Rodrigo Lacaz e o lual em Ponta Negra

Uma noite de domingo. Você prefere ver aqueles programas ? Está cansado da mesmice ? Se falarmos que existe uma opção encantadora para você se divertir? Nesta hora, no recém-reformado calçadão da orla da praia de Ponta Negra, podemos escutar, ao longe, um som de uma voz suave e um violão. Quando nós aceleramos os nossos passos, vimos um amontoado de gente.

Era um lual, que acontece normalmente aos sábados e domingos no deck, montado durante a reforma do calçadão da praia. As apresentações são lideradas pelo cantor Rodrigo Lacaz, que mistura pop, rock e música popular brasileira (MPB) em seu repertório. Ele já tem uma longa jornada na cena musical de Natal, tocou na banda Lunares.

Entretanto, a sua nova forma de fazer show conseguiu conquistar novos fãs e pessoas mais novas puderam lhe conhecer. Lacaz pode fazer “Total Eclipse of My Heart” da Bonnie Tyler menos brega e ser algo fofo. Além disso, ele pode criar novos arranjos para “Zombie”, do grupo Cramberries.

O cantor teve a ideia de realizar este show no ano passado, após uma viagem para São Paulo. “Tudo isso começou em novembro do ano passado quando vi artistas fazendo lá e resolvi fazer algo idêntico em Natal. As coisas deram certo e não parei mais. Estou circulando em todo canto que posso. Ultimamente tenho viajado bastante”, afirmou o cantor.

O João Henrique sempre frequenta os shows do Lacaz em Ponta Negra e dessa vez levou a sua namorada para conhecer a empreitada. “Eu conheço desde as férias, quando meu amigo Ícaro me levou para praia e assistimos. Vou em quase todos os luais. Gosto da interação dele com o público e traz um ótimo clima para cá”, disse.

Paulo Prado, por indicação de uma amiga, também compareceu ao show do Rodrigo Lacaz e gostou muito do resultado. “Esta foi a minha primeira vez,  estou curtindo muito. Uma amiga minha sempre vem por aqui e me convidou. É muito bacana e o jeito dele é inovador”, contou.

Lacaz faz este tipo de show desde o ano passado (Fotos: Lara Paiva)
Lacaz faz este tipo de show desde o ano passado (Fotos: Lara Paiva)

Um dos momentos mais bonitos do show foi quando o cantor e a plateia cantam juntos “Pais e Filhos”, de Legião Urbana.  Além disso, ele deixou uma jovem cantar “Malandragem”, de Cássia Eller, após ter pedido para ele durante um intervalo de uma música a outra.

No meio da performance, um chapéu é exposto para plateia colocar a sua contribuição para o show. A quantia pode ser o que o visitante desejar. O importante é colaborar e incentivar o artista a continuar tocando pelas ruas da capital potiguar.

Chapéu de contribuição
Chapéu de contribuição

Lacaz disse que o feedback entre o público é bem positivo e já tentou em outros lugares da cidade, como a calçada de um shopping da zona Leste da cidade. “A galera dando apoio [ao meu trabalho] é super gratificante”, comentou.

Quer saber por onde o cantor vai fazer o seu lual? Acesse a fanpage dele neste link.

Fãs durante a apresentação
Fãs durante a apresentação

Nomes de locais que não conhecemos pelos nomes originais

Tem locais na cidade que pode ter um nome oficial, mas foi o popular que a cidade toda utiliza como referência para ir aos lugares. Aqui listamos cinco locais da cidade que são conhecidos pelos nomes que foram dados pelos natalenses. Confira:

1) Avenida Governador Tarcísio Maia

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Um dos acessos mais famosos aos bairros da zona Oeste de Natal é pela Avenida da Integração. Esta fica em Candelária, mas fornece acesso aos bairros Neópolis e aos condomínios de classe média alta da Rua Jaguarari. Sabia que o nome desta via é chamada de Governador Tarcísio Maia? Não? Tarcísio de Vasconcelos Maia era médico e começou a sua carreira política como secretário de Dinarte Mariz, depois foi eleito deputado e, por fim, foi designado para ser Governador.

2) Prolongamento da Av. Prudente de Morais

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O prolongamento da Avenida Prudente de Morais liga a famosa via de Natal com os bairros do Planalto e Cidade Satélite. É um novo caminho para quem quer ir à cidade de Parnamirim. O local tem um nome e se chama Avenida Omar O’Grady, que foi prefeito de Natal até 1930 e fundador do Rotary Club na capital potiguar.

3) Igreja Santo Antônio

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Conhece a Igreja Santo Antônio? Não? Mas a Igreja do Galo você conhece, que fica no bairro de Cidade Alta. É uma das mais importantes obras da cidade, principalmente devido à data da sua construção, em 1766. É conhecida por este nome devido ao galo em metal no alto.  Além disso, o local abriga o convento de Santo Antônio e o Museu de Arte Sacra.

4) Praça Claudionor de Andrade

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Claudionor de Andrade foi um prefeito da cidade. Mas todo mundo conhece esta praça por outro nome: A Praça do CEI, por conta do colégio que a adotou e é responsável pela manutenção do espaço. Além de ser usado pelos alunos para esperar os pais ou paquerar os coleguinhas de escola, o local também é frequentado pelo público alternativo da cidade. Um dos clássicos da internet potiguar é este vídeo a seguir:

http://www.youtube.com/watch?v=vQDzCTGVMxE

5) Ginásio Professor Marcelo Carvalho

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Ninguém conhece este ginásio por este nome, mas por DED. O local foi reaberto no ano passado após um longo período de reforma, que foi bastante comentado na mídia.

Esta foi a casa da Rua Chile onde morou o poeta Ferreira Itajubá

Esta foto de Magnus Nacimento, publicada no ano passado para o jornal Tribuna do Norte, mostra um casarão centenário que fica na Rua Chile. A residência de rosa e branco, com número 63, morou um poeta potiguar que não é muito lembrado e seu primeiro livro foi lançado dois anos após a sua morte, intitulado de “Terra Natal” (1914). Foi enterrado como indigente no Rio de Janeiro.

Era nesta rua que ele morou, montou seu circo e trabalhou por muito tempo. Atuou como poeta, jornalista, auxiliar de comércio, funcionário público e professor, apesar da baixa escolaridade.

Ferreira Itajubá era o nome de Manoel Virgílio Ferreira, nascido no dia 21 de agosto. Não se sabe se Ferreira veio ao mundo em 1875, 1876 ou 1877. Muito menos se nasceu em Natal ou na cidade de Touros, onde fica a origem de seus familiares.

Aprendeu as primeiras letras, com o professor Tertuliano Pinheiro e com Joaquim Lourival Soares da Câmara. Ficou órfão de pai aos seis anos, vitimizado pela varíola. Sua mãe foi quem lhe criou. Então, Itajubá teve que entrar na labuta bem jovem. Aos 12 anos, ele foi trabalhar numa loja na Rua Chile. Quatro anos mais tarde se mudou para Macau após receber uma outra proposta de emprego.

Assim como seu pai, ele também ficou doente de varíola e teve que voltar novamente para a capital potiguar, tendo que retornar ao antigo emprego, no qual recebeu o direito de estudar. Entretanto, o patrão morreu e resolveu montar um circo no quintal de sua casa, onde fazia todos os personagens.

Em 1896, ele criou o jornal literário “O Echo”. Em seguida, ele fundou a revista “A Manhã”. Entretanto, ele escreveu para todos os periódicos daquela época, como “A República” e “O Diário de Natal”.

Sua poesia era ligada ao Romantismo, mas com influência do Parnasianismo e do Simbolismo.

Com a antiga residência Itajubá “ainda viva”, a intenção é usá-la para fazer um memorial em sua homenagem. A proposta já foi aprovada em um edital municipal e o orçamento é de R$ 280 mil, envolve parceiros nacionais e inclui a restauração do imóvel.

A casa já foi uma agência de publicidade e também funcionou como o camarim do Centro Cultural Dosol, que fica do lado da residência.