24 24America/Bahia maio 24America/Bahia 2017 – Brechando

Alguns shows antigos de Natal a partir de vídeos

Quais são os shows mais comuns em Natal? Já teve alguma apresentação rara? O Brechando deu uma boa garimpada no You Tube e achou alguns trechos de apresentações musicais que aconteceram em Natal. Calma, também colocamos alguns artistas locais na lista. Existe vídeo de 10 a 20 anos. Você foi nesses que mostraremos a seguir? Confira a nossa seleção:

Aviões do Forró em 2007

O vídeo tem 10 anos. Hoje, os dois cantores estão completamente diferentes e agora a cantora Solange Almeida está bem mais magra e saindo para uma carreira solo.

Forró do Muído em 2009

Para quem mora no Nordeste, o Forró do Muído era a antiga banda de Simone e Simaria, aquela dupla de meninas que estão famosas por fazer um sertanejo mais sofrência. Elas eram sucesso nas rádios de Natal e faziam diversos shows na cidade.

Netinho no Carnatal 1999

Esse show só tem apenas 18 anos.

Os Terríveis no Machadinho 1996

Os Terríveis era uma antiga banda de Natal que já contou com a participação do Dorgival Dantas e da cantora Solange Almeida, que estão neste vídeo gravado no Machadinho há 21 anos.

Grafith no Assen

Assen é um clube que fica na Avenida Prudente de Morais e foi o palco para apresentação do show de aniversário do Grafith em 1989.

Rouge e Br’oz em Natal

As duas bandas pop do momento foram à Natal no ano de 2006 para uma apresentação no Machadinho em Natal. Aqui apresento dois vídeos de como foi a turnê retirados do programa da Sonia Abrão. Foi um dos últimos shows da Luciana no Rouge.

Skank no Mada

Show gravado no ano de 2007, no Festival Mada

Fernanda Abreu no Mada

Vídeo foi gravado na apresentação da cantora no Festival Mada em 2003

Charlie Brown Jr no Teatro Riachuelo

O CBJR já tocou no Mada, mas só achei este registro do show do grupo no Teatro Riachuelo no ano de 2011.

Chiclete com Banana em 2000

A apresentação foi no Circo da Folia.

Liberdade que uma festa hétero nunca terá, indo para uma festa LGBT

Será praticamente um manual de como não dá close errado em festa LGBT.

Nascida hétero e convivendo numa família da zona Sul de Natal, onde escutei por muitas vezes que ser gay é pecado. Por muito tempo, quando criança, ficava questionando o porquê de ser errado o fato de duas pessoas do mesmo gênero poderiam namorar ou da falta de representatividade nas novelas. Na adolescência, eu comecei a ter minhas primeiras experiências amorosas e presenciei muitos amigos de sentirem dúvidas do que sentiam. Alguns guardavam isto como se fosse o maior segredo de suas vidas, por conta do bullying. Outros enfrentavam de frente, inclusive em um colégio na burguesia potiguar, no qual importante era beijar as garotas bonitas e paquerar os gays no backstage. A universidade chegou e o período de liberdade das obrigatoriedades escolares estavam sendo desatados e, assim, experimentar coisas novas.

Foi assim que cheguei ao Setor de Aulas II, onde eu via todos os tipos de pessoas, inclusive os LGBT. Foi lá que presenciei amigos tendo a primeira experiência homoafetiva, comecei a conviver com amigos casais, dei conselhos amorosos e vi que a homofobia é real e não é MiMiMi, principalmente quando via pessoas cochichando quando apareciam os casais. Foi, então, que percebi de como deveria ser uma pessoa acolhedora para aqueles que recebem pouco ou nenhum, visto que alguns são expulsos até de casas por conta disso. Mas também aprendi a nunca protagonizar uma luta que não é minha, tenho que apoiar e brigar ao ver que um amigo sofrendo deste tipo de preconceito.

Descobri dentro da UFRN que as festas héteros e elitistas são chatas e insuportáveis, pois ambas tentam engessar os hábitos das pessoas. Foi na mesma instituição de ensino que descobri o pior e o melhor lado das pessoas.

Ainda é pífio a representatividade LGBT nas mídias e sei que um dos poucos cantos que os gays, as lésbicas, os bissexuais e os transgêneros possuem são através das festas. Algo que me admirou bastante presenciando o “Me Brega Funk”, uma festa que serviu para financiar o filme potiguar “Verde Limão”, no qual falará do universo das drag queens em Natal e segundo filme de Henrique Arruda, um dos defensores da comunidade LGBT, que começou no filme “Ainda Não Lhe Fiz Uma Canção de Amor”. Entre músicas alegres, shots de catuabas com arminhas de brinquedo e brincadeiras, as pessoas estavam sendo verdadeiros consigo mesmas.

Ignorando aqueles padrões heternormativos estabelecidos pela sociedade. Muitos gays devem ter escutado: “Você não precisa ser afeminado para ser gay”.

Shots de Catuaba com arminha (Fotos: Lara Paiva)

Além de me divertir, fiquei tirando fotos dos participantes e tentei representar com os olhos de um participante.

Foi difícil, falhei nesta missão, pois não posso ser protagonista do movimento LGBT, nunca fiquei engessada em um ambiente de trabalho por ser gay, nunca fui impedida de falar do meu namoro heteronormativo ou nunca fui agredida por gostar de homens. Presenciando uma festa, me sentia feliz, aliviada e admirada pelos convidados ficarem a vontade por fazerem o que quiser, desde andar como drag até fazer beijo triplo. Era aonde a liberdade de expressão e sexual andavam de mãos dadas. Com isso estou entendendo um pouco a proposta de Arruda em falar de um menino que queria ter asas ou da ideia de peça do Thiago Medeiros do João que queria ver os pássaros.

Mesmo tendo drags famosas das antigas, como Pietra Ferrari e Danusa D’Sales. Natal precisava novas caras. Graças às séries, como Rupaul’s Drag Race, houve o crescimento da nova cena drag no estado.  Estão surgindo assim a Kaya Conky, as Gabryuri e Potyguara Bardo, que tocou na festa e estimulou o aparecimento de novas drags, como as irmãs Secrets, que fizeram uma apresentação baseada na Pabllo Vittar e Lia Clark.

A drag Potyguara Bardo

Agradeço por ter ido ao evento como esse, de ter amigos maravilhosos e que me ajudam a quebrar cada vez mais os paradigmas, evitando que falasse besteira, desconstruindo termos homofóbicos que “eu achava nada demais” e fazer com que eu seja uma ouvinte e não uma oradora.

Mas, espera, liberdade sexual? Sim, expressar a sua verdadeira vontade sexual, mostrar seus sentimentos de forma exposta e a flor da pele, é uma verdadeira liberdade sexual. Isto é revolucionário. Quantas pessoas ainda estão oprimidas sexualmente por motivos religiosos e familiares?

Por falar em revolucionário, são em festas como essas que os assuntos sérios são debatidos de forma mais didática possível e sem precisar ser chato, quando os gays utilizam os termos pejorativos, como “bicha”, a seu favor, para pedir mais respeito ou o impeachment de Temer, uma vez que ele teve como aliados o ex-deputado Eduardo Cunha, forte defensor da bancada evangélica, que são contra casamento do mesmo gênero e  lutam para que família seja definida por “pai, mãe e filhos”, que isto não faz sentido nem para famílias heteronormativas, que possuem mulheres como chefes da casa.

Enquanto isso, nas festas consideradas “héteros”, tanto a plateia quanto bandas populares, disseminam frases machistas, fazendo apologia ao estupro de vulnerável, e até mesmo, incentivam mensagens de ódio. E, ainda, expõe o casal gay que foi a festa para fazer piada na internet.

Lá, você poderia dançar o funk ou brega sem ser julgada, ou ser apelidada nada carinhosamente de sem cultura. Andar descalça quando estivesse com os sapatos machucando os pés, sem ouvir uma bronca dos pais. Escutar músicas que escutam na conta privada do Spotify e dançar livremente. Alguns chegaram escondidos, com vergonha ao ver a minha câmera em punhos, mas com o tempo foram se soltando. E, ao mesmo tempo, foi respeitando o espaço do outro, uma espécie de dançar conforme cada um faz o seu passo.

Além disso, estamos passando por uma fase muito boa, os LGBTs brasileiros estão dominando a música brasileira com o seu pop autoral e de qualidade, misturando ritmos brasileiros com batidas eletrônicas, deixando ser apenas mera imitadoras de Britney Spears e Christina Aguilera, algo que abrilhantou a festa.

Não vá querer pagar de protagonista, chegar na intimidade numa festa dessa e tentar forçar a barra usando termos bem homofóbicos (ex: “Ai que desperdício”), pois você não tem a mesma bagagem de coisas ruins e sem contar que é bastante mal educado.  A galera vai atrás de você e te recepcionar bem.

As drags Secrets

A festa “Me Brega Funk” contou com apoios de diversas empresas/coletivos amigos da economia criativa, como “Apartamento 702”, “Dosol”, “Clowns de Shakespeare”, “Centro Cultural Dosol”, “Ateliê Bar”, “Brechando”, “Copo Design” e “Cereja Comunicação”. A produção do curta-metragem é assinada pela Bobox Produções Culturais. O evento contou com discotecagem de Alana Cascudo (Apartamento 702), Jéssica Guerra, Smoking Haus, Emilly Lacerda, Henrique Arruda e da Drag Queen Potyguara Bardo, integrante do filme “Verde Limão”.

Veja mais fotos do evento a seguir:

Quem foi o Roberto Freire?

Muitos pensam que o nome da Avenida é Roberto Freire é uma homenagem ao atual Ministro da Cultura ou um escritor famoso que também tem o mesmo nome. Mas não é, na verdade não existe um registro para saber quem foi o Roberto Freire homenageado para esta avenida, só algumas informações soltas. A única coisa que sabemos, após longas horas de pesquisa, que a avenida que corta os bairros de Capim Macio e Ponta Negra recebeu este nome em 1975.

Uma parte da biografia dele mostra que o terreno que hoje é o bairro Salinas, zona Norte de Natal, pertencia ao engenheiro Roberto Freire, que na década de 40 pretendia instalar, ali, uma salina e com essa finalidade adquiriu as terras que pertenciam à família Toselli.

Com o passar do tempo, verificou-se que fatores de ordem natural, como o alto índice de pluviosidade, dificultaram o sucesso do empreendimento, não justificando investir na atividade naquele local. Após o fechamento da salina, na década de 70, o Governo Cortez Pereira adquiriu o terreno da família Freire, para ali instalar um projeto de criação de camarões em cativeiro.

O Projeto Camarão tornou-se realidade, em 1973, aliando as condições ambientais favoráveis e técnicas adaptadas do exterior. Funcionou plenamente até 1976, com repercussão no Brasil e fora dele.

Como já falamos anteriormente, Ponta Negra era utilizada como um lugar para veraneio. Entre os anos de 1950 e 1970 a praia de Ponta Negra emerge como o terceiro núcleo de residências secundárias na faixa litorânea de Natal. Nesse período, a antiga Vila de Ponta Negra começou a se consolidar como reduto de lazer e descanso para férias anuais, fins de semana e feriados, redirecionando o fluxo da produção desses domicílios para a zona sul do município.

A primeira estrada carroçável ligando a Vila de Ponta Negra ao núcleo urbano de Natal – a antiga estrada de Ponta Negra – foi construída em 1923, pelo farmacêutico e Intendente de Natal, Joaquim Ignácio Torres, sendo reaberta em 1936, pelo então prefeito Gentil Ferreira de Souza. Até então, a localidade vivia isolada, subsistindo basicamente da pesca e da agricultura.

Na década de 70, o Governo do Estado, na época liderado por Tarcísio Maia, resolveu fazer uma reforma na então estrada, onde foi asfaltada, duplicada e iluminada, batizando a antiga estrada de Ponta Negra para Avenida Engenheiro Roberto Freire.  Junto a isso veio a implantação dos conjuntos habitacionais Ponta Negra e Alagamar.

Com a avenida já construída, o processo de ocupação dessa área foi intensificado a partir da segunda metade dos anos 80 com a inauguração do megaprojeto turístico Parque das Dunas/Via Costeira, que ligou Areia Preta à zona sul de Natal.

Hoje, a Avenida Engenheiro Roberto Freire faz parte da RN-063, que começa em Jiqui, sub-bairro de Neópolis, na avenida Engenheiro Roberto Freire, na Zona Sul de Natal, passando pelas praias de Pium, Cotovelo, Pirangi, Búzios, Tabatinga, Camurupim e Barreta, além de vários outros municípios do estado e terminando na ligação com a BR-101, em São José de Mipibú.