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Minha mãe adora mostrar o convite de formatura dela em jornalismo no ano de 1987 e lá estava escrito que queriam melhores pisos salariais, aulas práticas e dentre outras coisas. Aí 30 anos depois as reivindicações são as mesmas, porém a situação do profissional piorou. Mal sabia estes profissionais que as coisas poderiam piorar e que a internet seria uma mídia tão importante quanto a televisão, fazendo com que mexesse as estribeiras da Comunicação Social.

Neste sábado (6) houve uma reunião do Coletivo Poti, no Nalva Café Salão, no qual discutiu o que estava acontecendo no jornalismo potiguar e brasileiros. Vi que todos estavam putos com o que rola com a profissão. Aqui tem um pouco sobre como foi a reunião:

Uma coisa que todos concordaram: os empregados precisam sair da zona de conforto e parar de ver as oportunidades de trabalho caindo cada vez mais. O ano passa e os trabalhadores formados sendo trocados por estagiários, redações enxutas, jornais fechando sem nenhuma preocupação ou gente desistindo da profissão, trabalhando como vendedores ou recepcionistas.

Estou cansada de gente falando que a culpa é da internet que acabou com a profissão, no qual blogueiros que copiam e colam os jornalistas estão fazendo mais sucesso, tirando os views dos jornais de verdade. Falo que isto foi somente a ponta do iceberg da crise do profissional, que já estava estagnada desde a década de 80. Verdade, muitos profissionais ainda pensam com a cabeça de 30 anos atrás.

A culpa não é da internet, mas do profissional que se acomodou com o seu trabalho por achar que o mundo nunca iria evoluir. Não dá para buscar o patrocínio do mesmo jeito que era em 1987.

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Uma das coisas que me incomodavam durante os nove semestres de jornalismo na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) foi a falta da atualização da grade do curso, no qual ainda bem que mudou. Quando cheguei o Diário de Natal havia fechado, o blog do BG crescendo (hoje é mais lido que importantes portais de notícias da cidade) e que ninguém sabia o que fazer com as mudanças. Mas, só tínhamos uma matéria de assessoria de imprensa, de mídia digital e empreendedorismo, pagas em longos semestres de diferença.

O jornalismo era mais focado em redação do que em outras áreas. Pensamento retrógrado, penso, pois sabia que não era só de redação que se vivia como jornalista e muitos colegas nãos estavam dispostos de dedicar saídas, fins de semanas ou passar o dia inteira se dedicando em escrever reportagens para os jornais daqui. Quando não era dedicado para redação, era para o acadêmico e nem todos estavam querendo ser professores universitários.

O resultado está aí, amigos desempregados, migrando para outros cursos de comunicação social ou em áreas nada similares. Enquanto isso, o profissional, feliz por ter conseguido experiência prática através dos estágios, perto de se formar mais angustiado e procurando a resposta desta seguinte pergunta: “O que eu vou fazer com o diploma ?”.

Esse diploma que Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tirou a obrigatoriedade em 2007, há 10 anos atrás, e que outros profissionais adoram nos humilhar falando: “Está perdendo o seu tempo fazer uma faculdade de jornalismo, nem precisa do diploma”. Para ser idiota também não precisa.

A faculdade de Comunicação Social precisa se reinventar e mostrar ao profissional que está entrando na faculdade que realmente o diploma pode não ser necessário, mas o ambiente acadêmico é importante na formação do social e do mercado, visto que você vai ter acesso aos grandes mestres da profissão e também saber o que se deve fazer quando o mundo estiver em caos. Afinal, todo jornalista ainda quer mudar o mundo.

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Uma coisa que a UFRN me ensinou foi questionar sempre a nossa profissão e querer lutar para que ela se aperfeiçoe. Portanto, meu diploma foi necessário.

Além disso, o ambiente acadêmico precisa parar de ser engessado e criar oportunidades de práticas profissionais, visto que muitos estudantes atrasam ou se desinteressam pelo curso da graduação pelo fato de que seus estágios estão suprindo a ausência da aulas práticas.

O jornalismo precisa mudar e parar de pensar que a redação é só o nosso meio certo de trabalhar, mas existem blogs, rádios (online por sinal), empresas de assessoria de imprensa e dentre outras atividades.

Ainda bem que estão criando um coletivo de jornalistas, como o Poti, fiquei feliz por participar da reunião, pois eu estava cansada de lutar contra esta onda de comodismo sozinha.


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Sobre a autora

Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

Desenho: @umsamurai

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