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Mark Davis: cantor “estrangeiro nacional” nos jornais do RN

O cantor e ator Fábio Jr. começou a sua carreira como Mark Davis e fez muito sucesso, visto que muitos pensavam ser o cantor americano.

O cantor e ator Fábio Jr. começou a sua carreira como Mark Davis e fez muito sucesso, visto que muitos pensavam ser o cantor americano. Na época, era normal muitas gravadoras obrigarem os diferentes artistas a gravarem na língua inglesa.

Ninguém sabia que era cantor brasileiro, somente descobriu a farsa depois da fama. Logo, a escolha de colocar o adjetivo “estrangeiro nacional” no título do texto.

Nos anos 70, vários artistas brasileiros atingiram sucesso cantando em inglês, muitos utilizando pseudônimos para se passarem por estrangeiros. Alguns exemplos incluem Steve MacLean (Hélio Costa Manso), Pete Dunaway (Otávio Augusto Fernandes Cardoso) e Paul Denver (Carlos Alberto de Souza). Além disso, havia outros nomes importantes são Chrystian (José Pereira da Silva), com “Don’t Say Goodbye”, Dave MacLean (José Carlos Gonzales) com “We Said Goodbye”, Michael Sullivan (Ivanilton de Souza), e o grupo Pholhas.

Disco do Mark Davis

Isto era um reflexo da Ditadura Militar, que lutava a favor da cultura brasileira e ficava de marcação com a chegada de bandas estrangeiras. No entanto, o apreço para os Estados Unidos, que financiou o Golpe de 1964, fez com que as gravadoras burlassem.

Foi nesta época que Fábio Jr. virou Mark Davis e recebeu elogios pela sua música. No Diário de Natal, a gravadora Seara disse que o hit “Aria for the lovers”, estava na coletânea “Musical dos Colégios: Super Parada Escolar”, no qual alunos de 800 alunos de escolas do Rio de Janeiro escolheram as músicas do disco.

Natal sabia disso? O sucesso destes artistas no eixo Rio-São Paulo refletia em Natal, mesmo com pouca intensidade. Ao pesquisar o nome “Mark Davis” nos Hemeroteca da Biblioteca Nacional nos jornais do RN, vimos duas menções diferentes acerca do artista “estrangeiro”.

Também no Diário de Natal, a coluna Geléia Geral falou do lançamento de seu compacto:

A imagem acima, por exemplo, mostrava que o Mark era uma aposta e mal falava a biografia do cantor.

Compacto mencionado no Diário de Natal

O artista também tinha feito sucesso com o hit “Don’t let me cry” e, inclusive, virou trilha sonora de novela. O cantor só foi mencionado pelo nome que todos conhecemos pelo mesmo jornal apenas em 1976, no qual falava de sua carreira de ator e havia sido contratado pela Globo para fazer uma novela.

Depois, este nome artístico passou para um rapaz da Inglaterra e, por fim, realizou filmes para adultos.

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O cantor e ator Fábio Jr. começou a sua carreira como Mark Davis e fez muito sucesso, visto que muitos pensavam ser o cantor americano.

O cantor e ator Fábio Jr. começou a sua carreira como Mark Davis e fez muito sucesso, visto que muitos pensavam ser o cantor americano. Na época, era normal muitas gravadoras obrigarem os diferentes artistas a gravarem na língua inglesa.

Ninguém sabia que era cantor brasileiro, somente descobriu a farsa depois da fama. Logo, a escolha de colocar o adjetivo “estrangeiro nacional” no título do texto.

Nos anos 70, vários artistas brasileiros atingiram sucesso cantando em inglês, muitos utilizando pseudônimos para se passarem por estrangeiros. Alguns exemplos incluem Steve MacLean (Hélio Costa Manso), Pete Dunaway (Otávio Augusto Fernandes Cardoso) e Paul Denver (Carlos Alberto de Souza). Além disso, havia outros nomes importantes são Chrystian (José Pereira da Silva), com “Don’t Say Goodbye”, Dave MacLean (José Carlos Gonzales) com “We Said Goodbye”, Michael Sullivan (Ivanilton de Souza), e o grupo Pholhas.

Disco do Mark Davis

Isto era um reflexo da Ditadura Militar, que lutava a favor da cultura brasileira e ficava de marcação com a chegada de bandas estrangeiras. No entanto, o apreço para os Estados Unidos, que financiou o Golpe de 1964, fez com que as gravadoras burlassem.

Foi nesta época que Fábio Jr. virou Mark Davis e recebeu elogios pela sua música. No Diário de Natal, a gravadora Seara disse que o hit “Aria for the lovers”, estava na coletânea “Musical dos Colégios: Super Parada Escolar”, no qual alunos de 800 alunos de escolas do Rio de Janeiro escolheram as músicas do disco.

Natal sabia disso? O sucesso destes artistas no eixo Rio-São Paulo refletia em Natal, mesmo com pouca intensidade. Ao pesquisar o nome “Mark Davis” nos Hemeroteca da Biblioteca Nacional nos jornais do RN, vimos duas menções diferentes acerca do artista “estrangeiro”.

Também no Diário de Natal, a coluna Geléia Geral falou do lançamento de seu compacto:

A imagem acima, por exemplo, mostrava que o Mark era uma aposta e mal falava a biografia do cantor.

Compacto mencionado no Diário de Natal

O artista também tinha feito sucesso com o hit “Don’t let me cry” e, inclusive, virou trilha sonora de novela. O cantor só foi mencionado pelo nome que todos conhecemos pelo mesmo jornal apenas em 1976, no qual falava de sua carreira de ator e havia sido contratado pela Globo para fazer uma novela.

Depois, este nome artístico passou para um rapaz da Inglaterra e, por fim, realizou filmes para adultos.

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Desenho do ilustrador Um Samurai

Lara Paiva é jornalista e publicitária formada pela UFRN, com especialização em documentário (UFRN) e gestão de mídias sociais e marketing digital (Estácio/Fatern). Criou o Brechando com o objetivo de matar as suas curiosidade e de outras pessoas acerca do cotidiano em que vive. Atualmente, faz mestrado em Estudos da Mídia, pela UFRN e teve experiência em jornalismo online, assessoria de imprensa e agência de publicidade, no setor de gerenciamento de mídias sociais.

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