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Pedro Rhuas conta os detalhes do álbum trilha sonora de best seller

O cantor, escritor e jornalista Pedro Rhuas está com novo trabalho na mesa. Recentemente, lançou o álbum
“Contador de História”, que conta com treze faixas. A jornalista Bethise Cabral fez uma entrevista com Rhuas com a finalidade de saber mais sobre o trabalho e todos os detalhes poderão ser lidos a seguir.

É a trilha sonora original do best-seller “Enquanto eu não te encontro”, livro de sua autoria. Já disponível nas plataformas digitais com distribuição da Tratore, o material amplia o universo do fenômeno literário publicado pela Editora Seguinte, que estreou direto na lista de mais vendidos da Revista Veja em julho de 2021.

Escuta o álbum na íntegra a seguir

Um pouco do novo álbum de Pedro Rhuas

Produzido de modo independente, o disco “Contador de História” já passa de 180 mil reproduções no Spotify e passeia pelo o que Rhuas define como o norte de sua carreira: a essência pop que permite brincar com diferentes gêneros, referências e seu sotaque nordestino. Em uma das faixas, “Naufrágio”, o cantor reverencia trechos de “Planeta de Cores”, do Forrozão Tropykália, e “Espumas ao Vento”, de Fagner, enquanto apresenta um instrumental eletrônico oitentista que flerta com a musicalidade de nomes internacionais como Dua Lipa. 

Como foi feito o álbum?

De acordo com o cantor, foram dois anos de processo criativo até o lançamento das treze faixas que integram o projeto. “O álbum sintetiza uma jornada que se intensificou durante a quarentena, momento em que a maior parte das músicas foram escritas. Tudo foi feito no meu quarto, em um estúdio caseiro improvisado, entre muitas risadas, lágrimas e ligações com o meu produtor, DogMan, que mora em Pernambuco. O resultado é um disco lúdico que é uma verdadeira ode ao meu amor pelos livros”, conta Pedro. 

Esta homenagem à literatura não fica apenas no campo das ideias. A própria construção objetiva do álbum simula a estrutura de um romance: a introdução chama-se “Prólogo” e a penúltima faixa é intitulada “Fim?”. 

“Nossa intenção é o de um encadeamento que simule mesmo um livro. A música que fecha o disco, ‘Nosso Final Feliz’, funciona como o epílogo e dialoga com o último capítulo de ‘Enquanto eu não te encontro'”, explica o artista. “É muito legal porque o álbum atua tanto como um complemento à narrativa do livro quanto como algo à parte, original. Quem leu a história vai lembrar de várias passagens, o que ajuda a fixar a trama e matar a saudade, claro!”.

A conexão música-literatura também se expressa no eu-lírico. A composição das músicas utiliza diferentes tipos de narradores, incluindo o narrador onisciente das faixas “Contador de História”, “Desastre” e “Diário Secreto”, e o narrador personagem em “Não sei quando vou te ver outra vez”. Detalhes que aprofundam a dinâmica proposta por Pedro Rhuas. 

Mais sobre o sucesso do livro

“Enquanto eu não te encontro” já se consagra como um case à parte no Brasil: viralizando no TikTok, chegou a esgotar a pré-venda com brindes em menos de cinco dias em abril. Dois meses após o lançamento, já havia vendido mais de 10 mil exemplares. Tamanho êxito comercial converteu a obra no sexto de livro de ficção nacional mais comercializado em todo país em setembro, de acordo com a Lista Nielsen-PublishNews. 

O romance de estreia de Pedro Rhuas não apenas se transformou em um dos maiores fenômenos de vendas do ano, como também em um marco para a literatura jovem do Nordeste e com representatividade LGBTQIAP+. A divulgação do disco “Contador de História” é mais um passo dado no pioneiro marketing multimídia de “Enquanto eu não te encontro”.

A reconciliação de Vannick Belchior por meio da canção

Vannick Belchior

A cantora Vannick Belchior é filha do compositor cearense, Belchior, que faleceu em 2017. Apesar do pouco contato com o progenitor, a jovem agora busca reencontrá-lo a partir de suas canções, demonstrando seu carinho. Filha caçula e a única que nasceu no Nordeste, quer perpetuar a memória e arte envolvidas na obra de seu pai. Com uma nova roupagem, Vannick canta e conta as histórias das canções, empregando uma nova interpretação e estética musical neste fim de semana no Belch Bar, em Natal. 

 

O evento será realizado no entorno do bar numa área fechada restrita a 250 pessoas, visto que respeitará o distanciamento e os protocolos sanitários de prevenção à Covid-19.

 

O Brechando entrevistou a cantora Vannick Belchior com exclusividade antes do show que acontecerá em Natal. 

 

Confira a entrevista dela completa, portanto, a seguir:

Vannick com o disco de Belchior (Foto: Divulgação)

Clique na pergunta e você vai conferir a resposta de Vannick Belchior

Vannick Belchior: Exerci a área durante o período da faculdade. Mas, como eu me formei no final do ano passado, resolvi que em 2021 começaria as movimentações artísticas. Então,  eu tô faltando muito nisso (trabalhar com Direito) agora.

Vannick Belchior: Isso, na verdade, foi uma coisa bem circunstancial, ao ter a oportunidade de conhecer um músico, companheiro de estrada do meu pai. Hoje, ele é o meu maestro. Então, ocasionalmente, me conheceu e disse que “iria matar a saudade” de tocar Belchior comigo. E as coisas foram acontecendo. Dessa forma não foi nada que eu tenha escolhido foi nada que eu tenha premeditado as coisas foram acontecendo. Eu tô com esse projeto “Das coisas que aprendi nos discos” em que dou uma nova estética  (as canções). 

 

VB: Natal está sendo meu primeiro show fora do meu estado, né? Eu sou de Fortaleza, sou a única filha nordestina, inclusive eu pretendo andar por todo o Brasil, sem dúvidas nenhuma. A recepção dos fãs está maravilhosa, estou sendo recebida de braços abertos por todos os fãs do meu pai.  

Natal está sendo meu primeiro show fora do meu estado, né? Eu sou de Fortaleza, sou a única filha nordestina, inclusive eu pretendo andar por todo o Brasil, sem dúvidas nenhuma. A recepção dos fãs está maravilhosa, estou sendo recebida de braços abertos por todos os fãs do meu pai.  

Com certeza as lições que o meu pai pode ter me ensinado foram as da simplicidade, de enxergar enquanto ser humano e ser social aos problemas sociais e não se calar diante disso. Então, ele tem alguns preceitos que aprendi com ele, com certeza são princípios meus que seguirei para o resto da vida, não sou apenas na vida artística. Mas na vida pessoal, é uma questão de foro íntimo.

Nossa! Muitas identificações! Acredito que muito na forma de pensar, mas as maiores identificações elas não são passíveis de divisão, pois elas são passíveis de sentir os sentidos. 

 

Sem dúvida nenhuma, quanto musicalmente eu acredito que seja o nosso fascínio e a nossa paixão pela música popular brasileira, que é marcante e que tem uma e traz uma observação sobre as mudanças sociais. Quer dizer, dos problemas sociais. De não se calar diante disso. 

Com certeza veria o Brasil como em estado de muito perigo, né? Assim como observou há muitos anos que a nossa sociedade anda em um ciclo sem fim, enquanto cidadãos andam com os mesmos comportamentos, pensamentos, crenças e a sociedade. Além disso, ela vai empurrando com a barriga, atrasando o que poderia ser melhorado. Acredito que se hoje ele estivesse aqui, ele só não iria reforçar o que ele já viu há muito tempo, como também iria reforçar (o seu pensamento).

Esses são os nossos problemas sociais e o desgoverno que, infelizmente, acabamos ficando à mercê dos administradores do nosso país.

Logo quando meu pai entrou para essa reclusão social, eu realmente era uma criança que tinha 10 anos e foi bem complicado de lidar, né? Tive que passar por muitos processos internos para eu começar essa vida artística. Querendo ou não sempre estará ligada ao que veio antes de mim, né? A quem fez antes de mim toda caminhada e brilhou por essas direções. 

 

Então foi bem difícil de lidar no começo, mas nada que eu não tenha ressignificado. Ao decorrer desses meus processos de amadurecimento de reflexões, né?

 

E sempre tendo buscando não julgar os seus motivos. Porque o meu olhar para ele não era olhar do artista, era o olhar de filha. Acredito que deveriam existir mais sentimentos nobres quando olhamos para um para uma pessoa.

 

Sempre busquei não julgar e também não busquei compreender os motivos dele. Tenho certeza que diretamente ou indiretamente teve os motivos dele para fazer isso, eu acredito que isso tivesse respeitado como um qualquer postura artística ou cidadã que qualquer sujeito vem.

Olha, esse meu primeiro projeto é uma reparação afetiva muito profunda. Foi justamente devido a um período muito grande de ausência de falta da figura paterna que comecei essa carreira artística. Como falei anteriormente,  já é uma continuidade artística de alguém que veio antes de mim a trilhar esse caminho, né? 

 

Tenho muito respeito aos meus laços com meu pai estão cada vez mais fortes. Até porque sinto a presença dele de uma forma muito mais intensa. Então, os nossos lados estão cada vez mais apertados e tenho certeza que de onde ele estiver, ele me acompanha muito de perto e orienta todos os meus caminhos.

Olha, eu não diria o que eles podem esperar, porque acredito que a sensação que o artista pode despertar no seu público é muito subjetiva, né? 

 

Dessa forma agora posso dizer que quando eu vou para o palco, estou com a minha com aquela musicalidade e entrega. Com muito respeito, a quem admiro meu trabalho e quem está conhecendo agora, é um trabalho de muita entrega; de muito carinho e muito amor.

 

Até porque envolve realmente muitas questões pessoais, mas garanto que vocês que o público vai lá no meu show verá toda uma entrega e a doação ao ato de canto.

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A Música Popular Brasileira tem muitas vertentes que me fascinam, alucina e entendo que esse é o meu caminho realmente na arte e na música. Não tenho muitas outras influências. Influencio-me em Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Marina Lima e cantores como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil.

 

Tem cada artista que toca a gente, faz reviver…Enfim…Diversas sensações que sejam possíveis de ser entradas como arte para cada artista. Tem um poder de envolvimento.

 

Existem muitas influências. Quando escuto uma música, ela reverbera em mim de uma forma mais doce e sutil. Outras vezes, de uma forma mais avassaladora. Então, são muitas influências que acabam tocando em mim. Me fortalecendo ainda determinadas sensações no meu encontro como artista.

Estou bem no comecinho dessa carreira enquanto artista e cantora, mas tenho certeza que virão muitos outros trabalhos. Ainda darei voz a muitos outros compositores que ainda não foram descobertos e tenho certeza que tem muita genialidade por aí escondida.

 

Acredito realmente que temos essa oportunidade para dar uma nova musicalidade a novas ideias novos inscritos, mas antes disso pretendo que o meu pai seja o meu companheiro  de composições,  porque ainda dá voz a muitas das canções dele que não foram exploradas então


 Esse aí é um projeto posterior a esse que eu tô começando. Mas, com certeza, estarei sempre dentro da Música Popular Brasileira (MPB).

Confira um texto de Vannick Belchior cantando música de seu pai

O desfile poético de Luma Virgínia

Realmente a Luma Virgínia é do mundo…E você ver claramente nesta entrevista. Foi difícil realizar uma entrevista que selecionasse perguntas certeiras sobre o seu primeiro livro “Desfile Selvagem”, eventualmente lançado na Feira do Livro e Quadrinhos do RN (Fliq). Primeiramente, você pode falar dos mais diversos assuntos, desde a língua espanhola até sobre dicas de praticar yoga ao ar livre. A gente tem muito papo e uma das pessoas que participou da minha aventura de entrar no Hotel BRA, na Via Costeira. 

Outros assuntos que poderíamos retratar seria o fato dela ter nascido em Currais Novos, sido criada em Angicos, morou no México e agora vive entre Parnamirim e Natal.  Já fez faculdade de Relações Internacionais, mas se encontrou em Letras, com ênfase na língua espanhola.

Entretanto, ela mergulhou de cabeça nos livros e nas poesias, uma vez que é tradutora e pesquisadora na pós-graduação (UFRN) em literatura latino-americana. Publicou poemas em revistas, na coletânea Sumidouro (Sebo Vermelho, 2018), e foi contemplada com os editais “Arte como respiro, do Itaú Cultural” (2020) e “Cria Parnamirim” (2021), e Incentivo a publicação de livros pela Fundação José Augusto (RN, 2021). 

Por isso, o “Desfile Selvagem” é considerado o seu primeiro livro, no qual foi praticamente um nascimento de uma outra Luma que pude acompanhar e pode ver nesta entrevista a seguir.

Luma Virgínia, eu sei que sua família é toda musical, mas quem foi o “culpado” para fugir da curva?

O fato da família ser artística me aproximou da palavra, cantada ou escrita. De um lado, acompanhava minha avó, que cantava no coral, e a minha mãe, nos palcos, ambas escrevendo as letras das músicas nas pastas. Do outro, minha avó Zélia e meu pai tinham uma pequena coleção de livros em casa, clássicos como os teatros de Shakespeare, entre outros, e um livro que ela escreveu – “Angicos, ontem e hoje”, registrando a história da cidade. 

Lembro também que ela me presenteou com um livro de poesia, “Chuva Ácida”, da potiguar Carmen Vasconcelos. Talvez a leitura e a sensibilidade da família, portanto, tenham contribuído de alguma forma, indiretamente.

Esse livro demorou 4 anos para ficar pronto, o que lhe dificultava lançar?

Minha escrita é mais diária e ainda mais não costumava compartilhar os poemas, a não ser com os amigos mais próximos, que geralmente os que também escreviam. Mas, durante todo o processo, acredito, que havia insegurança (dentro de mim). E de duas ordens: uma, pela própria recusa da poesia. Como diz o escritor e crítico literário Juan Villoro, os livros não querem ser escritos, “eles resistem, mostram garras, mordem”, deixam-nos, a nós poetas, despidos. Além disso, nunca está acabado. 

Outra, é o fato de ser mulher. O mercado editorial ainda é masculino, assim como a crítica, e percebo que confiar em nós, lançar um poema corporal, encontra diversas travas, tanto fantasmagóricas, quanto reais. Acredito que não sabia como chegar para publicar.

 

 

lumavirginia
Capa do livro que foi lançado pela editora "Sol Negro", a partir do edital da Lei Aldir Blanc.
"O fato da família ser artística me aproximou da palavra, cantada ou escrita. De um lado, acompanhava minha avó, que cantava no coral, e a minha mãe, nos palcos, ambas escrevendo as letras das músicas nas pastas".
Luma Virgínia

Hoje, você se considera uma poeta oficial?

O “Oficial” acredito que já é um oximoro à poesia, (risos), isso me repele. Mas, Sim, no sentido de que percebi, há um tempo, sendo uma condição minha de estar no mundo. Amo o verso do Leminski que diz “vai vir o dia / quando tudo que eu diga / seja poesia”. Penso que a sensibilidade, assim como outras condições do artista, realizar o chiste, soltar a animalidade, deveriam estar mais presentes do que as características que o mundo ordinário exige de nós.

O que mais gosta do seu livro?

Os olhares que o fizeram – um bicho – vivo. Isso foi o que mais curti e curto.

Sua família foi bastante importante na participação do livro, conte me mais.

Meu irmão, Pedro Victor, é artista e ilustrador, e nossa relação é muito íntima. Desde o início queria que ele fizesse a arte da capa. Rascunhamos muitos esboços com bichos selvagens – cabras de montanha, cavalos, condor etc. Até que cheguei a uma fotografia de uma amiga, Osani, tirada em Acari/RN.

Começamos a trabalhar naquele cenário. Além disso, a minha mãe e minha avó fizeram as bolsinhas e bandeirinhas (estandartes) costuradas, como queria desde início, para dar como mimo na pré-venda. Pedro e Diangeles (padrasto) me ajudaram a pintar e ainda mais a resolver coisas burocráticas. No final, o livro foi se montando em casa, num espaço ateliê.

Tem outros livros para lançar, Luma Virgínia? Dê um breve spoiler.

“Abismos”, trata-se de relatos de viagem que fiz entre 2019 e 2020 na travessia pelo Peru, entre desertos, montanhas, fronteiras, registrando tudo no presente. O livro também foi premiado em edital, mas ainda não fechei com nenhuma editora. Fora esse, o projeto de tradução que faço parte lançará, em breve, que se chama “A família do comendador”, da argentina Juana Manso.

Essa será possivelmente a primeira obra abolicionista, ambientada no Brasil, escrita por uma mulher (1854). A coordenação do grupo é, portanto,  de Regina Simon e sairá pela Pinard editora.

De escriba para diretor, Patrício Júnior lança curta sobre Mestre Nilo

Patrício Júnior Mestre Nilo

Patrício Júnior e umas das figuras importantes do selo Jovens Escribas. Agora, saindo um poucos das letras para dirigir audiovisual. Nesta quarta-feira (30), para fechar julho, acontece o lançamento de seu trabalho inédito, “Minha Nação – Um filme sobre Mestre Nilo”, dirigido e roteirizado pelos estreantes Patrício Júnior e Raquel Medeiros, com realização da Mangaba Coletiva.

De acordo com Patrício, que reside atualmente em Recife, tudo começou quando começou a estudar produção de roteiro para o cinema e ao juntar com Raquel Medeiros resolveram dar o primeiro passo nesta aventura: se aventurando no edital Aldir Blanc.

A lei Aldir Blanc é uma lei que repassou recursos para trabalhos culturais durante a pandemia, no qual é repassado pelos estados e municípios. Além disso, esse dinheiro repassou para os agentes culturais através de editais e municipais. No caso de Patrício, através do Governo de Pernambuco.

“A gente já sabia que ia documentar algum mestre de cultura do estado (Pernambuco), mediante a sua proposta artística e a Secretaria de Cultura selecionava quem a gente falaria de acordo com o perfil de cada proposta do produtor audiovisual”, comentou Patrício em entrevista ao Brechando.

Patrício e sua equipe optaram em participar, no entanto, da parte do edital do Prêmio de Salvaguarda e Registro Audiovisual de Saberes Tradicionais e da Cultura Popular é apenas um dos editais que o Governo de Pernambuco realizou para distribuição dos recursos da lei Aldir Blanc.

Neste edital, a Secretaria de Cultura selecionou Mestre Nilo, um dos mais jovens nesta área cultural. Mas, isto, de nenhuma maneira, acabou a empolgação dos entusiastas da produção do audiovisual. “Por mais que ele seja um dos mais novos, ele tem uma grande bagagem. Participou várias vezes na Rede Globo, forte participação nas redes sociais e mostrou o Maracatu para Europa”, afirmou.

Um pouco da história do Mestre Nilo

Mestre Nilo Oliveira é fundador, zelador e mestre do maracatu Nação Maracambuco, fundado em 1993 no bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda. Apesar de ser um dos mais jovens mestres de Pernambuco, Nilo tem bastante experiência com o carnaval e ainda mais ajudou mais de três mil jovens da marginalidade. 

Nasceu em Jaboatão dos Guararapes, no bairro de Porta Larga, Nilo conta que se mudou para Olinda devido a uma enchente. Morou numa casa de plástico, batalhou, e hoje se esforça para que outros jovens não passem pelas mesmas experiências. “Eu passei fome, eu sei como é”, conta ele durante o filme, que mostra ser uma pessoa brincalhona e risonha apesar das dificuldades. 

O nome Maracambuco não é a toa, uma vez que é um maracatu de  baque virado, com tradição nagô, consagrado como um importante projeto social no Estado. 

Primeiramente, o curta contará como Mestre Nilo lidou com o primeiro ano sem carnaval

O filme, com duração de 5 minutos, foi contemplado no Edital do Prêmio de Salvaguarda e Registro Audiovisual de Saberes Tradicionais e da Cultura Popular, através da Lei Aldir Blanc, e gravou no Carnaval 2021, conhecido como “o Carnaval que nunca aconteceu”.

“Nós tínhamos uma imensa curiosidade em saber como alguém que vive em função do Carnaval, que trabalha o ano todo pelo Carnaval, estava lidando com as pressões de ver a festa cancelada pela primeira vez em décadas”, afirmou Patrício. 

“Marcamos a entrevista principal propositadamente para a semana do Carnaval”, afirma Raquel Medeiros, que também é diretora da produção.

Os diretores, portanto, conseguiram captar o Mestre Nilo com sentimento misto de melancolia, medo e, por fim, de resistência.

Ainda vai ter continuação

Embora vai mostrar apenas a parte do ano que não teve carnaval, a intenção de Patrício Júnior é fazer uma biografia cinematográfica completa. Além disso, Mestre Nilo repassou os principais pontos da sua carreira.

“Mestre Nilo nos surpreendeu com sua capacidade de encarar sua trajetória como algo que tinha de ser”, conta Patrício, “Em dado momento da entrevista, quando nos contou sobre sua relação com Iemanjá e as religiões de matriz africana, ficou nítido que sua fé é o que lhe traz força para defender sua nação”, disse Patrício Júnior.

Mas a principal pergunta é: como alguém que vive em função do Carnaval lidou com o cancelamento da festa. “O vírus quebrou nossa presença”, desabafou o Mestre Nilo. E assim, de uma frase poética a outra, ele vai revelando durante o filme que nem a pandemia conseguiu brecar seu destino. A frase que abre o trailer do filme dá uma amostra: “Como é que vai explicar o amor?”, ele pergunta.

Onde assistir

Para assistir, o curta será liberado no canal do Youtube a partir das 19 horas nesta quarta (30). Primeiramente, você precisa clicar deste link. Com o objetivo de dar gostinho de saber como será o curta, confira o trailer, portanto, a seguir: