Esportes – Brechando

Como era o jogo de futebol no Machadão

futebol no Machadão

O estádio Machadão inaugurou nos anos 70. Lá aconteceu os mais tipos de competições. Um deles é o Campeonato Potiguar, visto que era a competição do futebol potiguar. Primeiramente é um dos poucos momentos que os times tem o estrelato, visto que a maioria dos times estão em séries inferiores do Brasileirão.

Mas, no Youtube, apareceu alguns vídeos de reportagens esportivas do futebol potiguar nos anos 90, principalmente para ver o futebol no Estádio Machadão. Post ideal para assistir e relembrar o finado estádio. Por isso, o Brechando vai mostrar alguns desses vídeos. Veja, portanto, a seguir:

 

Sobre o Campeonato de Futebol Potiguar

O Potiguar existe desde 1919, organizado pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF). Além disso, acontece todos os anos, com exceção em 1942 por conta da Segunda Guerra Mundial. Já na década de 10, todavia, o campeonato teve que ser interrompido, uma vez que Natal passou com surto de Gripe Espanhola.

Inicialmente, as competições eram no Juvenal Lamartine e, posteriormente, os jogos de futebol migraram ao Machadão.

Até o ano de 2000, a competição havia tido apenas cinco campeões, todos da capital Natal. Esses times vencedores são ABC Futebol Clube, América Futebol Clube, Alecrim Futebol Clube, Santa Cruz Futebol Clube e Centro Esportivo Natalense, que não existe mais.

Entretanto, no ano de 2001, o que se viu foi um crescimento no interior do estado. Lá conquistaram cinco títulos em treze anos, como Corintians de Caicó, Potiguar de Mossoró, Baraúnas e Assú.

A equipe que mais venceu o Campeonato Potiguar é o ABC Futebol Clube, com 56 títulos conquistados, sendo o recordista mundial de títulos em uma mesma competição e maior campeão estadual do Brasil e do mundo.

Problemas com a história do campeonato

Devido à falta de registros históricos, ocorrem dúvidas sobre os campeões ou se houve mais de um torneio durante a temporada. Como resultado, existe a possibilidade de mais de um clube como campeão estadual daquela temporada, pois os clubes se autodenominam campeões potiguares, sendo muitos desses títulos não reconhecidos pela FNF.

Dia que o Brasil ganhou da Alemanha em Natal

Seleção Brasileira em Natal

Em julho de 2014, o Brasil inteiro acompanhou a vez que o país sofreu uma goleada de 7×1 com a Alemanha, que se vingou da derrota que culminou no pentacampeonato da seleção canarinho em 2002. Mas, a gente nem sempre fomos humilhados pelos germânicos. No ano de 1982, os natalenses presenciaram a vitória da seleção brasileira de 3 a 1 no amistoso contra a Alemanha Oriental em Natal.

A partida, cujo ingresso está na foto acima do título, aconteceu em 26 de janeiro de 1982 e mais de 50 mil pessoas foram ao Machadão, que na época era chamado de Castelão, para ver a Alemanha Oriental, dominada pela União Soviética, ter sido derrotada no placa de 3 a 1.

A Alemanha saiu na frente com Hans-Jüergen Döerner. Em seguida, Paulo Isidoro deixou tudo igual no placar. No segundo tempo, Renato virou e Serginho aumentou a diferença: 3 a 1 no placar final. Este foi o primeiro amistoso de uma série de seis que a Seleção Brasileira realizou no Brasil antes de disputar a Copa do Mundo da Espanha.

Nessa partida quem participou os jogadores Waldir Peres, Leandro, Roberto Dinamite, Zico, Paulo Isidoro, Toninho Cerezo, Júnior e dentre outros. O técnico, na época, era Telê Santana, considerado um dos melhores treinadores do país.

Uma curiosidade era a primeira vez que a seleção brasileira jogaria na capital potiguar. Então, a cidade estava polvorosa com esse acontecimento considerado histórico e a imprensa potiguar registrava todas as atividades dos jogadores.

Natalenses na porta do estádio Machadão no dia do jogo para ver a Seleção Brasileira em Natal (Foto: Tribuna do Norte)

Após a vitória, os natalenses e jogadores entraram em uma festa. Essa foi a capa da Tribuna do Norte no dia seguinte:

Alemanha oriental, como assim? Quem estudou história sabe que após a Segunda Guerra Mundial, os Aliados dividiram a Alemanha em vários pedaços. Na Guerra Fria, no entanto, os Estados Unidos e a União Soviética dividiu o país germânico em Alemanha Ocidental, dominada pelos capitalistas, e Oriental, comandada pelos comunistas. A união dos países só aconteceu em 1989, com a queda do Muro de Berlin.

No futebol profissional, a Alemanha Oriental se classificou apenas para uma Copa do Mundo, justamente a de 1974, realizada na Alemanha Ocidental. Mais do que isso, ambas foram sorteadas para o mesmo grupo, e numa partida tensa, os orientais surpreenderam ao derrotar os favoritos ocidentais, por 1 a 0.

Também dois anos antes, nas Olimpíadas de Munique, ambas se enfrentaram na segunda fase e a Alemanha Comunista venceu a rival por 3 a 2 no campo rival, e posteriormente terminaria com o bronze. Em 1982, a Alemanha Oriental conseguiu derrotar a Itália meses antes do oponente vencer a Copa do Mundo daquele ano.

A geração do final da década de 1980, contudo, era avaliada como ainda mais promissora. A base era composta por quem havia perdido a classificação à Copa do Mundo FIFA de 1986 por um único ponto a menos que França e Bulgária e ficaram em terceiro lugar no Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 1987, eliminados só pela campeã Iugoslávia.

A Alemanha Oriental esteve a um ponto de classificar-se à Copa do Mundo FIFA de 1990, para a qual bastaria um empate contra a Áustria. Na reta final das eliminatórias, contudo, ocorreu a queda do Muro de Berlim, possibilitando a transferência de astros para o futebol capitalista, atrapalhando o foco para a partida. A última partida dos Alemães Comunistas aconteceram no amistoso contra a Bélgica em setembro de 1990.

Matuzalém, um potiguar que desafiou a Fifa

Matuzalém

Matusalém é um personagem bíblico do Antigo Testamento, conhecido por ser o que teve mais longevidade de toda a Bíblia, pois teria vivido por 969 anos. Filho de Enoque, pai de Lameque e o avô de Noé, o mesmo que fez a arca que abrigou todos os animais em um dilúvio. No Rio Grande do Norte temos um Matusalém, que não tem 900 anos e sua grafia é com a letra Z. Portanto, se escreve Matuzalém e ele agiu como Davi ao enfrentar um gigante Golias, chamado Federação Internacional de Futebol, conhecida mundialmente pela sigla Fifa e vamos contar a sua história a seguir.

Na Justiça da Suíca ele consegiu garantir o seu direito de continuar sendo jogador, o que a entidade queria negar. O resultado é considerado histórico e um golpe no que o tribunal chamou de ‘caráter abusivo da entidade máxima do futebol’.

Francelino Matuzalém da Silva nasceu em Natal e aos 15 anos deixou a cidade para jogar na base do Vitória. Em 1999, ele partiu para Europa onde jogou em vários clubes europeus, em destaque os italianos Napoli e Parma. Em 2009 jogava no Shaktar Donetsk da Ucrânia, mas rompeu seu contrato com o clube, abandonou o país e foi jogar no Real Zaragoza, na Espanha. No mesmo ano, o clube espanhol e o brasileiro foram condenados a pagar € 12 milhões como pena pela transação ilegal. Em 2010, diante do fato de que o dinheiro não havia sido depositado. A Fifa então estabeleceu mais uma multa e deu um prazo para seu pagamento. Se isso não ocorresse, o brasileiro estaria impedido de voltar aos campos de forma profissional pelo resto de sua vida.

O caso chegou ao Tribunal Arbitral dos Esportes, que deu ganho de causa para a Fifa. Os advogados do jogador decidiram ir além e, num gesto raro, questionaram a decisão na corte comum suíça. Então foi parar no Tribunal Superior, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.  Assim, no ano de 2012, corte máxima do país determinou que a Fifa havia sido abusiva em sua punição e revogou a decisão do Tribunal Arbitral dos Esportes, uma decisão ainda mais rara.

Para os juizes, a pena foi “incompatível com a ordem pública”. De acordo com o tribunal, a lei da entidade máxima do futebol foi um “atentado grave contra os direitos da pessoa” e que penalidades por conta da violações de contrato devem ter limites. Pela determinação dos juízes suíços, Matuzalém ficou “livre para arbitrar” em relação ao local onde jogará e que sua “liberdade econômica será ilimitada na medida que as bases de sua existência econômica seja colocada em risco”.

A decisão marcou uma transformação radical nas leis da Fifa e uma derrota para o poder ilimitado de clubes sobre seus jogadores. Em 2018, ele se afastou dos gramados e no ano passado foi reportagem no Globo Esporte daqui (a foto que coloquei nesta postagem foi de lá) , onde contou o seu retorno à capital do Rio Grande do Norte, a entrevista você confere neste link.

Nesta foto, dois potiguares foram considerados os melhores jogadores de futebol de 72

A foto é de 1972, quando os jogadores potiguares Marinho Chagas e Alberi ganharam o prêmio Bola de Prata por serem alguns dos melhores jogadores do campeonato brasileiro naquele ano, juntamente com Leão (Palmeiras), Aranha (Remo), Figueroa (Internacional), Beto Bacamarte (Grêmio), Piazza (Cruzeiro), Ademir da Guia (Palmeiras), Zé Roberto (Coritiba), Osni (Vitória) e Paulo César Caju (Flamengo).

Alberi nasceu em Recife, mas considera-se potiguar de coração, tanto que recusou uma proposta do Fluminense. Iniciou sua carreira em Recife, no juvenil de Santa Cruz. Em 1968 foi contratado pelo ABC, onde se tornou ídolo do clube e entre idas e vindas, ficou no clube até o ano de 1984.

No total, Alberi comemorou seis títulos estaduais, sendo quatro pelo ABC, um pelo América-RN e outro pelo Campinense. Hoje mora em Natal, é casado pai de nove filhos e onze netos e é filiado ao PTB desde 1995.

Já Marinho Chagas, em 1972, jogava no Botafogo, mas foi lançado para o futebol pelo Riachuelo, pequeno clube da Grande Natal, no decorrer da carreira, Marinho Chagas atuou por clubes de destaque regional e nacional como ABC, Náutico e Botafogo, onde conquistou destaque e chegou à Seleção Brasileira e, depois, à Copa do Mundo de 1974. Também atuou pelo Fluminense, Bangu, São Paulo, Fortaleza, e, junto com Franz Beckenbauer, no New York Cosmos. Encerrou a carreira como jogador no Harlekin Augsburg, da Alemanha.

Apelidado de “A Bruxa”, ou simplesmente “Bruxa”, era conhecido pelo comportamento irreverente, chegando, inclusive a gravar um compacto. Nos seus últimos anos de vida, morou em sua cidade natal, onde era comentarista da Band Natal.  Faleceu em 1 de junho de 2014, semanas antes da Copa do Mundo acontecer na capital potiguar, após sofrer uma hemorragia digestiva alta.

Marinho Chagas e Alberi, os segundos da esquerda para direita recebendo o prêmio

O prêmio Bola de Prata é uma premiação anual do futebol brasileiro, criada em 1970 pela revista Placar, considerada uma das publicações importantes sobre o futebol. Organizada pela ESPN desde 2016, elege os melhores jogadores do Brasileirão. O prêmio foi idealizado pelos jornalistas Michel Laurence e Manoel Motta. Em cada competição, os jogadores recebem notas dos jornalistas, numa escala de 0 a 10.

Ao final do campeonato, são premiados os jogadores com as melhores médias, por posição (somente os jogadores com mais de dezesseis jogos são levados em consideração). A melhor média de todas leva a Bola de Ouro.

O recordista do prêmio Bola de Prata é Rogério Ceni, com seis prêmios. Zico, Júnior e Renato Gaúcho detêm cinco prêmios, cada um. Totalizando todos os prêmios (Bolas de Ouro e de Prata, incluindo os de artilheiro, revelação e hors concours), o recordista é Zico, com nove Bolas.

Em 2007 a Placar fez uma parceria com o canal de televisão a cabo ESPN Brasil. Desde então, o evento de entrega do prêmio é feito por jornalistas das duas empresas, assim como a distribuição de notas. No ano de 2016, a Editora Caras, que tinha adquirido a Placar no ano anterior, vendeu todos os direitos da Bola de Prata ao canal esportivo ESPN.

Para receber o prêmio, no entanto, precisa seguir os seguintes regulamentos:

  • O primeiro critério de desempate é número de jogos no campeonato.
  • O segundo critério é o maior número de Bolas de Ouro.
  • Os jogadores que deixarem o clube antes do fim do campeonato serão eliminados.