Mada 2019

Como foi o Mada 2019 e 47 fotos para você ver

O Música Alimento da Alma, conhecido pela sigla Mada, aconteceu neste fim de semana em Natal, no estádio Arena das Dunas. A sua 21ª edição foi bastante movimentada e não pelo fato de ter vindo muita gente, mas por ter sido um espaço para criticar a política. Quase todas as bandas protestaram contra Jair Bolsonaro e destacaram a importância do Nordeste como espaço de resistência ao novo governo.

O festival continuou sendo espaço para divulgar o novo, como a banda pernambucana Bule, que abriu o segundo dia. Falando em carreiras em ascensão, houveram shows icônicos das cantoras Luedji Luna, Flora Matos e Mc Tha, elogiadas pela mídia pelos seus trabalhos autorais, defendem a bandeira do feminismo e das ideias progressistas e ambas possuem estilos próprios, com grandes chances de entrarem nos novos nomes da MPB.

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Também teve destaques potiguares, como o show da Potyguara Bardo, que levou a cena drag natalense para o palco dançar. A banda Plutão Já Foi Planeta voltou as terras natalenses para apresentar a sua nova formação e foi o primeiro show depois do Rock In Rio. Lá eles apresentaram um cover da música “Anunciação”, de Alceu Valença.

Destaque também para Baco Exu do Blues e Teto Preto, que tocaram pela primeira vez em Natal e animaram bastante a plateia daqui.

Além disso, contou com velhas figurinhas, porém isso não quer dizer que foi ruim. Exemplo podemos citar o Baianasystem, que fez um show bastante explosivo, com uma setlist que misturava com o novo álbum “O Futuro Não Demora”, lançado neste ano, e de clássicos dos três albuns anteriores.  Ainda contou com um espaço para protestar o Governo Federal, levantou a bandeira a favor do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e Russo Passapusso, vocalista do grupo, sempre defendendo a importância de manter a resistência.

O Natiruts também tocou no festival e está no Brasil fazendo a turnê do “I Love”, que é o nome do novo álbum. O show trouxe uma nova roupagem algumas músicas já conhecidas, tocaram músicas do novo álbum e terminou com um cover de “Is This Love”, do Bob Marley.

O Mada foi encerrado ao som de Djonga, rapper mineiro conhecido pelas suas músicas políticas e está se tornando um dos destaques na cena.

O Brechando selecionou 47 fotos do Mada 2019.  Ainda fizemos entrevistas com as bandas, no qual postaremos em breve. Confira as fotos a seguir:

As imagens são de Carol e Lara Paiva.

Vazamento de óleo atinge os parrachos de Pirangi

De acordo com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), manchas de óleo em corais e sedimentos marinhos foram encontradas nos parrachos de Pirangi do Sul, litoral leste do Rio Grande do Norte, durante trabalho de campo realizado pelo grupo do Laboratório de Geologia e Geofísica Marítima e Monitoramento Ambiental, que esteve no local na última quarta-feira (16). Uma das suspeitas é que faz parte do vazamento de óleo que atinge todo o Nordeste. A avaliação aconteceu em no ambiente recifal e suas adjacências estendendo-se cinco quilômetros costa afora entre o estuário do Rio Pium e o mar, onde foram coletadas 30 amostras de sedimentos do fundo marinho para estudos posteriores, que servirão para diagnosticar os impactos causados nas condições ambientais que suportam a vida marinha.

Os parrachos de Pirangi são um dos pontos turísticos mais famosos da praia, no qual uma das formas mais conhecidas de conhecê-lo é um passeio de barco pela equipe do Marina Badauê.

A presença de óleo foi identificada em corais a três metros de profundidade. “Esse é um alerta importante, pois aparentemente o óleo não está mais, apenas na superfície. É necessário um estudo mais detalhado para verificar se o produto está em profundidades e dimensões maiores”, destaca a coordenadora do laboratório, Helenice Vital em entrevista à agência da universidade. Já foram recolhidas quase 200 toneladas de resíduos de óleo, segundo a Petrobras.

No entanto falta uma confirmação se o óleo é o mesmo que apareceu em outras praias do litoral do RN, pois sua procedência ainda deve ser verificada por análises químicas, como a refletância de vitrinita. No entanto, segundo os pesquisadores,  a presença do material é recente, visto que não foi identificado em amostras coletadas há menos de um ano pela mesma equipe. Ou seja, há fortes indícios. Vale lembrar que o Rio Grande do Norte é o ponto onde se concentra os maiores pontos onde esse vazamento foi encontrado.

O trabalho de campo da última quarta-feira foi conduzido pela pesquisadora visitante do Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica  e Geofísica (PPGG/UFRN) Patrícia Eichler, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

Juntamente com alunos de mestrado e doutorado do (PPGG/UFRN), a docente observou in loco que também apareceram manchas escuras nos sedimentos – material de areia, lama e fragmentos de organismos vivos localizados na superfície do fundo do mar. A presença do óleo foi observada tanto na camada superficial como interna, situação que pode impedir trocas gasosas e provocar alterações no pH essencial para a vida dos seus habitantes da superfície, chamada de epifauna, e do interior do sedimento, a infauna. Entre eles estão os foraminíferos, microrganismos utilizados para prospecção de petróleo e como parâmetro de avaliação dos impactos ambientais, cuja mortalidade provoca um desequilíbrio geral na vida marinha.

“O fim da infauna acarreta a perda completa daquele ecossistema como um todo. Lá estão os consumidores primários da cadeia alimentar e sem eles não temos os consumidores secundários, e por aí vai. Quando há um problema na base, teremos em toda a cadeia ecológica, que vai chegar ao homem”, ressalta Patrícia Eichler. Os foraminíferos também estão presentes nos corais, onde o óleo absorvido compromete as trocas gasosas e a alimentação e, consequentemente, provoca a morte desse organismo, que abriga uma diversidade de espécies marinhas.

A qualidade ambiental poderá ser avaliada a partir das assembleias  de foraminíferos encontrados nas amostras coletadas, em que também estão fragmentos de corais. Coordenador do projeto Ciências do Mar II, responsável pelo trabalho de campo, o professor Moab Praxedes explica que, por meio do estudo, será possível entender a real sensibilidade do ambiente e o impacto do óleo já identificado nas 30 amostras levadas para a UFRN. Para o docente, isso significa que o produto pode estar presente em uma área muito maior. “Há urgência para identificar a magnitude do impacto e, dessa forma, ser elaborado um planejamento de medidas mitigadoras tanto para remoção quanto para o monitoramento e recuperação do ambiente”, orienta.

Vídeo foi feito mostrando os corais e estruturas manchadas do vazamento de óleo

A Agência de Comunicação da UFRN, a Agecom, divulgou um vídeo da professora Patrícia Eichler falando um pouco desses vazamentos na praia de Pirangi. Em entrevista, a docente falou do risco de toda a flora e fauna daquela região está em perigo com esse óleo, uma vez que já está atingido as camadas mais profundas dos corais.

Ministério Público Federal entra com uma ação contra o Governo Federal

Procuradores federais de nove estados do Nordeste entraram com uma ação civil pública contra o governo federal para obrigá-lo a acionar o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional em toda a costa da região atingida por vazamentos de óleo de origem desconhecida.

O plano foi criado em 2013, por meio de decreto do governo federal, com o objetivo de preparar o país para casos justamente como o que afeta a costa do Nordeste desde o mês de setembro, segundo nota do Ministério Público Federal. O documento, bastante detalhado segundo o MPF, descreve responsabilidades, diretrizes e procedimentos para o governo responder a vazamentos de petróleo com foco em “minimizar danos ambientais e evitar prejuízos para a saúde pública”.

O comitê executivo do plano é formado por vários órgãos federais, como os ministérios do Meio Ambiente, Minas e Energia, Transportes, a Secretaria de Portos da Presidência da República, a Marinha do Brasil, o Ibama, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Secretaria Nacional de Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional.

O MPF entende que a União está sendo omissa ao “protelar medidas protetivas e não atuar de forma articulada em toda a região dada a magnitude do acidente e dos danos já causados ao meio ambiente”.  Na ação, o MPF afirma que, “não obstante a extrema gravidade do desastre ambiental, com todos os dados e impactos demonstrados, e ainda a decretação de emergência pelos estados de Sergipe e da Bahia, fato é que a União se mantém omissa, inerte, ineficiente e ineficaz. Não há, pois, razão plausível mínima para não se implementar, de imediato, o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional. É, pela legislação e pelos fatos reais, medida que se impõe”.

Os procuradores pedem ainda à Justiça que fixe multa de 1 milhão de reais por dia ao governo federal em caso de descumprimento de decisão. Ainda não há decisão judicial. O governo não se pronunciou.