Hoje, as pessoas chamam de Praia de Miami e é vista como uma das praias urbanas favoritas do natalense.
Nesta semana, vimos uma matéria do Diário de Natal que criticara o Beco da Lama juntamente com uma entrevista rara de Nazi. No entanto, achamos outra matéria em que criticara a Praia de Areia Preta. Hoje, as pessoas chamam de Praia de Miami e é vista como uma das praias urbanas favoritas do natalense.
Antes as ondas fortes, hoje vista como um santo graal dos sufistas, era um ponto de crítica do jornal, visto que atrapalhara o desenvolvimento acima da cidade. A imagem acima do título mostra como a reportagem tratava a praia da zona Leste da capital potiguar.
Conseguimos transcrever a reportagem na íntegra. Veja a matéria, portanto, a seguir:
Enquanto a cidade enfeita suas pompas para o II Congresso Brasileiro de Turismo, que reunirá em Natal representantes de todo o país para discutir as perspectivas de desenvolvimento do turismo na capital, a cidade ainda permanece com a mesma roupagem de sempre: lama, buracos e lixo continuam servindo como cartão de apresentação.
Mesmo com a chegada do verão, trazendo muito calor e aumentando a procura pelas praias, o visitante que se dirige à Praia de Areia Preta encontra um cenário de abandono. O avanço das ondas já atinge a Rua Sílvio Pelico, comprometendo a estrutura urbana da área. Apesar de todas as campanhas iniciadas pelo Diário, em anos passados, a balaustrada foi completamente destruída; a praça da igala tornou-se apenas um fantasma municipal, e os paralelepípedos da rua permanecem soltos.
Como se não bastassem esses problemas, moradores também reclamam da sujeira, provocada pela demora na coleta do lixo, e da lama que se acumula no meio-fio. Diante da situação, os próprios moradores realizam a limpeza do local, utilizando vassouras para retirar as poças de lama que se formam em frente às residências.
Esses problemas — somados a outros, como a inexistência de postos de salva-vidas — ainda não mereceram a atenção do prefeito Erinaldo da Silva, apesar das promessas feitas durante a campanha eleitoral de melhorar a qualidade de vida da população.
Para o secretário de Turismo, Paulo Macedo, as praias somente seriam limpas às vésperas do II Congresso Brasileiro de Turismo. Segundo ele, os apelos foram repetidos durante todo esse começo de mês.
Avanço do mar já era um problema na década de 60
A matéria evidencia que o avanço do mar sobre a orla de Natal não é um fenômeno recente. Como resultado, é um problema histórico, visto que já era perceptível na década de 1960. Ao relatar a destruição da balaustrada e o impacto das ondas sobre a Rua Sílvio Pelico, o texto revela que a erosão costeira já comprometia o espaço urbano e turístico naquele período.
Ao mesmo tempo, o registro jornalístico mostra a ausência de respostas estruturais do poder público, mesmo diante de alertas recorrentes. Assim, a reportagem funciona como um documento histórico que antecipa debates atuais sobre ocupação desordenada, mudanças ambientais e a fragilidade das políticas de proteção do litoral natalense.

