Existe alguma patente no Rio Grande do Norte?

No Rio Grande do Norte existe participações científicas e inclusive inovações no campo, no qual os cientistas locais chegam a realizar pedidos de patente. Em 2011, eram 26 pedidos de patente. Em 2018, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) atinge a marca de 200, um crescimento de quase 800%.

O número foi alcançado neste mês de agosto com o depósito do pedido Dispositivo Medidor Digital, Equipamento Terapêutico e Monitoramento Remoto de Parâmetros Articulares, cujos autores são Guilherme Augusto de Freitas Fregonezi, Esther Fernandes Tinoco Volpe, Vanessa Regiane Resqueti Fregonezi, George Carlos do Nascimento, Enrico Mazzuca e Andrea Aliverti.

A patente é fruto de pesquisa realizada no Laboratório PneumoCardioVascular, criado em 2013, e localizado no Hospital Universitário Onofre Lopes. Sob a coordenação dos professores Guilherme Fregonezi e Vanessa Resqueti, a unidade atua na avaliação, intervenção e inovação tecnológica em reabilitação, fisioterapia respiratória e cardiovascular e avaliação de tecnologias da saúde.

O que este aparelho faz? Ele investiga os efeitos agudos, a curto e médio prazo, de técnicas de reabilitação e fisioterapia respiratória e cardiovascular na mecânica da respiração.

De acordo com a UFRN, uma das potencialidades do dispositivo é a avaliação do movimento e da articulação do pé, além de medir a velocidade angular e a aceleração.

A invenção refere-se a um instrumento portátil, na área de bioengenharia que realiza a medição automatizada de parâmetros articulares humanos, apresentando informações úteis ao diagnóstico de articulações, tais como joelhos, tornozelos e cotovelos, em diferentes condições clínicas.

Um dos grandes diferenciais do aparelho é a característica de acesso de informações de forma remota, ou seja, ele pode armazenar e enviar os dados da medição para uma base de dados distante localmente de onde o aparato está sendo usado. D

esse modo, caso um profissional de fisioterapia esteja utilizando o dispositivo em pacientes que não sejam de sua especialidade, outro técnico poderá ajustar o equipamento a partir de dados aferidos, resolvendo, dessa forma, problemas de distância em um país de grandes extensões territoriais como o Brasil”, acrescentou Guilherme Fregonezi.

É uma ferramenta do equipamento, é possível configurá-lo para que o paciente faça exercícios determinados clinicamente, estabelecendo hora, quantidade e nível de extensão do movimento. Assim, a invenção pode ser usada por diversos públicos, incluindo idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Com a aquisição de equipamentos como Pletismografia Optoeletrônica, Pneumotacógrafos, Mouther Shutter, PhysioFlow, NIRS, Eletromiógrafo Wireless de Superfície, Bicicletas Eletromagnéticas, Pletismógrafo para medir volumes absolutos, o investimento viabilizado por meio de recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) gira em torno de R$ 1 milhão. A patente é vinculada também à Pós-Graduação em Biotecnologia, programa que integra a Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO), que agrega mais de 200 pesquisadores na região.

Veja o infográfico da UFRN:

Parceria com a Petrobrás garante oitava carta-patente em agosto

Fruto de um projeto em parceria com a Petrobrás, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), conquistou a sua oitava carta-patente no final do mês de agosto. Requerida em fevereiro de 2006, a iniciativa é parte de pesquisas executadas por professores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPgCEM), da UFRN. Recentemente, o Programa  atingiu a nota máxima na avaliação da Capes.

O resultado da parceria é uma pasta cimentante à base de aluminossilicatos e microssílica, geopolimerizada em solução alcalina de KOH (Hidróxido de Potássio) e Ca(OH)2 (Hidróxido de Cálcio), além do seu método de preparação. O produto é utilizado para cimentação de poços de petróleo, situados em formações geológicas adversas. A pasta possui um elevado nível de resistência mecânica e química que a diferencia de outros gêneros similares disponíveis no mercado.

Assinam a autoria da carta-patente os professores Antônio Eduardo Martinelli, Dulce Maria de Araújo Melo, Marcos Antônio de Freitas Melo, e os representantes da Petrobras João de Deus Souto Filho e Romero Gomes da Silva Araújo.

Alguém da UFRN fez um TCC falando sobre o Batman

Qual a relação de Batman com Contabilidade? Eu também não sei, mas Ary Ferreira Filho fez seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) utilizando o homem morcego como objeto de estudo de sua pesquisa. O tema era: “Bat-contabilidade: Aspectos Contábeis Presentes na Trilogia de Filmes do Batman de Christopher Nolan”. O objetivo principal da pesquisa foi evidenciar os aspectos contábeis na trilogia de filmes do super-herói Batman dirigida pelo anglo-americano Christopher Nolan, sendo eles Batman Begins (2005), Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008) e Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), além de destacar cenas que envolvam temas contábeis e financeiros, relacionar a trama aos conceitos de contabilidade e analisar a forma como a Ciência Contábil é retratada na trilogia.

A pesquisa é um trabalho interdisciplinar e tem como referência teórica principal a Teoria da Representatividade Social, além de abordar a importância do Cinema e estudos anteriores, a relação entre os filmes de Super-Heróis e seu alcance popular e a análise do Batman e sua relevância científica. Uma das grandes inspirações para a pesquisa, por exemplo, foi a dissertação do mestrado de Dickson Tavares, estudante de Comunicação na UFRN que pesquisou as Mediações, Midiatizações, Tansmidiatizações, no filme O Cavaleiro das Trevas.

O estudo apontou que os filmes tratam de pelo menos 18 aspectos da contabilidade, sendo os três principais: Pesquisa e Desenvolvimento de Ativos, Contabilidade Societária e Controladoria. Além disso, os resultados mostram que 10,73% do tempo de exposição da trilogia tratam de algum dos aspectos.

O personagem do Batman – identidade secreta de Bruce Wayne – destaca-se em aspectos contábeis por apresentar nos filmes os negócios da corporação Wayne Enterprises, com uma fortuna estimada em US$ 9,2 bilhões, de acordo com pesquisa realizada pela revista Forbes em 2013, que aponta as 15 maiores fortunas da Ficção. Ary Filho justifica a pesquisa por retratar “a maneira que um relevante ramo dos principais meios de comunicação em massa pode expor o conteúdo da Ciência Contábil ao mundo”. Para Marke Geisy, professor do Departamento de Ciências Contábeis, “o trabalho contribui para a contabilidade ao evidenciar os aspectos da área no conteúdo dos filmes, que estão evidentes na mídia para a população”.

A ideia só deu certo por encontrar como orientador o professor Marke Geisy, também entusiasta de super-heróis, e viram nos quadrinhos um bom tema para a pesquisa. O estudante afirma que “a ideia, desde o começo, era fazer uma coisa atípica. Os trabalhos de conclusão de curso na área de negócios são, geralmente, repetitivos e limitados, basicamente releituras”.

Ary (de terno) junto com a banca de seu TCC (Foto: Havanna Coelho)

“Pensei em estudar outros heróis, como o Homem de Ferro, mas eram muito superficiais quanto à contabilidade”, afirma Ary. “Enquanto outros personagens deixam outras pessoas gerirem suas finanças, o Batman cuida de todos os processos de sua empresa”, conclui em entrevista para Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde ele se formou. O pesquisador decidiu analisar a trilogia do diretor Christopher Nolan por abordar a história do Batman de uma forma mais completa e recente, incluindo o surgimento, desenvolvimento e a aposentadoria da ação.

Sobre a escolha do tema, Ary diz que o professor-orientador teve uma certa iluminação quando estava lendo uma revista do Batman e, em determinado trecho, o Bruce Wayne falava para o Alfred: ‘não se preocupe com a contabilidade, essa não é sua parte’. Aí ele teve a ideia de fazer o trabalho”. O diálogo entre a identidade bilionária do homem-morcego e seu mordomo sobre as Empresas Wayne foi a faísca que deu inspiração para a pesquisa, quando o professor se deu conta da possibilidade de fazer um trabalho de contabilidade sobre o herói.

O trabalho foi bem recebido pela banca avaliadora: “atípica e criativa”. Para Ary parte mais difícil foi fazer um trabalho tão bom ao ponto de se sustentar pela própria qualidade. Para isso, ele se baseou em quatro pontos principais: a relevância do cinema para a produção do conhecimento científico; o poder de alcance popular da indústria cinematográfica; a relevância científica que o Batman tem como bem imaterial da sociedade; e qualificar como estes pontos se aplicam na contabilidade.

O trabalho foi bem recebido pela banca avaliadora, que apreciou com nota 9,7.