Em dezembro, em meio às compras corriqueiras numa farmácia, um encontro inesperado ativou a memória afetiva: o Chocolate Surpresa estava de volta às prateleiras. Relançado pela Nestlé, o chocolate que marcou a infância de muita gente retorna apostando no afeto, mas também em novas tecnologias. Será que vale a pena?
Então, eu resolvi comprar a belezinha que é um pouco cara, mas está competindo com Kit Kat e Snickers, que são os líderes de venda.
O impacto inicial, porém, não foi exatamente doce. A primeira decepção veio no tamanho: o novo Chocolate Surpresa tem cerca de um terço do formato original. Para quem lembrava do tablete robusto acompanhado de cartões colecionáveis, especialmente os clássicos de animais.


A redução é perceptível e quase simbólica de uma infância que já não cabe mais na embalagem.
No sabor, entretanto, há um alívio reconfortante. O gosto segue muito próximo do original, preservando aquilo que realmente importa quando falamos de nostalgia: a experiência sensorial. A grande mudança está nos brindes. Saem os cartões físicos de coleção e entram experiências de realidade aumentada, acessadas pelo celular, que dialogam com o universo digital das novas gerações.
Como assim? O Cartão vira um personagem e com o celular você pode brincar com realidade aumentada. Foi engraçado colocar uma onça no meio da minha sala. Bom para quem quer zoar.
O ponto alto dessa atualização é a integração com o Roblox, permitindo que os cartões funcionem como cenários dentro do jogo. O Chocolate Surpresa deixa de ser apenas um doce e passa a ser também portal: entre o passado analógico e o presente virtual.
No fim, experimentar o Chocolate Surpresa hoje é aceitar que a nostalgia também evolui — menor no tamanho, mas expandida em possibilidades.


