Dia do Rock 2016 – Brechando

Sabia que tem um doc sobre a história do heavy metal em Natal?

O rock na capital potiguar deu os primeiros sinais na década de 60, com bandas de colégios e os movimentos musicais daquela época. Já o heavy metal, um gênero musical baseado no rock,  por sua vez, veio na década de 80. O documentário “Natal Assault: Heavy Metal na Cidade do Sol” narrará um pouco da história do estilo na capital do Rio Grande do Norte e como o estilo abalou as estruturas de uma cidade que até hoje é conservadora.

O filme está rodando desde 2013 e não tem previsão para o lançamento, visto que está elaborado de uma forma totalmente independente, sem auxílio de leis de incentivo. Ou seja, na marra, assim como foi toda a produção de álbuns, shows e discos sobre o estilo na cidade.

A ideia vem do Hervall Padilha, vocalista da banda Comando Etílico, muito famosa no Rio Grande do Norte. A ideia é contar a introdução do estilo em Natal e as primeiras pessoas que disseminaram o estilo. Além de Padilha, o doc também conta com a ajuda de Tiago Prado.

Para narrar o filme, a dupla está recolhendo depoimento de bandas e pessoas que presenciaram o nascimento e crescimento do estilo musical. Curiosidades, fotos e fatos, bandas e shows realizados serão contatos pelos amantes do gênero e pioneiros que viveram o início do movimento metálico do Rio Grande do Norte.

Os detalhes do doc podem ser conferidos em sua fanpage, que contém fotos e depoimentos de bandas da década de 80/90.

“Houve uma época onde éramos olhados de viés na rua, tratados como mendigos pelos garçons, um tempo em que nossas mães haviam perdido a esperança em nos salvar, época na qual acreditávamos que aquele sentimento pela nossa música jamais iria passar. Nos abrigávamos no conforto dos amigos, párias como todos aqueles a defender o Heavy Metal. Entre alegres tardes de sessions, demorados escrutínios de encartes de vinis, tocávamos nossas vidas, sonhando numa banda a montar ou, melhor ainda, num show de um grupo absolutamente desconhecido da maioria mas que amávamos incondicionalmente”, afirmou Bruno Bruce em depoimento para a página do Facebook.

O documentário também resgata relatos sobre como foram os primeiros shows de bandas locais e de outros estados brasileiros em Natal, da loja Whiplash, caravanas para assistir bandas internacionais, a produção de discos e dentre outras dificuldades que ainda existem na cena metaleira.

Hervall Padilha escreveu vários textos na página sobre o preconceito das pessoas mais velhas, como eram as festas nas casas dos adolescentes e um dos trechos que mais me chamou atenção foi esse, no qual mostra que eles eram felizes apenas pelo fato de escutar LPs: ” Ouvíamos Venom, Destruction, Exodus e Manilla Road, ao mesmo tempo que Mercyfull Fate, Iron Maiden e Ramones se preparavam pra entrar no palco do toca discos cuidadosamente protegido pelo “Dee Jay” da noite, mediante a agitação dos jovens ali presentes. Sim, agitávamos ao som destas bandas como se estivéssemos num show ao vivo, com o som no talo e ao pé do ouvido de todos”, relatou.

Além disso, relembrará muitas felicidades, preconceitos, tragédias, festas, inocência e todo amor pela música.  Tomara que fique pronto logo para poder assistir.

Uílame fala sobre o dia do rock

Quem mora em Natal ou gostava de heavy metal em algum lugar do planeta, na década de 2000, já escutou este áudio:

Sim, estamos falando do Uílame, o maior fã da banda Blood Avenger, potiguar e, o mais importante, o metaleiro. Numa era pré-Twitter, bem antes do Pinta Natalense, o personagem do músico Ticiano D’Amore ficou famoso por tirar sarro dos metaleiros.

Uílame é guitarrista autodidata e fã incondicional do Blood Avenger, além de ser egocêntrico, perturbado, fanático, também é desprovido de qualquer bom senso.

Foram vários áudios, disponíveis no Cifra Club (a página do Uílame ainda existe), que rolaram na internet e cada um mais engraçado que o outro, desde a declaração à sua namorada até as tentativas de ser um músico profissional.

No dia mundial do rock, 13 de julho, claro que deveríamos entrevistar o Uílame para falar sobre esta data. Por telefone, ele não quis declarar sobre a data, pois o rock não vale nada. E mandou esse recado aos roqueiros:

Atualmente, ele trabalha numa xerox e faz cover de Justin Bieber para ganhar dinheiro.

Apesar de ter quase 10 anos ter parado de gravado, o Ticiano ainda é lembrado pelo metaleiro natalense e reconhecido nas ruas. De acordo com D’Amore, o headbanger surgiu durante uma gravação de uma banda, no qual estava produzindo e foi tentar orientar a guitarrista de como queria que ela tocasse. “Fiquei tentando fazer umas onomatopeias de guitarra e o pessoal começou a ficar rindo. Então, surgiu a ideia de fazer o primeiro episódio de Uílame”, afirmou.

O Ticiano explicou que Uílame foi inspirado em um amigo que falava de forma parecida com o personagem e um aluno “que era muito chato”. Então, rapidamente as pessoas gostaram dos áudios e fez com que estimulasse a fazer mais histórias do amante do heavy metal, como as aulas de guitarra, declarando para namorada ou enchendo o saco do Blood Avenger.

Após o sucesso dos dois primeiros áudios, o site Cifras Club convidou Ticiano para postar os áudios mensalmente. “Foi aí que o personagem começou a ficar bem famoso. O Brasil inteiro me mandava e-mail com elogios e sugestões de aventuras novas. Apesar disso, eu boto a minha mão no fogo que consegui ter agradado os metaleiros”, relembrou.

Ao ser questionado se as pessoas pedem para voltar com o personagem, ele respondeu que sim, mas acredita que foi bom de “ter parado no auge”.  “Não queria parar quando estivesse já sem graça, assim como muitas coisas de humor”, comentou.

Sobre heavy metal, Ticiano confessa que hoje escuta apenas Dream Theater e que na época que fazia o personagem escutava bastante. “Hoje eu escuto uma ou duas bandas, estou muito longe do heavy metal. Eu era bem por dentro na época. Comecei a tocar escutando bandas, como Angra e Iron Maiden”.

De vez em quando o Uílame aparece em alguns vídeos do D’amore:

“Já fui parado na rua para dar autógrafo em palhetas e camisas. Mas, hoje, o que mais acontece é pedir uma mensagem de voz para um determinado grupo de Whatsapp com a voz do Uílame”, contou.

Atualmente, ele está atuando como professor de música na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é comediante de Stand-up, participa da banda Café e faz diversos vídeos engraçados na internet, no You Tube. Além disso, ele tem um programa chamado “Partiu”, no qual entrevista pessoas dentro de um carro.

Bandas de rock nacional que deveria escutar

Dia 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Rock. A data foi por conta do aniversário de 31 anos do Live Aid, festival organizado pelo inglês Bob Geldolf, que reuniu vários artistas do rock e, também do pop, para angariar fundos para combater a fome nos países da África.  Se apresentaram Led Zeppelin, Black Sabbath, Queen e dentre outros.

No Brasil, existem várias atividades em homenagem ao Dia do Rock. Os bares especializados fazem shows e promoções, canais especializados em música realizam programações especiais e o Brechando fará três matérias especiais sobre o assunto.

A primeira é uma bela lista de bandas roqueiras, 90% cantam em português, que não são tão faladas na mídia, mas as pessoas adoram e idolatram. Confira a listinha marota:

Casa das Máquinas

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Conheci a banda em 2009, sem querer, pelo You Tube. Fiquei muito feliz em saber que havia bandas de hard rock estilo Led Zeppelin no Brasil. Depois, fui correr atrás de sebos para saber da existência do LP, se algum bar toca a banda e dentre outras coisas.

Adoro o LP “Lar de Maravilhas”, que é o segundo álbum e tem a faixa “Vou Morar no Ar”.

Foi fundada em 1973, quando José Aroldo Binda e Luiz Franco Thomaz (Netinho), dois ex-integrantes da banda Os Incríveis, juntaram-se a Carlos Roberto Piazzoli conhecido como “Pisca” (compositor de diversas músicas do KLB e bandas pops, sabia?), Carlos Geraldo Carge e Pique.

Em 1974 entraram em estúdio e gravaram seu primeiro LP, intitulado Casa das Máquinas. Depois vieram mais dois álbuns. O último, gravado em 1978, se chama “Casa do Rock” e é o mais famoso da banda, no qual Simbas substituiu Aroldo Binda nos vocais. Muitos comparam o Simbas como o Robert Plant brasileiro.

Foi, então, que eles começaram a se apresentar nos principais canais de televisão, mas uma briga entre Simbas e um funcionário da Record no estacionamento da sede do canal foi o início do fim da banda. O funcionário morreu e Simbas foi inocentado 10 anos depois.


O Terço

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Assim como “Casa das Máquinas”, O Terço surgiu no início da década de 70, nas terras cariocas. Era formada por Jorge Amiden, Sérgio Hinds e Vinícius Cantuária. O último citado ficou famoso pela música “Só Você”, regravada pelo cantor Fábio Jr.

A banda começou tocando rock clássico, mas logo tendeu ao rock progressivo.  Inicialmente, o nome escolhido tinha sido “Santíssima Trindade”, mas para evitar atritos com a Igreja Católica, foi adotado “O Terço”. O primeiro álbum, que tem o nome da banda, foi lançado em 1970 e ficaram conhecidos por tocar uma guitarra de três braços.  Descobri ouvindo Casa das Máquinas e gostei do som.

Detalhe, a banda existe até hoje! Porém, apenas Sérgio Hinds é o único membro original da banda.


Made In Brazil

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Também continua ativa, apesar de ter passado por milhares de formações. Vamos focar na formação clássica, que fez a banda ficar famosa na década de 70 e só quem é muito fã vai lembrar do som dos rapazes, que é muito bom, principalmente o primeiro álbum, conhecido como o “Disco da Banana”.  É considerada uma lenda do gênero.

A banda foi formada em 1967 em São Paulo, pelos irmãos Vecchione, Celso e Oswaldo. Sete anos depois, eles gravaram o primeiro álbum, citado anteriormente, que trazia um rock vigoroso e com vocais muito bem elaborados por Cornélius, vocalista da banda na época e depois largou o grupo com a finalidade de gravar um compacto no estilo discoteca. Ainda tinha o baterista Rolando Castello Júnior.  Foi lá que surgiram as músicas “Menina Pare de Gritar” e uma versão rock de “Aquarela do Brasil”.

Em 1975 é lançado seu segundo álbum de estúdio, “Jack o Estripador”, com Percy Weiss nos vocais. Somente em 1981 com “Minha Vida É Rock ‘n’ Roll”, que Oswaldo Vecchione assume os vocais principais.


Joelho de Porco

Joelho-de-Porco-1978-04-01Famosa nos anos 70 e influenciou diversas bandas das décadas seguintes. Uma curiosidade é que eles foram apadrinhados por Aracy de Almeida, famosa cantora de rádio que ficou conhecida pela jurada marrenta do Silvio Santos (“vou dar 10 pau”).  O primeiro compacto foi gravado em 1972, sob a produção de Arnaldo Baptista, ex-Mutantes.

Um dos componentes mais famosos do grupo é Zé Rodrix, falecido em 2009, que também foi integrante da banda Sá, Rodrigues e Guarabyra. A banda também teve diversas formações ao longo de sua história. Com destaque para alguns de seus integrantes: Ricardo Petraglia, Billy Bond, Piska, Netinho e David Zingg.


Vímana

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Vímana foi uma banda brasileira de rock progressivo da década de 1970 que passou por quatro fases distintas. Contou com Ritchie (que está a cara do Ozzy na foto acima), Lulu Santos, Luiz Paulo Simas, Lobão, e Fernando Gama.

Em uma dessas fases teve a participação do tecladista do Yes, Patrick Moraz, no qual reza a lenda que a banda acabou pelo fato de Lobão ter ficado com a mulher brasileira do suiço e pelas constantes brigas com Lulu Santos.

Com sucesso, a banda lançou, pela Som Livre, o compacto Zebra, além de ter gravado um LP inédito até hoje, arquivado na época com a alegação de não haver público para o rock no Brasil. Entretanto, o disco está disponível no You Tube.


Madame Saatan

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No meio do Calypso existia o heavy metal no Pará,  a banda Madame Saatan surgiu em 2003 e foi uma das bandas de destaque da cena metaleira brasileira. O som pesado e que ao mesmo tempo misturava com elementos regionais.  Ao todo, eles gravaram três discos e diversas participações em festivais underground. O grupo era formado por Sammliz, Ícaro Suzuki, Ivan Vanzar, Ed Guerreiro e Zé Mario.

No ano de 2004, lançaram seu primeiro EP e correu o país de mãos em mãos e levou a banda a vários festivais independentes. O primeiro álbum, lançado em 2007, levando o nome da banda, foi produzido em 7 dias em Belém e começaram a ter clipes circulando em canais especializados em música, como a MTV.

A banda terminou em 2012.


Aquaria

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Scans

Não é apenas um filme do Sandy e Júnior, existe uma banda chamada Aquaria e é um power metal tão bom quanto o Angra, originária do Rio. A banda foi criada em 1999 sob o nome Uirapuru. Em 2005 é apresentado o primeiro álbum da banda, intitulado Luxaeterna. Dois anos depois é a vez de Shambala, álbum conceitual que retrata a invasão portuguesa ao Brasil e da paixão de um navegante português pela personagem Iara.

Com o Uiapuru, eles lançaram dois discos.  O grupo está inativo, no momento.


Sarcófago

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Temos que falar da origem do heavy metal brasileiro, a banda Sarcófago. Também conhecida como a inimiga número 1 do Sepultura na década de 80. Surgiu em 1985, na cidade de Belo Horizonte, depois se mudaram para a cidade de Uberlândia.

Sua sonoridade apresentava guitarras pesadas, sujas e rápidas assim como um estilo de tocar a bateria, bastante utilizado em bandas gringas, como Nuclear Death, Napalm Death e Fear of God. No início da carreira, eles se apresentavam usando enormes braceletes de pregos, cintos de bala de fuzil e a pintura facial conhecida algum tempo depois como corpse paint.

Mais tarde, após a divulgação underground de seu primeiro álbum, em 1987,e a consolidação no exterior, o Sarcófago ficou sendo reconhecido como uma banda de black metal e death metal. São mais reconhecidos internacionalmente do que nas terras tupiniquins.

O vocalista Wagner Lamounier fez parte da primeira formação da banda Sepultura e escreveu em parceria com Max Cavalera. Hoje em dia, Wagner Moura Lamounier é professor universitário. A banda encerrou as atividades após lançar o EP Crust no ano 2000.