Era lua de sangue e mar revolto. Será que estava dando sinais? O dia era importante, momento de fé, sincretismo e momento de ter fé. Sem contar que vai mostrar um resgate do país que tentar esconder o seu orgulho negro o tempo todo.
A noite de segunda-feira (2) poderia celebrar o começo de uma nova semana. No entanto, a celebração vai muito mais além. Afinal seria a reunião de admiradores da umbanda, candomblé e outras religiões de origem matriz-africana para celebrar o dia de Iemanjá ou Nossa Senhora dos Navegantes. Todas as praias urbanas de Natal receberam cerimônias próprias. Mas, um dos cortejos mais importantes foi o cortejo da Praia dos Artistas até a Praia do Meio.
O Brechando acompanhou o cortejo de 02 de fevereiro, considerado o Dia de Iemanjá onde grupos fizeram uma procissão nas praias da zona Leste de Natal.
É na última praia mencionada que fica a famosa estátua de Iemanjá, no qual o espaço foi usado para entregar oferenda nos pés da estátua, no qual os fiéis solicitaram amor, equilíbrio e proteção. Vale lembrar que é a padroeira dos pescadores, navegantes e protetora das famílias.

Cortejo de 02 de fevereiro foi da Praia dos Artistas até a Praia do Meio (Fotos: Lara Paiva) 
Mar revolto e lua cheia neste dia (Fotos: Lara Paiva) 
Pessoal subindo nas pedras para entregar as oferendas (Foto: Lara Paiva) 
Estatua de Iemanjá (Foto: Lara Paiva) 
Estandarte levantado durante o cortejo (Foto Lara Paiva) 
Espaço também foi ideal para artesão mostra sua arte destinada à orixá (Foto: Lara Paiva) 
Centenas de praticantes de religião de origem africana pisaram na Praia do Meio (Foto: Lara Paiva) 
Capoeira durante o cortejo (Foto: Lara Paiva)
Hora do Cortejo de Iemanjá
Acompanhamos o cortejo, da Praia dos Artistas, no qual as pessoas saiam de branco e com rosas na mão para Iemanjá, ainda cantando as músicas em coro que eram ditadas no evento. A andança tinha concentração de 16 horas e as pessoas começaram a sair por volta das 17 horas. O cortejo tinha vários grupos, como a Nação Zamberacatu, que realiza o ato na praia há 14 anos, e um dos poucos grupos que mistura o Maracatu com o Zambê, sendo tradicional dança popular no sul do estado.
Ademais, as bandas de cada grupo, com seus estandartes na mão, desfilavam na Avenida Café Filho e ficavam tocando o tempo todo. Ainda teve uma roda de capoeira, no qual alguns membros arriscaram em fazer manobras. Era um ritmo alegre, rapidamente começara a cantar algumas músicas que conheci indiretamente naquele dia.
Neste momento, por conseguinte, alguns pais de santo chegavam a cumprimentar os seus fiéis e até mesmo quem estava pela primeira vez conhecendo um pouco como era a festa.
Após quase uma hora de caminhada, o cortejo chega na estátua de Iemanjá. Logo foi o momento para apreciar o monumento, entregar as oferendas e solicitar o melhor. O odor de lixo se deu ao lugar por água de cheiro, deixando a praia bastante perfumada e muito florida com as flores existentes.
Quem tinha mais coragem, por sua vez, resolvia subir no alto da estrutura rochosa do mar e jogava rosas de cor branca no outro lado do mar. Além disso, a cerimônia foi um momento único para conhecer as religiões de matriz-africana, onde grupos de terreiro realizaram cerimônias paralelamente. Lá, os grupos cantaram cantigas, danças e foi um momento de muita curiosidade.
O encontro, portanto, foi uma sensação de contemplação, resgate a história e pedir dias melhores para o futuro.

