Sobre o documentário Lá Pro Gringo’s: conheça a história da praça

O documentário “Lá Pro Gringo’s” faz parte de uma série de quatro documentários que falam sobre espaços urbanos de Natal. O primeiro citado retrata as festas de uma das praças mais famosas da zona Sul da cidade, que recebe festas de jazz, carnaval e o halloween, que vai acontecer neste fim de semana.

O filme  foi o meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), no qual assumi a produção e direção. E, meu amigo, Jacques Noronha, também jornalista, ficou na parte de edição. Começamos a filmar a partir do Halloween do ano passado (há exato um ano) e demoramos para gravar nove meses, 30 dias para editar e alguns meses para apresentar ao pessoal além da banca que nos deu 9,5. A gente resolveu colocar no You Tube e mostrar a origem de todas estas festas.

Foi um dos trabalhos que mais deu orgulho em fazer, pois ninguém foi atrás de pesquisar a origem, mas esculachar as festas, visto que os vizinhos não gostam (não deixo de tirar as razões deles). Nós falamos com pessoas que ajudaram a contribuir de uma forma ou de outra com a praça, desde donos de bares até integrantes da Prefeitura do Natal.

Com uma Nikon na mão e várias ideias na cabeça, passamos diversas madrugadas filmando as festas e conversando com os frequentadores. Eram mais de 12 horas de depoimentos.

Agora que o Halloween do Wesley e do Gringos é neste fim de semana, que tal ver um documentário que fala sobre as festas? Assista a seguir:

 

Qual a sua expressão natalense favorita de falar?

Uma coisa que os natalenses mais gostam de fazer é expressar as suas gírias peculiares. Algumas são comuns em outros estados do Nordeste, como “oxe” ou “oxente” (reza a lenda de quando os americanos vieram à Natal na Segunda Guerra e diziam “Oh Shit”, os natalenses entendiam “Oh, Gente”) e “Vixe” (Variação de “Virgem Maria”).

Outras surgiram ao longo do tempo, como arrodeio, homi (versão carinhosa de “Homem”), galado (parecido com o significado da palavra “foda” ou “escroto”, dependendo do contexo. Apesar de que vem de gala, que é a forma chula de dizer esperma), boy (qualquer pessoa ou paquera, tipo cara), bixiga (se referir a “coisa”), resenha (novidade), fuderoso e dentre outras expressões natalenses.

Um diálogo comum de um natalense:

“Boy, ontem eu fui para um resenha na casa de Maria. Aí fiquei conversando com uma boyzinha e a gente começou a se pegar. Então, chegou o Mário, aquele galado, começou a me sacanear. Oxe, comecei a achar estranho o fato dela arrodear e ficar me enrolando. E eu não tinha entendido bixiga nenhuma do que ela estava querendo fazer. Boy, era umas três da manhã e ela tinha ficado com Mário. Quando vi, vixe aquele galado furou meu olho. Aí André, aquele galado, me apresentou uma outra boy, e o encontro foi fuderoso, apesar da gente não ter coisado. Ela gosta das mesmas coisas que eu e combinamos de ir ao Carnatal”.

Isto foi baseado em várias conversas com amigos meus sobre um ocorrido numa das resenhas existentes em Natal. Tanto que quando vou viajar para outra cidade ou entrar em contato com alguém que não é do Nordeste, as gírias natalenses se manifestam e começo a falá-las sem parar.

Quando trabalhei numa assessoria, por exemplo, e tive que ajudar um grupo de jornalistas cariocas a circular por Natal, eu ganhei o apelido de “boyzinha”, por falar muito esta palavra para se referir “aquela menina”.

Tem dias que meu espírito natalense baixa em mim, que a cada 15 palavras, 22 são as gírias natalenses, principalmente a expressão “Boy”. Em um recente diálogo com minha mãe: “Boy, estou com muita cólica, parece que o satanás queria atrapalhar os meus planos neste fim de semana. Essa bixiga”.

Como o Brechando não é besta, conversei com alguns cidadãos para falar qual é a sua gíria favorita “Made In Natal”.

Confira:

“”Homi” é muito prático e legal pra começar frases”, Daniel Barros, publicitário.

“Galado e boy, porque elas descrevem milhões de coisas ao mesmo tempo”, Sérgio Leonardo, estudante.

“Galado. Porque, além de original, é uma palavra híbrida que, dependendo do contexto, serve pra exaltar ou xingar o interlocutor. (risos)”, Gustavo Guedes, jornalista.

Quem é Cícero cujas frases estão pichadas nos muros das ruas?

É comum a gente passar na Rua Ulisses Caldas e deparar com um muro pichado com uma citação de um rapaz chamado Cícero. A frase diz: “Ninguém vai dizer que foi por amor, todos vão chamar de derrota”. Afinal, quem é este Cícero? É um poeta? Cantor? Autor do picho? Quem é este homem? Ele é de Natal?

Tentei fotografar esse picho várias vezes quando andava de carro ou ônibus no centro da cidade, mas não deu muito certo. Além disso, eu procurei se existia alguma imagem desta frase pintada no Google Maps, mas o último registro era de Dezembro de 2014. Logo, a frase foi pintada ainda este ano.

O Cícero, na verdade, é um cantor carioca, bacharel em Direito, chamado Cícero Rosa Lins, que lançou em 2011 seu primeiro cd, “Canções de Apartamento”. O disco teve grande repercussão na rede e rendeu dois Prêmios Multishow de Música Brasileira em 2012, nas categorias Música Compartilhada (pelo disco) e Versão do Ano (pela sua versão de Conversa de Botas Batidas, do Los Hermanos).

Cícero lança em 2013 seu segundo disco: “Sábado”, desta vez com participações de Marcelo Camelo, SILVA e Mahmundi. A produção foi bastante elogiada pela crítica especializada. Em abril deste ano, ele lançou o disco “A Praia”, que tem mais canções alegres que nos dois primeiros materiais.

Sobre a música pichada no muro se chama “Vagalumes Cego” e pode ser escutada a seguir:

https://www.youtube.com/watch?v=UCAEuOhHeTo

 

Estudante potiguar acerta 174 questões do Enem

O resultado do gabarito do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) saiu nesta quarta-feira (28) e o Rio Grande do Norte está com orgulho de um dos filhos da terra, visto que o potiguar acertou 96% da prova. Quer dizer, das 180 questões existentes no processo seletivo,  acertou 174 e ainda está no primeiro ano. O nome dele é Luciélio Cavalcante, tem 18 anos e mora em São Miguel, distante de Natal por uma distância de 433 quilômetros.

A prova aconteceu no último final de semana e é composto por uma prova objetiva mais a redação. A notícia de seu desempenho chamou atenção dos noticiários vindos de Mossoró e da capital potiguar.

Lucélio, que é devoto de Nossa Senhora, mora com a mãe e vive numa casa bastante humilde. Além disso, ele sofre de paraplegia (uma lesão medular), porém isto não lhe desanima para conseguir conquistar os seus objetivos. “Como agora não estou estudando para nenhum processo seletivo mais, a rotina de estudo está mais confortável agora”, disse o jovem em entrevista para o Brechando via Facebook.

Cavalcanti chega no colégio às 6h30 e os seus estudos terminam às 11h30, depois vai almoçar e descansar um pouco. Então, começa a rotina de estudos do jovem,  no qual ele pratica bastante as atividades para casa e os exercícios dos livros que estuda.

Ele estuda na Escola Estadual Gilney de Souza e seu excelente desempenho rapidamente foi comentado entre os professores e colegas de escola. “A reação do colégio ficou bastante surpresa com o resultado e disse que acredita bastante no meu desempenho. Alguns, inicialmente, não acreditaram que eu tinha feito realmente 174 questões, mas depois acreditaram”, contou.

Apesar das dificuldades, Luciélio aposta nos estudos como forma de superar todas as barreiras que lhe foram impostas ao longo da vida. O seu sonho é prestar o curso de psicologia e comentou que sempre teve interesse na área médica.

“Me considero uma pessoa bastante comunicativa, adoro conversar com as outras pessoas e gostaria de trabalhar na área da Saúde”, comentou.

Sua vida rende um filme, pois seu pai morreu quando tinha três dias de nascido. Devido às dificuldades de locomoção, ele precisa de ajuda de terceiros para andar. Quando morava na zona Rural, por exemplo, precisava da ajuda da mãe para carregá-lo até a escola.

Antes de prestar uma faculdade, ele sonha em escrever uma autobiografia como uma forma de inspirar outras pessoas que passam pelas mesmas dificuldades. “Espero que eu tenho a oportunidade de escrever minha autobiografia para poder contar um pouco mais do que aconteceu, além do que já foi publicado nos jornais”, finalizou.