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Uma mãe natalense resolveu fantasiar o filho de escravo para o halloween

Natal foi alvo de polêmica na noite desta segunda-feira (29), uma mãe resolveu montar uma fantasia para o filho ir na festa de Halloween, dia das bruxas, do colégio Cei, um dos mais caros da capital potiguar. A participação de uma mãe da vida do filho é muito importante, porém a caracterização escolhida foi de escravo. O garoto foi pintado de marrom simulando uma pele negra, usou vestes de escravo, colocaram cicatrizes como simbolizasse marcas de chicotadas, correntes e dentre outras coisas. No Instagram, a mãe, que utiliza o sobrenome de uma tradicional família dona de postos da cidade, alegou que era uma forma de “abrasileirar o negócio” se referindo à festa ter origem em países anglo-saxão, como os Estados Unidos. A postagem completa pode ser vista a seguir: Enquanto a elite natalense elogiava a “criatividade” da mãe para o Halloween, a internet ficou polvorosa de utilizar a escravidão como símbolo brasileiro. O cantor Marcelo D2, em seu Twitter, chegou a criticá-la: Quando vc pensa q já viu de tudo na vida https://t.co/ba88sXZkGX — Marcelo D2 (@Marcelodedois) 29 de outubro de 2018 Em seu perfil, ela se diz anti-comunista e valoriza o tradicional, porém existe outras formas de valorizar a cultura negra no Brasil e vamos explicar o porquê a seguir. A escravidão começou no Brasil no século XVI. Os colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição dos religiosos dificultou esta prática. Os colonos partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem nos engenhos de açúcar e minas de ouro. Tanto…

Natal foi alvo de polêmica na noite desta segunda-feira (29), uma mãe resolveu montar uma fantasia para o filho ir na festa de Halloween, dia das bruxas, do colégio Cei, um dos mais caros da capital potiguar. A participação de uma mãe da vida do filho é muito importante, porém a caracterização escolhida foi de escravo. O garoto foi pintado de marrom simulando uma pele negra, usou vestes de escravo, colocaram cicatrizes como simbolizasse marcas de chicotadas, correntes e dentre outras coisas. No Instagram, a mãe, que utiliza o sobrenome de uma tradicional família dona de postos da cidade, alegou que era uma forma de “abrasileirar o negócio” se referindo à festa ter origem em países anglo-saxão, como os Estados Unidos.

A postagem completa pode ser vista a seguir:

Oi

Enquanto a elite natalense elogiava a “criatividade” da mãe para o Halloween, a internet ficou polvorosa de utilizar a escravidão como símbolo brasileiro. O cantor Marcelo D2, em seu Twitter, chegou a criticá-la:

Em seu perfil, ela se diz anti-comunista e valoriza o tradicional, porém existe outras formas de valorizar a cultura negra no Brasil e vamos explicar o porquê a seguir.

A escravidão começou no Brasil no século XVI. Os colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição dos religiosos dificultou esta prática. Os colonos partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem nos engenhos de açúcar e minas de ouro. Tanto nos engenhos quanto nas minas, os escravos executavam as tarefas mais duras, difíceis e perigosas. A maioria dos escravos recebia péssimo tratamento. Comiam alimentos de péssima qualidade, dormiam na senzala (espécie de galpão úmido e escuro) e recebiam castigos físicos.

Esses castigos físicos eram feitos amarrados a partir de tronco.. Como os escravos vinham ao país? Através de navios negreiros que apresentavam péssimas condições. Muitos morriam durante a viagem. s comerciantes de escravos vendiam os negros como se fossem mercadorias.

Os escravos não podiam praticar sua religião de origem africana, nem seguir sua cultura. Porém, muitos praticavam a religião de forma escondida, assim surgindo o candoblé e a umbanda.

As mulheres também foram escravizadas e executavam, principalmente, atividades domésticas. Os filhos de escravos também tinham que trabalhar por volta dos 8 anos de idade. Muitos escravos lutaram contra esta situação injusta e desumana. Ocorreram revoltas em muitas fazendas. Muitos escravos também fugiram e formaram quilombos, onde podiam viver de acordo com sua cultura.

A escravidão só acabou no Brasil no ano de 1888, após a decretação da Lei Áurea. Porém, as suas conseguências ainda existem.

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Uma mãe natalense resolveu fantasiar o filho de escravo para o halloween

Natal foi alvo de polêmica na noite desta segunda-feira (29), uma mãe resolveu montar uma fantasia para o filho ir na festa de Halloween, dia das bruxas, do colégio Cei, um dos mais caros da capital potiguar. A participação de uma mãe da vida do filho é muito importante, porém a caracterização escolhida foi de escravo. O garoto foi pintado de marrom simulando uma pele negra, usou vestes de escravo, colocaram cicatrizes como simbolizasse marcas de chicotadas, correntes e dentre outras coisas. No Instagram, a mãe, que utiliza o sobrenome de uma tradicional família dona de postos da cidade, alegou que era uma forma de “abrasileirar o negócio” se referindo à festa ter origem em países anglo-saxão, como os Estados Unidos. A postagem completa pode ser vista a seguir: Enquanto a elite natalense elogiava a “criatividade” da mãe para o Halloween, a internet ficou polvorosa de utilizar a escravidão como símbolo brasileiro. O cantor Marcelo D2, em seu Twitter, chegou a criticá-la: Quando vc pensa q já viu de tudo na vida https://t.co/ba88sXZkGX — Marcelo D2 (@Marcelodedois) 29 de outubro de 2018 Em seu perfil, ela se diz anti-comunista e valoriza o tradicional, porém existe outras formas de valorizar a cultura negra no Brasil e vamos explicar o porquê a seguir. A escravidão começou no Brasil no século XVI. Os colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição dos religiosos dificultou esta prática. Os colonos partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem nos engenhos de açúcar e minas de ouro. Tanto…

Natal foi alvo de polêmica na noite desta segunda-feira (29), uma mãe resolveu montar uma fantasia para o filho ir na festa de Halloween, dia das bruxas, do colégio Cei, um dos mais caros da capital potiguar. A participação de uma mãe da vida do filho é muito importante, porém a caracterização escolhida foi de escravo. O garoto foi pintado de marrom simulando uma pele negra, usou vestes de escravo, colocaram cicatrizes como simbolizasse marcas de chicotadas, correntes e dentre outras coisas. No Instagram, a mãe, que utiliza o sobrenome de uma tradicional família dona de postos da cidade, alegou que era uma forma de “abrasileirar o negócio” se referindo à festa ter origem em países anglo-saxão, como os Estados Unidos.

A postagem completa pode ser vista a seguir:

Oi

Enquanto a elite natalense elogiava a “criatividade” da mãe para o Halloween, a internet ficou polvorosa de utilizar a escravidão como símbolo brasileiro. O cantor Marcelo D2, em seu Twitter, chegou a criticá-la:

Em seu perfil, ela se diz anti-comunista e valoriza o tradicional, porém existe outras formas de valorizar a cultura negra no Brasil e vamos explicar o porquê a seguir.

A escravidão começou no Brasil no século XVI. Os colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição dos religiosos dificultou esta prática. Os colonos partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem nos engenhos de açúcar e minas de ouro. Tanto nos engenhos quanto nas minas, os escravos executavam as tarefas mais duras, difíceis e perigosas. A maioria dos escravos recebia péssimo tratamento. Comiam alimentos de péssima qualidade, dormiam na senzala (espécie de galpão úmido e escuro) e recebiam castigos físicos.

Esses castigos físicos eram feitos amarrados a partir de tronco.. Como os escravos vinham ao país? Através de navios negreiros que apresentavam péssimas condições. Muitos morriam durante a viagem. s comerciantes de escravos vendiam os negros como se fossem mercadorias.

Os escravos não podiam praticar sua religião de origem africana, nem seguir sua cultura. Porém, muitos praticavam a religião de forma escondida, assim surgindo o candoblé e a umbanda.

As mulheres também foram escravizadas e executavam, principalmente, atividades domésticas. Os filhos de escravos também tinham que trabalhar por volta dos 8 anos de idade. Muitos escravos lutaram contra esta situação injusta e desumana. Ocorreram revoltas em muitas fazendas. Muitos escravos também fugiram e formaram quilombos, onde podiam viver de acordo com sua cultura.

A escravidão só acabou no Brasil no ano de 1888, após a decretação da Lei Áurea. Porém, as suas conseguências ainda existem.

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Desenho do ilustrador Um Samurai

Lara Paiva é jornalista e publicitária formada pela UFRN, com especialização em documentário (UFRN) e gestão de mídias sociais e marketing digital (Estácio/Fatern). Criou o Brechando com o objetivo de matar as suas curiosidade e de outras pessoas acerca do cotidiano em que vive. Atualmente, faz mestrado em Estudos da Mídia, pela UFRN e teve experiência em jornalismo online, assessoria de imprensa e agência de publicidade, no setor de gerenciamento de mídias sociais.

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