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Mononoaware, já diziam os budistas

Quantos de nós não já sentiram isto? Uma sensação, mais parecida uma leve brisa, de algo que podemos chamar de blue. Blue não de azul, de melancólico mesmo. Já sentiu? Eu já! Tenho em meu peito uma vontade louca de agarrar o tempo! Faço meditação, mas não sou monge. Sou humano, carne e osso e que não sabe lidar com o fator tempo. Estamos numa ciranda. Cada um de nós recita um poema ou diz uma palavra que vier em mente. Horas depois, isto viraria uma lembrança, como diz Pema Chödrön, “todo momento é uma lembrança fugaz”. Mas há aquele sentimento, não há? Aquele de querer mais um pouco? Aquele de querer voltar atrás? Aquele de querer parar o tempo naquele devido momento? Eu sei como é. Nada nessa vida é eterno. Esta é uma Lei. Nada. Eu não entendo isto, porque os momentos acontecem e no final me sobra um rastro de folhas secas da correria sobre o mato. Isto foi uma metáfora. Mononoaware é uma palavrinha japonesa bonita que não existe no dicionário inglês. Ela significa uma melancolia com a constatação do fato de que as coisas não são permanentes. Olha só, até para isso criaram um nome! Fico triste quando encontro um amigo e depois tenho que dar tchau. Isso é algo peculiar meu, pois lembro que, quando criança, também já não gostava de despedidas. Quando menino, passava as férias no interior, em Assú. Lembro de quando eu ia embora e ficava olhando para trás pela janela com o coração na garganta, pensando…

Quantos de nós não já sentiram isto? Uma sensação, mais parecida uma leve brisa, de algo que podemos chamar de blue. Blue não de azul, de melancólico mesmo. Já sentiu? Eu já!

Tenho em meu peito uma vontade louca de agarrar o tempo! Faço meditação, mas não sou monge. Sou humano, carne e osso e que não sabe lidar com o fator tempo.

Estamos numa ciranda. Cada um de nós recita um poema ou diz uma palavra que vier em mente. Horas depois, isto viraria uma lembrança, como diz Pema Chödrön, “todo momento é uma lembrança fugaz”. Mas há aquele sentimento, não há? Aquele de querer mais um pouco? Aquele de querer voltar atrás? Aquele de querer parar o tempo naquele devido momento? Eu sei como é.

Nada nessa vida é eterno. Esta é uma Lei. Nada. Eu não entendo isto, porque os momentos acontecem e no final me sobra um rastro de folhas secas da correria sobre o mato. Isto foi uma metáfora.

Mononoaware é uma palavrinha japonesa bonita que não existe no dicionário inglês. Ela significa uma melancolia com a constatação do fato de que as coisas não são permanentes. Olha só, até para isso criaram um nome!

Fico triste quando encontro um amigo e depois tenho que dar tchau. Isso é algo peculiar meu, pois lembro que, quando criança, também já não gostava de despedidas. Quando menino, passava as férias no interior, em Assú. Lembro de quando eu ia embora e ficava olhando para trás pela janela com o coração na garganta, pensando “lá estava eu chegando, aqui está eu partindo”.

O “até a próxima” é algo incerto e minha cabeça não lida bem com incertezas. Muitas coisas podem acontecer. E se aquele foi o último momento?

Há uma lição a se extrair disto? Sim, há. Aquele velho clichê de viver o momento presente, de viver como se fosse a última vez.

Mas alguém ensina a lidar com esse sentimento que os japoneses melancolicamente batizaram?

Isto não é ensinado na escola. Muito menos em casa. Isto é ensinado com o decorrer dos momentos mesmo. Num momento, já extasiado destes socos que são as despedidas, nós aceitamos que a vida tem dessas também.

(Arcervo Online/Artista Desconhecido)

Aliás, eu não sei nem o que é a vida. Muito menos sei o que esperar dela. Mas que nada é para sempre, mas que sempre há um Sol para nascer e renascer, mas que há as estações, mas que há as horas e os minutos. Eu não aprendi isto, mas sigo a vida.

Nada melhor do que um bom momento. E eu acho que nós, que não sabemos lidar com despedidas, é porque não sabemos lidar com nós mesmos. Nesse caso, cabe outro texto. Um terapeuta ou um conselho de vó.

Mas nada é eterno. Foi o que Buda Gautama nos ensinou a fim de que evitemos o sofrimento. A raiz do sofrimento no apego. A raiz da melancolia no apego.

Assim é a vida para todos nós. Um ciclo constante de ciclos e mais ciclos. Não vamos ignorar esse sentimento que brota quando as coisas acabam. Isto é valioso. Mais vale a angústia, que o desdém. Só nos resta termos uma postura correta e saber que um novo dia há para começar.

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Mononoaware, já diziam os budistas

Quantos de nós não já sentiram isto? Uma sensação, mais parecida uma leve brisa, de algo que podemos chamar de blue. Blue não de azul, de melancólico mesmo. Já sentiu? Eu já! Tenho em meu peito uma vontade louca de agarrar o tempo! Faço meditação, mas não sou monge. Sou humano, carne e osso e que não sabe lidar com o fator tempo. Estamos numa ciranda. Cada um de nós recita um poema ou diz uma palavra que vier em mente. Horas depois, isto viraria uma lembrança, como diz Pema Chödrön, “todo momento é uma lembrança fugaz”. Mas há aquele sentimento, não há? Aquele de querer mais um pouco? Aquele de querer voltar atrás? Aquele de querer parar o tempo naquele devido momento? Eu sei como é. Nada nessa vida é eterno. Esta é uma Lei. Nada. Eu não entendo isto, porque os momentos acontecem e no final me sobra um rastro de folhas secas da correria sobre o mato. Isto foi uma metáfora. Mononoaware é uma palavrinha japonesa bonita que não existe no dicionário inglês. Ela significa uma melancolia com a constatação do fato de que as coisas não são permanentes. Olha só, até para isso criaram um nome! Fico triste quando encontro um amigo e depois tenho que dar tchau. Isso é algo peculiar meu, pois lembro que, quando criança, também já não gostava de despedidas. Quando menino, passava as férias no interior, em Assú. Lembro de quando eu ia embora e ficava olhando para trás pela janela com o coração na garganta, pensando…

Quantos de nós não já sentiram isto? Uma sensação, mais parecida uma leve brisa, de algo que podemos chamar de blue. Blue não de azul, de melancólico mesmo. Já sentiu? Eu já!

Tenho em meu peito uma vontade louca de agarrar o tempo! Faço meditação, mas não sou monge. Sou humano, carne e osso e que não sabe lidar com o fator tempo.

Estamos numa ciranda. Cada um de nós recita um poema ou diz uma palavra que vier em mente. Horas depois, isto viraria uma lembrança, como diz Pema Chödrön, “todo momento é uma lembrança fugaz”. Mas há aquele sentimento, não há? Aquele de querer mais um pouco? Aquele de querer voltar atrás? Aquele de querer parar o tempo naquele devido momento? Eu sei como é.

Nada nessa vida é eterno. Esta é uma Lei. Nada. Eu não entendo isto, porque os momentos acontecem e no final me sobra um rastro de folhas secas da correria sobre o mato. Isto foi uma metáfora.

Mononoaware é uma palavrinha japonesa bonita que não existe no dicionário inglês. Ela significa uma melancolia com a constatação do fato de que as coisas não são permanentes. Olha só, até para isso criaram um nome!

Fico triste quando encontro um amigo e depois tenho que dar tchau. Isso é algo peculiar meu, pois lembro que, quando criança, também já não gostava de despedidas. Quando menino, passava as férias no interior, em Assú. Lembro de quando eu ia embora e ficava olhando para trás pela janela com o coração na garganta, pensando “lá estava eu chegando, aqui está eu partindo”.

O “até a próxima” é algo incerto e minha cabeça não lida bem com incertezas. Muitas coisas podem acontecer. E se aquele foi o último momento?

Há uma lição a se extrair disto? Sim, há. Aquele velho clichê de viver o momento presente, de viver como se fosse a última vez.

Mas alguém ensina a lidar com esse sentimento que os japoneses melancolicamente batizaram?

Isto não é ensinado na escola. Muito menos em casa. Isto é ensinado com o decorrer dos momentos mesmo. Num momento, já extasiado destes socos que são as despedidas, nós aceitamos que a vida tem dessas também.

(Arcervo Online/Artista Desconhecido)

Aliás, eu não sei nem o que é a vida. Muito menos sei o que esperar dela. Mas que nada é para sempre, mas que sempre há um Sol para nascer e renascer, mas que há as estações, mas que há as horas e os minutos. Eu não aprendi isto, mas sigo a vida.

Nada melhor do que um bom momento. E eu acho que nós, que não sabemos lidar com despedidas, é porque não sabemos lidar com nós mesmos. Nesse caso, cabe outro texto. Um terapeuta ou um conselho de vó.

Mas nada é eterno. Foi o que Buda Gautama nos ensinou a fim de que evitemos o sofrimento. A raiz do sofrimento no apego. A raiz da melancolia no apego.

Assim é a vida para todos nós. Um ciclo constante de ciclos e mais ciclos. Não vamos ignorar esse sentimento que brota quando as coisas acabam. Isto é valioso. Mais vale a angústia, que o desdém. Só nos resta termos uma postura correta e saber que um novo dia há para começar.

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Desenho do ilustrador Um Samurai

Lara Paiva é jornalista e publicitária formada pela UFRN, com especialização em documentário (UFRN) e gestão de mídias sociais e marketing digital (Estácio/Fatern). Criou o Brechando com o objetivo de matar as suas curiosidade e de outras pessoas acerca do cotidiano em que vive. Atualmente, faz mestrado em Estudos da Mídia, pela UFRN e teve experiência em jornalismo online, assessoria de imprensa e agência de publicidade, no setor de gerenciamento de mídias sociais.

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