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Indignação seletiva da derrubada entre prédio do Diário do Natal e Casa de Romualdo Galvão chama atenção

A queda do Palacete de Romualdo Galvão, prédio que estava a venda, para se transformar em um estacionamento do Sesc e causou revolta. Isto aconteceu meses depois da queda do Diário de Natal, que fechou após a ocupação de sem-tetos.

A queda do Palacete de Romualdo Galvão, prédio que estava a venda, para se transformar em um estacionamento do Sesc e causou revolta. Isto aconteceu meses depois da queda do Diário de Natal, que fechou após a ocupação de sem-tetos.

O que antes era um dos mais emblemáticos prédios históricos de Natal, o antigo palacete do ex-prefeito Romualdo Galvão, foi derrubado nesta semana para dar lugar a um estacionamento privativo. A demolição, que ocorreu em meio a um misto de surpresa e indignação, reacendeu o debate sobre a preservação do patrimônio histórico e cultural da capital potiguar.

Isto gerou uma indignação entre jornalistas culturais da cidade, mas poucos se falaram da derrubada da antiga sede do Diário do Natal, que aconteceu após a ocupação de sem-tetos (leia mais abaixo para entender melhor). Além disso, muito menos houve uma campanha do Sindicato dos Jornalistas (Sindjorn) para a não derrubada.

Com construção no início do século XX, foi recentemente adquirido pelo Sesc, uma vez que a casa era de propriedade privada, sem tombamento e estava a venda. A área está em um ponto estratégico do centro da cidade, será um estacionamento privativo para os clientes do seu restaurante.

Falamos desta casa no Brechando.

Polêmicas e uma possível indignação popular

A decisão de demolir o prédio gerou forte reação popular. Moradores, ativistas culturais e historiadores protestaram nas redes sociais, criticando o descaso com o patrimônio histórico e acusando o poder público de negligência ao permitir que imóveis históricos cheguem a esse estado de abandono, tornando-os alvos fáceis para projetos de interesse privado.

Enquanto isso, Natal segue refletindo sobre o futuro de seu patrimônio histórico, buscando evitar que episódios semelhantes comprometam ainda mais a identidade da cidade.

Na rua paralela, a Avenida Deodoro da Fonseca, derrubara um outro prédio histórico

Após quase 15 anos do seu fim, o Diário de Natal teve outro fim trágico, uma vez que a sua primeira sede virou apenas um terreno baldio. Veículos e máquinas pesadas derrubaram o que restou do prédio que já funcionou a primeira rádio da capital potiguar, o jornal impresso e toda a história da imprensa local, além de exibições de filmes, programas de calouros e shows musicais.

Desde 2015, quando o Brechando surgiu, a gente mostrou o abandono do prédio, além de exibir os registros do Google Maps desde 2011 mostram o desgaste que o prédio vem sofrendo ao longo dos tempos. Além disso, começou a ficar assim após a reforma do jornal em 2009, quando houve demissões de alguns jornalistas e a publicação sofreu com algumas modificações, como a transformação do formato standart para tabloide.

O início do abandono

Em 2010, mudou a sua sede para o bairro de Igapó, logo após a ponte de mesmo nome, na zona Norte da capital potiguar. O jornal começou a ser impresso na sede do Diário de Pernambuco (também do Diários Associados), em Recife.

Os vizinhos do prédio tiveram que colocar blocos de tijolos nas principais entradas, pois o local estava sendo usado para abrigar usuários de drogas. O terreno totalmente deteriorado e tomado pelo mato.

O problema fez com que os moradores ficassem sentem inseguros. Além disso, outra questão é a incidência de mosquitos, uma vez que o terreno acumula muito lixo. Sem contar que registraram casos de dengue na rua por causa da água da chuva que se acumulara nos recipientes jogados lá dentro.

O abandono do prédio do Diário de Natal apareceu em diversas reportagens da mídia local, como o jornalista Saulo de Castro mostrou muito bem no Portal No Ar.

MLB ocupou o antigo Diário de Natal este ano

As famílias do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) que ocupavam o prédio antigo Diário de Natal começaram a deixar o local em julho de 2024. Para a mudança eles usaram um caminhão fornecido pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), órgão do Governo do Estado.

Segundo o MLB, as famílias voltaram ao galpão na Ribeira, onde estavam até janeiro. Além disso, no galpão da Ribeira, os manifestantes se juntarão a outras 20 famílias e permanecerão lá por aproximadamente três semanas. Depois disso, as 30 famílias mudaram para o prédio cedido pelo governo.

Após a saída do MLB, o antigo prédio que traz a história do jornalismo e radialismo de Natal virou cinzas.

História do Jornal

O Diário de Natal surgiu em 1932. Aos domingos, ele vendia como O Poti (mesmo nome da rádio do grupo), que foi suspensa em 2009 e retornado em 2011. Na década de 1970, o impresso chegou a ter uma tiragem diária de 30 mil exemplares. Na época, todavia, Natal tinha pouco mais de 200 mil habitantes.

O Diário de Natal também se constituiu como uma escola de jornalismo do Rio Grande do Norte, dos quais os grandes profissionais passaram pelo jornal. Ademais, era o mais antigo jornal impresso em circulação na capital potiguar. No dia 2 de outubro de 2012 o grupo Associados de Pernambuco decretou seu fim. A justificativa era que iria trabalhar apenas com o site, que não durou, portanto, seis meses.

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Indignação seletiva da derrubada entre prédio do Diário do Natal e Casa de Romualdo Galvão chama atenção

A queda do Palacete de Romualdo Galvão, prédio que estava a venda, para se transformar em um estacionamento do Sesc e causou revolta. Isto aconteceu meses depois da queda do Diário de Natal, que fechou após a ocupação de sem-tetos.

A queda do Palacete de Romualdo Galvão, prédio que estava a venda, para se transformar em um estacionamento do Sesc e causou revolta. Isto aconteceu meses depois da queda do Diário de Natal, que fechou após a ocupação de sem-tetos.

O que antes era um dos mais emblemáticos prédios históricos de Natal, o antigo palacete do ex-prefeito Romualdo Galvão, foi derrubado nesta semana para dar lugar a um estacionamento privativo. A demolição, que ocorreu em meio a um misto de surpresa e indignação, reacendeu o debate sobre a preservação do patrimônio histórico e cultural da capital potiguar.

Isto gerou uma indignação entre jornalistas culturais da cidade, mas poucos se falaram da derrubada da antiga sede do Diário do Natal, que aconteceu após a ocupação de sem-tetos (leia mais abaixo para entender melhor). Além disso, muito menos houve uma campanha do Sindicato dos Jornalistas (Sindjorn) para a não derrubada.

Com construção no início do século XX, foi recentemente adquirido pelo Sesc, uma vez que a casa era de propriedade privada, sem tombamento e estava a venda. A área está em um ponto estratégico do centro da cidade, será um estacionamento privativo para os clientes do seu restaurante.

Falamos desta casa no Brechando.

Polêmicas e uma possível indignação popular

A decisão de demolir o prédio gerou forte reação popular. Moradores, ativistas culturais e historiadores protestaram nas redes sociais, criticando o descaso com o patrimônio histórico e acusando o poder público de negligência ao permitir que imóveis históricos cheguem a esse estado de abandono, tornando-os alvos fáceis para projetos de interesse privado.

Enquanto isso, Natal segue refletindo sobre o futuro de seu patrimônio histórico, buscando evitar que episódios semelhantes comprometam ainda mais a identidade da cidade.

Na rua paralela, a Avenida Deodoro da Fonseca, derrubara um outro prédio histórico

Após quase 15 anos do seu fim, o Diário de Natal teve outro fim trágico, uma vez que a sua primeira sede virou apenas um terreno baldio. Veículos e máquinas pesadas derrubaram o que restou do prédio que já funcionou a primeira rádio da capital potiguar, o jornal impresso e toda a história da imprensa local, além de exibições de filmes, programas de calouros e shows musicais.

Desde 2015, quando o Brechando surgiu, a gente mostrou o abandono do prédio, além de exibir os registros do Google Maps desde 2011 mostram o desgaste que o prédio vem sofrendo ao longo dos tempos. Além disso, começou a ficar assim após a reforma do jornal em 2009, quando houve demissões de alguns jornalistas e a publicação sofreu com algumas modificações, como a transformação do formato standart para tabloide.

O início do abandono

Em 2010, mudou a sua sede para o bairro de Igapó, logo após a ponte de mesmo nome, na zona Norte da capital potiguar. O jornal começou a ser impresso na sede do Diário de Pernambuco (também do Diários Associados), em Recife.

Os vizinhos do prédio tiveram que colocar blocos de tijolos nas principais entradas, pois o local estava sendo usado para abrigar usuários de drogas. O terreno totalmente deteriorado e tomado pelo mato.

O problema fez com que os moradores ficassem sentem inseguros. Além disso, outra questão é a incidência de mosquitos, uma vez que o terreno acumula muito lixo. Sem contar que registraram casos de dengue na rua por causa da água da chuva que se acumulara nos recipientes jogados lá dentro.

O abandono do prédio do Diário de Natal apareceu em diversas reportagens da mídia local, como o jornalista Saulo de Castro mostrou muito bem no Portal No Ar.

MLB ocupou o antigo Diário de Natal este ano

As famílias do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) que ocupavam o prédio antigo Diário de Natal começaram a deixar o local em julho de 2024. Para a mudança eles usaram um caminhão fornecido pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), órgão do Governo do Estado.

Segundo o MLB, as famílias voltaram ao galpão na Ribeira, onde estavam até janeiro. Além disso, no galpão da Ribeira, os manifestantes se juntarão a outras 20 famílias e permanecerão lá por aproximadamente três semanas. Depois disso, as 30 famílias mudaram para o prédio cedido pelo governo.

Após a saída do MLB, o antigo prédio que traz a história do jornalismo e radialismo de Natal virou cinzas.

História do Jornal

O Diário de Natal surgiu em 1932. Aos domingos, ele vendia como O Poti (mesmo nome da rádio do grupo), que foi suspensa em 2009 e retornado em 2011. Na década de 1970, o impresso chegou a ter uma tiragem diária de 30 mil exemplares. Na época, todavia, Natal tinha pouco mais de 200 mil habitantes.

O Diário de Natal também se constituiu como uma escola de jornalismo do Rio Grande do Norte, dos quais os grandes profissionais passaram pelo jornal. Ademais, era o mais antigo jornal impresso em circulação na capital potiguar. No dia 2 de outubro de 2012 o grupo Associados de Pernambuco decretou seu fim. A justificativa era que iria trabalhar apenas com o site, que não durou, portanto, seis meses.

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Desenho do ilustrador Um Samurai

Lara Paiva é jornalista e publicitária formada pela UFRN, com especialização em documentário (UFRN) e gestão de mídias sociais e marketing digital (Estácio/Fatern). Criou o Brechando com o objetivo de matar as suas curiosidade e de outras pessoas acerca do cotidiano em que vive. Atualmente, faz mestrado em Estudos da Mídia, pela UFRN e teve experiência em jornalismo online, assessoria de imprensa e agência de publicidade, no setor de gerenciamento de mídias sociais.

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