Juvenal Lamartine: Estádio numa era pré-Machadão

A entrada não parece, mas aquele lugar onde tem um monte de estabelecimentos fechados, no meio da Avenida Hermes da Fonseca, é um estádio. O monumento tem quase oito décadas e se chama Juvenal Lamartine, faz anos que não é usado nas competições de futebol. Foi inaugurado em 1928 e hoje o terreno é alvo das propostas de construtoras para construir novos prédios no bairro de Tirol.

Estádio atualmente competindo com os prédios existentes de Tirol (Foto: Tribuna do Norte)
Estádio atualmente competindo com os prédios existentes de Tirol (Foto: Tribuna do Norte)

Antigamente, os natalenses jogavam as primeiras partidas de futebol através das praças existentes na cidade. Além dos equipamentos públicos, os primeiros futebolistas utilizavam terrenos abandonados para realizar as suas primeiras jogatinas. Após a criação da Liga Norte-rio-grandense de Desportos Terrestres (LNDT) surgiu a ideia de construir um estádio.

Na década de 20, o governador do Rio Grande do Norte era o Juvenal Lamartine e os membros da LNTD reconheciam que o mesmo era o grande incentivador do esporte.

Convidado pela Liga para ver as instalações de um campo de futebol no bairro do Tirol, Lamartine ficou decepcionado e resolveu reformá-lo. Então, o governador contratou um arquiteto natalense que morava no Rio de Janeiro para fazer uma obra de reestruturação, no qual demorou seis meses para ficar pronto.

Com lugar para mais de cinco mil pessoas e uma estrutura aconchegante, o estádio foi inaugurado em 1928.

O estádio tinha uma fachada estilo barroco, desfigurada na ampliação, hoje ocupada por pequenas lojas, como foi falado inicialmente.

Na inauguração só havia gente rica de Natal. Os homens estavam todos arrumados com chapéu de palha e gravata borboleta, enquanto as mulheres usavam as roupas mais finas. Eles assistiram o jogo do ABC x Cabo Branco, no qual o time potiguar venceu de 5×2.

Com a inauguração do Machadão, o estádio Juvenal Lamartine foi perdendo sua serventia aos poucos. Atualmente, ele é administrado pela Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF). Recentemente, o Governo do Estado pediu a desapropriação do terreno com a intenção de construir um parque.

Sobre a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação

A Praça André de Albuquerque fica o marco zero de Natal. Ao seu redor, existe alguns prédios que marcaram as primeiras construções da capital potiguar, no qual está a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, santa padroeira da cidade, no qual contamos a história dela no texto sobre a Pedra do Rosário. Ao longo dos séculos, a igreja teve inúmeras modificações.

O prédio começou a ser construído em 1599. Seu modelo arquitetônico é barroco, que é comum nas igrejas instaladas pelo país. Inicialmente era uma capela, onde foi celebrada a missa de fundação da cidade.  Foi projetado por Gaspar de Samperes, o mesmo da Fortaleza dos Reis Magos.

O primeiro vigário provido na freguesia de Nossa Senhora da Apresentação foi o padre Gaspar Gonçalves da Rocha.

Algum tempo após a construção da primitiva capela projeta-se uma nova igreja, com dimensões superiores. Em 1619 o templo ampliado foi inaugurado. No ano de 1633, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação transformou-se em um templo calvinista, graças à invasão holandesa.

Após a expulsão dos holandeses, em 1654, o Padre Leonardo Tavares de Melo ficou responsável pela recuperação do prédio, que foi concluído em 1694.  A construção da torre, em 1862, concluía definitivamente, o projeto original da igreja.
Por muito tempo, o local já foi a Catedral Metropolitana, que mudou de local com a construção do atual prédio na Avenida Deodoro da Fonseca.

Hotel Reis Magos: Nosso finado hotel que querem demolir

Os natalenses, que presenciaram as décadas 60 e 70 na Praia do Meio, admiravam a beleza de um prédio cheio de curvas e que hospedavam diversos turistas. Estamos falando do Hotel Internacional dos Reis Magos, fechado há 20 anos e está passando por uma questão judicial para que a edificação seja demolida.

Entidades e alguns estudantes de arquitetura são contra a demolição, no qual realizarão um protesto neste próximo domingo (4). Para saber um pouco mais sobre o hotel, conheça a história a seguir.

O Hotel Internacional dos Reis Magos era considerado um símbolo do turismo potiguar, uma vez que foi o primeiro empreendimento turístico de alto padrão no Rio Grande do Norte. Sua arquitetura era modernista, cheio de cobogós e curvas. Esse tipo de modelo arquitetônico estava bastante presente nas ruas, como a construção da sede da AABB (Associação Atlética do Banco do Brasil) e da Cosern.

O hotel foi construído por iniciativa do governador Aluísio Alves que, para isto, contou com recursos da Aliança para o Progresso, do Banco Internacional de Desenvolvimento e do Governo Federal, através da ação da Sudene. O projeto foi elaborado pelos arquitetos pernambucanos Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres. Ressaltando que foi o estado de Pernambuco que estimulou a produção de prédios modernistas no Nordeste.

O local era bastante luxuoso, tinha 63 apartamentos, uma suíte presidencial, recepção, salões nobres, elevadores, parque aquático, sauna, playground, restaurante, estacionamento, boate, salão de beleza, áreas de lazer, lojas, serviço médico, e um saguão abrigado para embarque e desembarque. A ambientação ficou por conta de Janete Costa e o paisagismo por Gilda Pina.

A escolha do terreno também obteve a participação dos arquitetos. Eles escolheram esta área por oferecer uma infraestrutura de acesso, além de fornecer água potável, vias pavimentadas e ser próximo do centro da cidade e dos principais pontos turísticos, inclusive o Forte dos Reis Magos.

Sua inauguração aconteceu no dia 7 de setembro de 1965, ao som da Orquestra de Frevos de Nelson Ferreira. Inicialmente administrado pela Emprotur, de responsabilidade do governo do estado, posteriormente, durante 15 anos, o Hotel dos Reis Magos esteve arrendado à rede Tropical Hotéis, empresa que pertenceu à Varig.

O hotel fechou as portas em 1995. Após o fim do contrato, o governo privatizou, e foi comprado pela Hotéis Pernambuco S.A., que decidiu reformar e re-abrir novamente o empreendimento. Sua revitalização é vista como grande impulso ao desenvolvimento turístico da Praia do Meio. Tinha previsão de voltar em 2014, sem sucesso.

Hoje, o Reis Magos se encontra abandonado e todos que passam lamentam que aquelas ruínas ajudou a impulsionar o turismo potiguar.