14 14America/Bahia outubro 14America/Bahia 2015 – Brechando

Prefeito e pasta administrativa tem que ter o mesmo salário dos professores?

A vereadora Amanda Gurgel é filiada ao PSTU. É professora e foi a mais votada na eleição de 2012, com mais de 32 mil votos. Gurgel tem projetos mais voltados para a educação e é conhecida pelas lutas contra o aumento de passagem do ônibus, sempre a favor da greve dos servidores públicos e já bateu de frente com diversas atrocidades. E ela está próxima de preparar um projeto curioso.

A professora está preparando um projeto que sugere igualar os salários dos vereadores, secretários e do prefeito ao salário médio dos professores da rede pública de Natal. Ela destaca que a matéria já está em tramitação da Câmara Municipal de Natal. No ano que vem, ela pretende se candidatar como prefeita.

O objetivo do projeto é combater os privilégios dos políticos. A parlamentar lembra ainda que desde que assumiu o mandato de vereadora, nunca recebeu a remuneração integral como parlamentar em Natal. Em suma, ela recebe o salário equivalente aos professores e o restante do salário é doado para movimentos sociais do país, algo que foi prometido durante a campanha eleitoral.

Recentemente, ela criticou o prefeito de Natal por declaração feita no twitter. Carlos Eduardo disse que o poder público no Brasil está contaminado de privilégios e regalias. “Seria importante que o prefeito respondesse se ele está referindo a ele mesmo, com um salário de R$ 20 mil e com um gabinete que tem R$ 3,7 milhões.”, disse o tweet da vereadora.

O que é esta casa abandonada no meio da praça Augusto Severo?

Esta casa que fica entre a Policlínica Carlos Passos e o Teatro Alberto Maranhão foi a primeira Faculdade de Direito de Natal. A residência que formou importantes figuras do Rio Grande do Norte fica na Praça Augusto Severo e há anos existem vários planos de revitalização. O prédio é tombado, mas os sinais de abandono mostram que as pessoas ignoram a importância histórica do mesmo. O mesmo também foi sede do colégio Atheneu.

Em 1905 foi inaugurada a Praça Augusto Severo, homenageando um dos pioneiros da aviação. À sua volta, vários prédios foram construídos e entre eles, o Grupo Escolar com o mesmo nome.

O colégio foi idealizado por Augusto Tavares de Lira, em 1906, que queria renovar a educação potiguar. Mas, este não pode construí-lo, pois abandonou o posto de governador para servir como Ministro da Justiça, quando Afonso Pena era Presidente da República. Então, Antônio José de Melo e Sousa, sucessor de Tavares de Lira, começou a obra, após contratar o arquiteto Herculano Ramos.

A arquitetura do prédio foi inspirada no estilo Art Nouveau. Em 12 de junho de 1908, o prédio foi inaugurado pelo governador Alberto Maranhão. Entre 1911 e 1914, o Grupo Escolar Augusto Severo abrigou a Escola Normal e a partir de 1914, tornou-se a Escola Isolada Noturna da Ribeira. Por dois anos, o colégio Atheneu Norte-Rio Grandense ocupou o edifício.

A Faculdade de Direito de Natal foi fundada em 1949, mas só foi efetivamente instalada e autorizada em 1954. O primeiro vestibular só ocorreu no ano seguinte, 1956, quando aconteceu o início das atividades letivas.Naquela época, o processo seletivo se dava da seguinte forma: ocorria uma avaliação por meio de uma banca, que realizava uma espécie de sabatina com os candidatos.

O local já presenciou muitos momentos históricos, como a greve de 1957, quando o governador Dinarte Mariz interferiu nas nomeações dos professores do curso. Os alunos, portanto, exigiram a realização de um concurso para a seleção dos professores, decidindo que até a resolução do problema o corpo discente permaneceria em greve. Após vários dias de protestos, que paralisaram a Faculdade, o governo cedeu e exonerou o professor que havia sido nomeado indevidamente, decidindo iniciar processo seletivo para docentes.

No ano de 1974, o Curso de Direito foi transferido para o Campus Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Lagoa Nova.

Depois, o prédio passou a ser ocupado por algumas secretarias do Governo do Estado, como a Secretaria de Segurança Pública. A estrutura é tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Após o Governo Estadual se retirar do prédio, este foi devolvido à UFRN.

O dia que fiz uma tatuagem

A modificação corporal sempre existiu em mim. Desde criança gostei de piercing, tatuagem e cabelos coloridos. Quando era criança queria ter um cabelo rosa igual da jornalista Penélope do Castelo Rá-Tim-Bum, parecia que já tinha uma relação com a profissão que escolhi desde cedo e não sabia. Quando tinha oito anos queria colocar um piercing no umbigo, no qual isto nunca aconteceu.

Meu primeiro piercing foi na cartilagem da orelha aos 13 anos (feito de uma forma nada ortodoxa, graças à minha tia/madrinha enfermeira), dois anos depois coloquei outro no nariz e, aos 18 anos, com o meu primeiro dinheiro como bolsista, coloquei mais outro na orelha, mais precisamente na região do tragus (os dois últimos foram feitos em estúdio). Apesar de ter quase 10 anos de piercing, alguns pensam que isto ainda é uma fase e já perguntaram quando iria tirá-los.

Depois dos piercings, comecei a modificar a cor dos meus cabelos, que já foi verde, azul, vermelho, preto e vermelho de novo. Então, fazer uma tatuagem não demoraria muito de acontecer.  Quando a minha sogra soube que iria fazer uma tatuagem, ela ficou mais tensa que a minha mãe. Então, as duas começaram a resmungar e sempre diziam um “Ai, Jesus” quando alguém tocasse no assunto.

O cunhado do meu namorado, um médico ortopedista, já ficou falando coisas assim: “Você vai se ferrar, porque as costas é uma área sensível e sempre dói muito. Poderia ter escolhido outro canto”. Obrigada pela preocupação, mas eu já tive três cólicas renais, depilo meu corpo inteiro na cera e diversas crises de gastrite nervosas para saber que existem dores piores do que ser furada para desenhar. Outra coisa, não doeu e faria tudo de novo.

Um tio, que estava um pouco “alegre”, perguntou para mim: “Se você terminar o namoro e arranjar outro cara. Mas, ele não gostar da tatuagem. O que você vai fazer?”. Eu prontamente respondi: “Que ele vai para aquele canto”. Poxa, tio, meus relacionamentos anteriores foram abusivos e aprendi que estes tipos de homens não prestam.

Em suma, todo mundo queria ver eu me ferrar. Minha irmã dizia que queria ir ao estúdio para filmar o meu sofrimento. No final, quem me acompanhou foi o meu namorado, que sempre o levo nas maiores aventuras da minha vida.

Chega de digressão e vamos falar de tatuagem. Eu contei um pouco dessa trajetória no texto sobre a fila da tatuagem, no qual cheguei a sair escondido de casa para cometer este ato. Sempre quis fazer uma, mas não queria aquelas copiadas nos caderninhos de estúdio, desejava algo original e que misturasse as coisas que gostasse com alguma coisa que remetesse algo da minha biografia.

Dentro da yoga, eu descobri o significado da flor de lótus. Uma das posições mais conhecidas é a utilização das mãos voltadas para cima e com os polegares e indicadores se tocando. Se você juntar as duas mãos, elas vão se assemelhar com a posição das pétalas de lótus.

A flor nasce sobre as águas e permanece intacta apesar das condições mais adversas. Nos últimos três anos, eu tive diversos problemas pessoais. Então, a lótus caiu como uma luva para mim. As coisas só começaram a melhorar neste ano e era o momento ideal de tatuar algo.

Dia 13 de outubro foi algo especial, enfrentaria a fila final do Roberto Nascimento e finalmente faria uma tatuagem. Não precisei sair mais escondido e tudo já estava exposto.

This is a final countdown
This is a final countdown

Beto, como é conhecido pelos natalenses, já tatuou muitos amigos. Quando vi que as coisas que ele fez eram massa, este foi o escolhido. Minha mãe só se acalmou da ideia de ter meu corpo pintado após ver a tatuagem da minha amiga Bárbara e ter pesquisado a história do tatuador. Quando eu contei esta história durante a tatuagem, ele achou engraçado. Uma coisa que acho massa em Beto é a ausência de um caderninho no estúdio, a tatuagem é uma arte e precisa ser original.

Cheguei no estúdio no horário combinado, eu e meu namorado encontramos um amigo dele dos tempos de escola que mostrou uma tatuagem fail que fez quando bêbado e queria cobrir. Depois do papo engraçado, finalmente subi para o estúdio e começou todo o preparo.

Após desenhar a lótus nas minhas costas do jeito dele, sem saber como ficaria. A única coisa que queria era: lótus, aquarelada e sem nenhum traço preto.  Após o ronco da maquininha, comecei a ser furada, inicialmente falei que poderia ser pior a dor. Então, Roberto rapidamente tirou onda. “Mulher, fale isso não”. Entretanto, eu fiquei de boas o tempo todo esparramada e esperando ser tatuada.

Conversávamos sobre diversos assuntos, como parentes malucos,  jornalismo, amigos tatuados, escala de dores piores que a tatuagem e dentre outros.

Tatuagem finalmente pronta
Tatuagem finalmente pronta

Uma hora e meia depois, a tatuagem ficou pronta.  O meu namorado prontamente disse: “Você vai amar e ficou do jeito que queria”. Rapidamente, eu corri ao espelho e fiquei muito feliz, emocionada, pois o sentimento que está na pele era o mesmo que senti por dentro.

Agora, vou ter que tomar os cuidados para que ela fique eternizada na minha pele.