Como houve o apoio dos vereadores, o prefeito sancionará no Diário Oficial do Município.

Agora resta saber se a mudança da avenida vai ser por toda a sua extensão, visto que a via corta oito bairros diferentes de Natal. Logo, 8 CEPs diferentes.

E, depois que a avenida Bernardo Vieira mudou de nome?

Após a sanção, os moradores e comerciantes da ex-Bernardo Vieira vão ter que mudar um monte de coisas.  Apesar do CEP continua sendo o mesmo, é preciso que os moradores atualizem todos os documentos oficiais onde conste o endereço, incluindo contas bancárias, cadastros, matrículas e até a escritura do imóvel. Vai dar um pouco de trabalho, não é mesmo?

A Prefeitura do Natal também tem que mudar o endereço em seus documentos oficiais, sinalizações, mapas da cidade e também em dispositivos digitais, como o Google Maps.

A aprovação da Câmara consta que a Prefeitura do Natal tem 180 dias, ou seja, seis meses, para que toda a sua mudança aconteça.

 

 

Avenida Prudente de Morais

Essa é a Avenida Prudente de Morais em obra

A avenida Prudente de Morais é uma das vias principais da cidade. Ao longo do tempo passou por algumas estruturações. A via surgiu juntamente com a criação dos bairros de Tirol e Petrópolis, zona Leste de Natal, quando as pessoas migraram da Cidade Alta e Ribeira para as novas casas, eram sinal de novidade. A foto acima, postada pelo jornalista Adriano Medeiros no grupo Fatos e fotos de Natal Antiga.

As primeiras menções na avenida foi na década de 30, quando os jornais anunciavam a venda de casas na região. Portanto, uma área totalmente residencial. O nome primeiramente é uma homenagem ao presidente da República, uma vez que representava a ascensão da oligarquia cafeicultora e dos políticos civis ao poder nacional. Prudente ficou entre 1894 e 1898 e foi sucedido por Campos Sales. Na década de 50, o fim da Prudente de Morais era a altura da Cidade da Criança, onde hoje é o Senai.

O Senai era considerado o fim da Prudente de Morais

Na década de 30, o local era cheio de estrada de terra e com calçadas irregulares, uma vez que o local estava começando a urbanizar aos poucos. A primeira grande obra aconteceu na década de 50, quando o prefeito Claudionor de Andrade realizou um grande serviço de saneamento básico, no qual construiu enormes galerias para levar o esgoto dos moradores e o saneamento foi até a Lagoa Manoel Felipe. O assunto esteve nos jornais da capital potiguar.

 

A obra de saneamento só começou no ano de 1951. Após o saneamento básico, a Prudente de Morais se despediu das estradas de terra e a Prefeitura começou a ser pavimentada não só a avenida, mas também as ruas laterais.

Avenida Avenida começou a ficar enorme a partir da década de 70

Por causa disso, a avenida começou a crescer, principalmente com a criação de Lagoa Seca. Uma outra estruturação da Prudente de Morais aconteceu na década de 70, quando houve o primeiro prolongamento. Saindo da altura da Cidade da Criança até o Estádio Machadão, cuja obra aconteceu nos anos 70.  Posteriormente, a avenida foi estendida até Candelária, na época que o conjunto habitacional foi construído. Assim, surgiu a foto acima do título. Para saber mais sobre esta época, veja os trechos de jornais, portanto, a seguir:

Jornal comenta as dificuldade de criar uma via para entrada de Candelária
A pavimentação da Prudente de Morais só aconteceu completamente na década de 70
Nota do Diário de Natal em 1971 sobre a Prudente de Morais
Obra da urbanização custou 100 mil cruzeiros

Importância de Stan Lee no desenvolvimento social

A tarde desta segunda-feira (12) foi marcada, para os fãs dos quadrinhos, com muita tristeza, uma vez que o Stan Lee, criador do universo do selo Marvel faleceu aos 95 anos (ele não criou a Marvel, mas o conceito que fez o selo a ficar famosa quando foi editor-chefe).

Nasceu em Nova Iorque no ano de 1922, no mesmo período começavam os estudos na Alemanha no qual formaria sobre a Escola de Frankfurt e os estudos da Indústria Cultural, no qual estudavam elementos como o rádio e quadrinhos na ajuda na formação de uma população. Sim, indiretamente (ou diretamente ?), Lee utilizou os quadrinhos para fazer não só críticas sociais, mas também mostrar que por meio da diversão de comprar HQs e filmes podem ajudar as pessoas a abrir a sua mente.

Se for assim, Adorno e Horkheimer concordariam que a sociedade pode ser movida e moldada através dos Meios de Comunicação..

Foram nos quadrinhos que foi discutido sobre bullying, conceitos de famílias diferentes (Vai dizer que Peter Park, Tia May e Tio Ben estão inclusos na família tradicional norte-americana ?), sobre o que é ser diferente e as diferenças entre ser o correto e justo (Alô, “Guerra Civil”).

Após a mudança do nome da editora, primeiro para Atlas Comics, e depois para Marvel Comics, Lee revolucionou o mercado de quadrinhos ao modernizar o gênero de heróis com criações para um público mais velho, como o lançamento de “Quarteto Fantástico”. Com dramas familiares e heroísmos que utilizavam elementos de ficção científica, as histórias ajudaram na fama de personagens mais complexos e realistas da Marvel em relação à sua principal concorrente, a DC.

O que diferenciava? Seus heróis tinham um temperamento ruim, ficavam melancólicos, cometiam erros humanos normais. Preocupavam-se em pagar suas contas e impressionar suas namoradas, e às vezes ficavam até doentes fisicamente. Os super-heróis de Lee capturaram a imaginação dos adolescentes e jovens adultos, e as vendas aumentaram drasticamente. Tem gente que se identifica com a autoestima do Tony Stark, a rebeldia do Wolverine, ser malandro como Deadpool ou ser temperamental como o Hulk.

A identificação social foi o que moveu a Marvel crescer, no qual mesmo mostrando a realidade de forma pesada, dizia-se que no final tudo terminaria bem.

Além disso, ele também tinha uma grande consciência de classe, no qual ele apoiava os lugares dos outros e também tentava, na medida do possível, desenvolver um lugar de fala, através de seus heróis, sempre utilizando metáforas.  Em 1963, com a cabeça no movimento por direitos civis de negros no Estados Unidos, liderado por Martin Luther King, lançou os X-Men, uma equipe de mutantes que eram marginalizados e hostilizados pelos humanos.

Nos últimos anos, Lee tornou-se um ícone e a cara pública da Marvel Comics. Fez aparições em convenções de histórias em quadrinhos pelos EUA, palestrando e participando em discussões. Mudou-se para a Califórnia em 1981 para desenvolver as propriedades de televisão e filme da Marvel, além de ficar conhecido por fazer inúmeras aparições nos filmes dos seus heróis. Sem contar que os quadrinhos da Marvel estimularam outras pessoas a criarem os seus próprios trabalhos, estimular o crescimento na profissão do quadrinista e vários artistas já declararam a influência da obra de Lee em seus trabalhos.

O legado dele na Marvel vai continuar, principalmente defendendo as causas das minorias, no qual alguns quadrinhos já mostraram um Homem-Aranha Negro, Beijo entre pessoas do mesmo gênero, o machismo, relacionamento abusivo (assistam Jéssica Jones) e dentre outros assuntos que estão no nosso cotidiano e a gente quer insistir em esconder a poeira para de baixo do tapete.

A morte de Stan Lee não é o fim dos quadrinhos, mas a continuação de um legado social que a arte dos HQs continuam oferecendo.

Moça, você sempre vai ter idade de usar cabelo colorido

Hoje, o meu cabelo é verde. Amanhã não sei. Só sei que gosto destas mudanças, uma forma de externar que o meu mundo não é tão trevoso assim. A minha primeira representação de ter cabelo colorido foi com Penélope, a repórter do Castelo Rá-Tim-Bum, eu queria ter daquele tom. Mas, as propagandas da Velaton,nos anos 90, só apresentava tons de vermelho, preto ou loiro. Achava um máximo minha mãe ou tia com as tintas no cabelo. Sempre queria pintar o cabelo, estava cansada daquele castanho escuro quase preto. Adorava ver aqueles roqueiros da MTV com cabelo colorido, apesar de não saber como pintava. Só ouvia frases como: “Eles são loucos ou engraçados”, “Isso é peruca, impossível de fazer” ou “Você não é artista, mulher”.

A infância acabou e a adolescência veio com cheios de questionamentos, a vontade de querer mudar e mostrar o que sinto através da pele e na aparência. Primeiramente, foi com maquiagem, depois os piercings e claro que viria chegar no cabelo. Spray de carnaval e papel crepom não me contentava. Neste período o fotolog bombava, a moda emo e os myspace com os cabelos pintados de vermelho, magenta e rosa. Era uma era pré-Tumblr. Não queria essas cores, queria uma cor diferente, porque tinha síndrome do underground e odiava modinha.

Após juntar alguns meses de mesada, finalmente pintei o cabelo de azul, apesar dos meus pais e o ex-namorado da época dizendo que ia ficar feio. Eu tinha curtido, era uma forma de mostrar a minha personalidade e o que pensava. Enquanto isso, o pessoal da escola tentava de todas as formas fazer bullying, desde jogar papel crepom de azul no meu cabelo ou meninas padrão descobrindo meu MSN (Whatsapp nem existia!) para esculhambar, me chamando de “tosca” ou “rídicula”. Seria hipocrisia dizer que não ficava encabulada pois chorei várias vezes e tinha vontade de desistir. Mas, a voz da consciência dizia que eu devia ser forte e resistir.

No final, nem deu certo, cansei do azul, porque não tinha paciência para manutenção (ninguém conta isso, não é?) e as tintas não duravam nem um mês exatos. Naquela época o preço de uma tinta de cabelo fantasia da Alfaparf era o dobro de um Koleston.

Sem contar que as informações que conseguia coletar era através de comunidades do Orkut.

Foi assim que coloquei a tinta vermelha na parte descolorida e com pontas vermelhas. Porém, eu tinha feito relaxamento para deixar os cabelos ondulados e tinha feito descoloração em poucos meses. Ainda tinha a falta de paciência para manter a cor do cabelo e fazer hidratação, claro que aconteceu um corte químico. O que seria isso? É quando o cabelo é cortado por conta dos cosméticos.

Resultado? Eu tive que cortar o cabelo bem curto.

Penélope, minha primeira inspiração

Após meses de cabelos curtos, comecei a pintar o cabelo de preto, para deixar mais escuro que já era e isso durou até o início da faculdade, quando vi que estava na hora de destacar alguma coisa em mim e tive a ideia de fazer mechas vermelhas.

As pequenas mechas cresceram e após descobrir como faz para pintar o cabelo de vermelho, quando uma amiga falou que colocava água oxigenada de 30 volumes que aumenta três tons do cabelo. E deu certo. Tanto que me formei com um cabelo vermelhão.

Fiquei dois anos deixando o vermelho sair para meu cabelo voltar a cor natural e assim voltei a moda dos cabelos coloridos, ficando aqui meu cabelo de unicórnio

Veja as minhas mudanças capilares nos últimos 10 anos:

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Neste período, eu cresci pessoas dizendo que não tinha idade para pintar o cabelo desta forma (tenho 24 anos), homens não gostam de mulheres que não são naturais e que devo ser doida para deixar meu cabelo como um eterno carnaval. Sem contar que sempre perguntam se os meus pais tinham autorizado de fazer e o que eles opinavam.
A sorte que sempre tive família que tinha liberdade de pensamento, onde mesmo que não concordasse comigo, eles deixariam que tivesse a minha personalidade ou opinião. Algo que muitos jovens da minha idade, mesmo empregados e tendo uma vida de sucesso, eles ainda estão angustiados por viver em padrões estabelecidos na mídia.

Antigamente, os cabelos coloridos eram poucos representados e somente quem acessava mídias alternativas, como as citei acima, podia ver sobre os cuidados no cabelo ou tendências. Agora, a gente pode ver personagens de séries, novelas e digital influencers que estão deixando as suas cabeças mais coloridas e estimulando mais pessoas a abrir o coração. Sem contar que os produtos para esta área cresceram bastante, você pode encontrar numa loja de cosméticos mais perto de sua casa, do que comprar em um site estrangeiro.

Se você quer pintar seu cabelo colorido, não ligue para as opiniões e mergulhe de cabeça neste mundo.