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Memorial Câmara Cascudo: está na hora de revelar os podres do prédio

Hoje, véspera do Golpe Militar, vamos falar dessas torturas que estão escondidas debaixo dos panos no prédio histórico.

Hoje, véspera do Golpe Militar, vamos falar dessas torturas que estão escondidas debaixo dos panos no prédio histórico.

O Memorial Câmara Cascudo teve a sua inauguração em 10 de fevereiro de 1987. Nele se homenageia, na figura de Cascudo, a cultura popular, a pesquisa etnográfica e o povo norte-riograndense. Além disso, por ser o prédio militar, pouca gente sabe que houve tortura dentro dos quartéis do Rio Grande do Norte. Hoje, véspera do Golpe Militar, vamos falar dessas torturas que estão escondidas debaixo dos panos.

O prédio que abriga o Memorial surgiu nas últimas décadas do século XVIII, para acolher os serviços administrativos da Fazenda Real. Em 1875 o prédio foi reconstruído e, na República, a partir de 1922, funcionou nele a “Delegacia Fiscal”.

De 1955 a 1977 foi sede do Quartel General da 7ª. Região Militar em Natal, essa RM administra os estados da Paraíba, Alagoas, Pernambuco, além do RN. De acordo com o Brasil de Fato, no ano de 1964, as perseguições no RN se concentravam mais na capital.

O 16° Batalhão de Infantaria (16 RI), quando ainda era no Memorial, era o principal local de prisões políticas, apesar de que outros estabelecimentos também serviram, como o quartel geral da Polícia Militar, Ademais, a Base Naval de Natal e a Base Aérea de Parnamirim, onde se registram as principais violações de direitos humanos.

Já no final da década de 60 para início de 70 prisões foram registradas no interior, como na cidade de Caicó.

Inclusive, sendo um espaço para a tortura de presos políticos no estado. Também chamados de Campos de Concentração. Todo o material coletado foi no site DHNet, formados por militantes da Comissão da Verdade.

As torturas também aconteciam na Base Aérea de Natal, Quartel da Polícia Militar, antiga sede da Polícia Federal e também na Infantaria do Exército Brasileiro. A seguir depoimento de um dos torturados:  

Museu e omissão de seu passado horrível

Apesar do fim da Ditadura MIlitar, o Governo do Estado tentou transformar o prédio em museu. A argumentação era de seu valor artístico e histórico para o Rio Grande do Norte (foi Provedoria Real, Fazenda Real, Real Erário), com uma fachada em estilo neoclássico.

O prédio foi tombado em 24 de agosto de 1989 pelo Patrimônio Histórico do Estado. Em 2018 restauraram o orédio com financiamento do Banco Mundial. Ainda mais, a restauração custou R$ 300 mil.

Em fevereiro de 2020 a fachada recebeu um desenho de luz  patrocinado pela empresa Neonergia.

Elefante branco, invasões e alvo de protesto

Localizado no coração da Cidade Alta, o Memorial Câmara Cascudo foi alvo novamente de arrombamento e depredação.

Houve a invasão ao prédio histórico em dezembro do ano passado sofrendo danos em sua estrutura, e em especial na sala dedicada à Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, onde havia acervo guardado e tem arquivos da Família de Câmara Cascudo.

Não é a primeira vez que fazem protesto por conta da figura do Cascudo, uma vez que o lado integralista e apoiador da Ditadura Militar é sempre relembrado e folcloristas mais progressistas criticam bastante.

O atual estado de abandono da instituição pública já vem sendo discutido e denunciado há algum tempo.

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Memorial Câmara Cascudo: está na hora de revelar os podres do prédio

Hoje, véspera do Golpe Militar, vamos falar dessas torturas que estão escondidas debaixo dos panos no prédio histórico.

Hoje, véspera do Golpe Militar, vamos falar dessas torturas que estão escondidas debaixo dos panos no prédio histórico.

O Memorial Câmara Cascudo teve a sua inauguração em 10 de fevereiro de 1987. Nele se homenageia, na figura de Cascudo, a cultura popular, a pesquisa etnográfica e o povo norte-riograndense. Além disso, por ser o prédio militar, pouca gente sabe que houve tortura dentro dos quartéis do Rio Grande do Norte. Hoje, véspera do Golpe Militar, vamos falar dessas torturas que estão escondidas debaixo dos panos.

O prédio que abriga o Memorial surgiu nas últimas décadas do século XVIII, para acolher os serviços administrativos da Fazenda Real. Em 1875 o prédio foi reconstruído e, na República, a partir de 1922, funcionou nele a “Delegacia Fiscal”.

De 1955 a 1977 foi sede do Quartel General da 7ª. Região Militar em Natal, essa RM administra os estados da Paraíba, Alagoas, Pernambuco, além do RN. De acordo com o Brasil de Fato, no ano de 1964, as perseguições no RN se concentravam mais na capital.

O 16° Batalhão de Infantaria (16 RI), quando ainda era no Memorial, era o principal local de prisões políticas, apesar de que outros estabelecimentos também serviram, como o quartel geral da Polícia Militar, Ademais, a Base Naval de Natal e a Base Aérea de Parnamirim, onde se registram as principais violações de direitos humanos.

Já no final da década de 60 para início de 70 prisões foram registradas no interior, como na cidade de Caicó.

Inclusive, sendo um espaço para a tortura de presos políticos no estado. Também chamados de Campos de Concentração. Todo o material coletado foi no site DHNet, formados por militantes da Comissão da Verdade.

As torturas também aconteciam na Base Aérea de Natal, Quartel da Polícia Militar, antiga sede da Polícia Federal e também na Infantaria do Exército Brasileiro. A seguir depoimento de um dos torturados:  

Museu e omissão de seu passado horrível

Apesar do fim da Ditadura MIlitar, o Governo do Estado tentou transformar o prédio em museu. A argumentação era de seu valor artístico e histórico para o Rio Grande do Norte (foi Provedoria Real, Fazenda Real, Real Erário), com uma fachada em estilo neoclássico.

O prédio foi tombado em 24 de agosto de 1989 pelo Patrimônio Histórico do Estado. Em 2018 restauraram o orédio com financiamento do Banco Mundial. Ainda mais, a restauração custou R$ 300 mil.

Em fevereiro de 2020 a fachada recebeu um desenho de luz  patrocinado pela empresa Neonergia.

Elefante branco, invasões e alvo de protesto

Localizado no coração da Cidade Alta, o Memorial Câmara Cascudo foi alvo novamente de arrombamento e depredação.

Houve a invasão ao prédio histórico em dezembro do ano passado sofrendo danos em sua estrutura, e em especial na sala dedicada à Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, onde havia acervo guardado e tem arquivos da Família de Câmara Cascudo.

Não é a primeira vez que fazem protesto por conta da figura do Cascudo, uma vez que o lado integralista e apoiador da Ditadura Militar é sempre relembrado e folcloristas mais progressistas criticam bastante.

O atual estado de abandono da instituição pública já vem sendo discutido e denunciado há algum tempo.

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Desenho do ilustrador Um Samurai

Lara Paiva é jornalista e publicitária formada pela UFRN, com especialização em documentário (UFRN) e gestão de mídias sociais e marketing digital (Estácio/Fatern). Criou o Brechando com o objetivo de matar as suas curiosidade e de outras pessoas acerca do cotidiano em que vive. Atualmente, faz mestrado em Estudos da Mídia, pela UFRN e teve experiência em jornalismo online, assessoria de imprensa e agência de publicidade, no setor de gerenciamento de mídias sociais.

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