Episódio 5- Museu Café Filho

Passamos da metade da aventura da primeira temporada do Podbrechar, o podcast do site Brechando.com, onde passeamos por prédios históricos da capital do Rio Grande do Norte. O trabalho foi contemplado no edital Sesc Cultural, na categoria de Pluralidade das Artes. Agora, vamos visitar o Museu Café Filho. Ou seja, a nossa tentativa.

Em fevereiro, deixamos um pouco de lado a folia que a Cidade Alta estava passando para levar um pouco mais a sério as nossas investigações. Primeiramente, a gente foi ao Museu Café Filho. De acordo com o Google Maps, ele fica na Rua Conceição, de número 601, também conhecida como a primeira rua oficial de Natal. Além disso, a casa centenária se chama de “Véu de Noiva”, mas neste assunto falamos mais a frente.

Nós sabemos que Café Filho foi um dos proprietários do prédio e foi uma figura importante no Rio Grande do Norte. Mas, qual a sua relação com o político? Este é o objetivo do quinto episódio do Podbrechar.

O prédio virou Museu Café Filho apenas em março de 1979. Entretanto, foi adquirido pelo governo do estado em 1960, foi tombado e restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. De 1965 a 1978, o prédio abrigou o Museu de Arte e História do Rio Grande do Norte

Confira o quinto episódio a seguir:

Lembrando que o Podbrechar é um podcast contemplado no edital SESC na categoria de Pluralidade das Artes.

Como era o Museu Café Filho antes da reforma de 2018

O Museu Café Filho, de acordo com o Google Maps, fica na Rua Conceição, de número 601, também conhecida como a primeira rua oficial de Natal. Além disso, a casa centenária se chama de “Véu de Noiva” e tem muita história para contar, inclusive a biografia do político Café Filho, um dos proprietários do prédio e foi uma figura importante no Rio Grande do Norte. Sua vida política começou em 1933, quando fundou o Partido Social Nacionalista (PSN). No ano seguinte, ele é eleito deputado federal.

A casa da Cidade Alta servia não como residência para Café Filho, mas como escritório utilizado para tomar as suas decisões políticas e sede de sindicato. No fim de sua vida, ele morava na cidade do Rio de Janeiro. Por falar em João Café Filho, o museu dispõe, também, da biblioteca particular do presidente e de parte do mobiliário de sua residência do Rio. Esse acervo, porém, não está em exposição. Retirado durante as obras de reforma do prédio, ainda não voltou a ser exibido.

O prédio virou Museu Café Filho apenas em março de 1979. Entretanto, foi adquirido pelo governo do estado em 1960, foi tombado e restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. De 1965 a 1978, o prédio abrigou o Museu de Arte e História do Rio Grande do Norte.

Antigamente, a casa era organizada da seguinte forma: o prédio abriga dois andares, sendo o térreo a sala de estar, biblioteca e uma sala, além da área externa, com condecorações. No andar superior havia exposições temporárias, a sala de administração e o quarto que mostra a cama que o político tinha. Sem contar que tinha o laboratório de conservação para manter a memória intacta.

Fala da sua arquitetura, o estilo arquitetônico é sobrado. De acordo com o site do Governo do Rio Grande do Norte. O sobrado que abriga o Museu Café Filho foi construído no século XIX, entre 1816 e 1820, por José Alexandre de Melo. Ou seja, diferente de outros prédios históricos, a casa já foi usada como moradia.

Além da planta do prédio, o Iphan tem fotos disponíveis do Museu Café Filho com a sua estrutura antiga, que pode ser conferida, portanto, a seguir:

Em 2018, o Brechando visitou o Museu Café Filho

Vamos reproduzir a matéria que fiz em 2018 durante uma visita ao Museu Café FIlho que tinha acabado de sair de uma das reformas. Por isso, os verbos estão de acordo com o tempo verbal da época. Confira, portanto, a seguir:

Quando vamos viajar para algum lugar, sempre queremos:

  • Ir aos museus;
  • Visitar os principais pontos turísticos;
  • Restaurantes;
  • Atividades de lazer;
  • ou Relaxar apenas.


Mas, que tal fazer na própria cidade? Então, o Brechando resolveu visitar dois principais pontos turísticos da cidade e optou por visitar dois museus da cidade, que estão localizados um do lado do outro e no Centro Histórico. Uma forma de passear pela Natal das antigas em pleno 2018.

A nossa primeira parada foi no Museu Café Filho, casarão histórico que estava fechado há anos e voltou as atividades recentemente. O local funciona das 08 às 17 horas, de segunda a sexta-feira.

O local foi reaberto em setembro do ano passado e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é parte de uma série de obras visando resgatar instituições e patrimônios que fortalecem a cultura do estado.

A visita

A casa foi construída entre 1816 e 1820 por José Alexandre de Melo e foi a primeira construção assobradada de propriedade particular em Natal. Por isso, ele recebeu o apelido de sobradinho, mas também de Véu de Noiva, pela forma em declive acentuado de seu telhado.

O local recebe o nome de Café Filho por ser a casa de propriedade do político. Embora nunca tenha morado lá, a residência foi o local onde ele montou o Sindicato dos Trabalhadores e da Banda de Música.

“Muita gente se refere o local como a residência oficial de Café Filho, embora o mesmo tenha morado mesmo na Ribeira e morreu no Rio de Janeiro”, disse o artista Francisco Francinildo, colecionador de artes e que atualmente está expondo a sua coleção dentro do museu.

Nascido em Alexandria, onde viveu no sítio Quixababa, até seus 14 anos, o mesmo sempre teve acesso às manifestações cultuais. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ele se formou em psicologia e foi um dos fundadores da galeria Convvi’Art, que fica no Centro de Convivência.

Francisco Francinildo mostrando a sua coleção em exposição montada no Museu Café Filho

Francisco Francinildo mostrando a sua coleção em exposição montada no Museu Café Filho

Sobre Nildo

Ainda contribuiu com a Galeria de Arte do Centro de Turismo e também o museu Casa dos Milagres, também no mesmo local. Francinildo ainda tinha uma loja de artes dentro do centro, que fechou as portas em 2012. “Eu achava que iria vender toda a minha coleção, mas quem gosta de arte não para de conhecer os novos artistas e coletar outros objetos”, alegou o simpático colecionador, que fez questão de mostrar toda a sua coleção e onde conheceu cada artista.

Francinildo há anos visita os artíficies, artesões e artistas do Rio Grande do Norte e também de outros estados brasileiros, sabe a diferença de cada um. Uma aula de arte e a gente via o seu amor pelas coisas do interior, como a fábrica de queijo de coalho, os santos e o equipamento para fazer pamonha. “Isto me faz lembrar os tempos que vivi em um sítio. Sabia que fiquei lá até os 14 anos?”.

Tem trabalhos de Dorian Gray, Etelânio, Fábio Eduardo, Manxa, Jotó, Etewaldo, Chico Daniel, Zé de China e dentre outros artistas potiguares.

A exposição, intitulada de “Privado é Público”, veio ao Museu Café Filho por convite de Isaura Rosado, então diretora da Fundação José Augusto (FJA).

Um pouco mais sobre o museu

Adquirido pelo Governo do Estado em 1960, foi tombado e restaurado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, passando a abrigar o Museu de Arte e História do Rio Grande do Norte, de 1965 a 1978.

O Museu também se tornou plataforma para o lançamento de um movimento poético, em 1960, o Poema Processo, que juntou artistas potiguares e cariocas numa revolução que até hoje gera inovações na arte literária.

Apenas em 1979 se transformou em Museu Café Filho, onde por muito tempo armazenava diversos objetos pessoais do único presidente da República que veio do Rio Grande do Norte e conta a história do político por meio de fotos, objetos e documentos. A história do político também é retratada por meio de uma biblioteca particular vinda do Rio de Janeiro, que fez parte da residência do presidente.

Hoje esses objetos foram retirados para abrigar a exposição “Queremos mostrar os nossos talentos no Rio Grande do Norte, que não são falados frequentemente na mídia e são brilhantes”, do Francisco Francinildo, conhecido pelo nome Nildo.

São mais de mil obras entre quadros, esculturas em madeira e cerâmica, acrílica, porcelanas e utensílios domésticos rurais representativos de mais de 90% dos artistas potiguares.

Confira o álbum de fotos