19 19America/Bahia outubro 19America/Bahia 2015 – Brechando

Um pouquinho do Passo da Pátria

O Passo da Pátria fica entre a Ribeira, Cidade Alta e Alecrim. A comunidade fica as margens do rio Potengi e também da linha do trem. Mais de três mil pessoas vivem na região. O local surgiu próximo da Pedra do Rosário, um dos principais pontos turísticos da cidade.  Sua área totaliza mais de 200 metros quadrados.

O historiador Carlos Magno de Souza contou que o nome foi dado pelo então presidente da província José Olinto Meira, que homenageou os natalenses voluntários na Guerra do Paraguai (1864-1870) e ao fato do lugar ser passagem importante, porta de entrada da cidade na época.

No final do século XIX, era um importante local de encontro e lazer na cidade, onde funcionava um porto e uma feira, que funcionava durante a noite. Os primeiros moradores estavam relacionadas à estas duas atividades e tinham o baixo poder aquisitivo.  O porto recebia mercadorias vindas de Macaíba e São Gonçalo do Amarante.  Além disso, a fonte de renda dos moradores era a pesca artesanal, graças ao rio.

passo da patria (4)

De acordo com Daline Souza, em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), os moradores escolheram esse lugar por ser próximo do centro da cidade. A feira funcionou até os anos 1920. Com a construção do mercado da Cidade Alta, a feira livre deixara de funcionar.

Porém, o local sempre foi visto como um lugar era tratado de forma pejorativa, devido às construções das casas irregulares, falta de saneamento e denominava como um território de promiscuidade. Entre a década de 70 e 89, houve um crescimento da região composta por pessoas vindas do interior do Rio Grande do Norte.

O local é conhecido, pela imprensa, por causa da violência devido ao tráfico de drogas na região.  Apesar desse “lado ruim”, o local é cheio de pequenos comércios e bares.  É conhecido por ficar o final do canal do Baldo.

Oficialmente, o poder público reconhece esta região por três favelas: Passo da Pátria, Areado e Pantanal. Não é reconhecido como bairro, mas um complexo de favelas. Tipo o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que é composto por diversas favelas.

Demolição do Hotel Reis Magos está proíbida até a finalização do tombamento

Mais novidades sobre o caso do Hotel Reis Magos. O Tribunal Regional Federal, na cidade do Recife (PE), deu parecer pela manutenção da sentença que proíbe a demolição até o que o processo de tombamento seja concluído. O prédio foi construído em 1965 durante o governo de Aluísio Alves e foi o primeiro hotel estabelecimento de grande porte da cidade e um dos marcos do turismo potiguar.

Sua arquitetura era modernista, cheio de cobogós e curvas. O prédio foi projetado por arquitetos pernambucanos Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres, pioneiros dos prédios modernistas no Nordeste..

No dia 4 de outubro, o grupo [R]existe Reis Magos protestou em frente ao prédio contra o abandono e a possível demolição do estabelecimento. A apresentação contou com a apresentação artísticas de bandas potiguares e debate políticos entre moradores da região e arquitetos.

O local era bastante luxuoso, tinha 63 apartamentos, uma suíte presidencial, recepção, salões nobres, elevadores, parque aquático, sauna, playground, restaurante, estacionamento, boate, salão de beleza, áreas de lazer, lojas, serviço médico, e um saguão abrigado para embarque e desembarque. A ambientação ficou por conta de Janete Costa e o paisagismo por Gilda Pina.

A área foi escolhida por oferecer uma infraestrutura de acesso, além de fornecer água potável, vias pavimentadas e ser próximo do centro da cidade.

Sua inauguração aconteceu no dia 7 de setembro de 1965. Inicialmente administrado pela Emprotur, de responsabilidade do governo do estado, posteriormente, durante 15 anos, o Hotel dos Reis Magos esteve arrendado à rede Tropical Hotéis, empresa que pertenceu à Varig.

Show do Som da Mata vira caso de polícia neste fim de semana

Era para ser mais um domingo tradicional no Parque das Dunas. Era, no verbo passado. É tradição na cidade neste dia haver um show com bandas potiguares ou fora do estado.  O evento se chama Som da Mata e está incluso dentro da lei municipal de incentivo à cultura e tem apoio de importantes empresas. O problema que neste domingo (18) o que era para ser mais uma opção divertida para os natalenses virou uma tremenda dor de cabeça para produtores e integrantes do grupo.

O show era da banda pernambucana Kalouv, que está em atividade desde 2010 e é conhecida pelo seu som instrumental. Era a terceira vez só em 2015 que faria show na capital do Rio Grande do Norte e era para ser mais um show normal.

Tanto que a banda estava no Rio Grande do Norte desde sexta-feira e estava fazendo passeios bacanas na praia de Pipa, distante da cidade apenas 90 quilômetros. Os integrantes já são amigos de músicos da terrinha, principalmente do Coletivo Música Experimental.

Era 13 horas (sem horário de verão) quando a banda chegou ao Parque das Dunas, eles foram direto ao anfiteatro Pau-Brasil, começaram a montar seus instrumentos e fazer a passagem de som. Um dos músicos do coletivo chegou a emprestar a bateria para os rapazes tocarem. Realizaram a passagem de som e tudo estava tranquilo. Eles queriam começar a tocar no horário, 16h30.

O Kalouv estava na segunda música quando a Polícia Militar chegou com um decibelímetro, que foi medido em frente ao palco. Então, o som teve que ser abaixado. Entretanto, a banda ficou sem o retorno, ou seja, não estavam conseguindo lhes ouvir. Então, o grupo decidiu encerrar o show mais cedo e pediu para que a plateia fosse bater palmas.

Foi neste momento que a polícia voltou e levou o produtor e os integrantes para a Plantão Zona Sul, no bairro de Candelária, causando vaias da plateia.

A notícia se espalhou rápido graças ao depoimento do vocalista da banda Talude, Victor Romero, através de seu perfil pessoal do Facebook, que criticou duramente a ação da polícia. “Já teve várias bandas que tocaram muito mais alto que aquilo e nunca deu em nada”, disse Victor para o Brechando.

O músico comentou que não sabe quem denunciou, pois as informações são sigilosas, mas confirma que eles não possuem problemas com alguém da cidade. “O pior de tudo, eles levaram todos os instrumentos e o rapaz quem emprestou a bateria para banda foi indiciado por ter emprestado, dizendo que ele tinha cometido um crime indireto”, alegou.

Confira a nota de Romero a seguir:

Todo repúdio à atuação altamente questionável da Polícia Militar Ambiental hoje, no evento Kalouv no Som da Mata, realizado no Parque das Dunas aqui em Natal. De forma bastante desrespeitosa tanto para o público como para a banda (que veio de Recife apenas para tocar nesse evento), a Polícia interrompeu a apresentação para obrigar a banda Kalouv a baixar ainda mais o volume; tiveram que deixá-lo tão baixo que os músicos mal conseguiam se escutar no palco (e o público menos ainda).

Impossibilitados de continuar o show, os músicos pediram para que o público cantasse e aplaudisse um pequeno trecho de uma música junto para dar encerramento precoce à apresentação. Porém, num show de autoritarismo e silenciamento da arte totalmente incompatível com uma democracia que respeita a liberdade artística, os policiais deram voz de prisão para a banda e para um dos produtores do evento. Já fui em várias outras edições do Som da Mata antes e nunca ocorreu qualquer intervenção relacionada ao volume, mesmo com bandas que tocaram muito mais alto que a Kalouv e nenhum agente sequer estava lá. Por que causar todo esse constrangimento logo quando é um artista de fora da cidade que vem se apresentar aqui?

Esse tipo de criminalização da arte é coisa que devia ter ficado como página virada nos livros de história. Mas não, é real, aconteceu hoje, quase agora. Deram voz de prisão só por que pediram pro público puxar um coro e bater palmas. 

Um advogado, que estava na plateia, acompanhou os rapazes e o produtor da banda a delegacia. Eles foram liberados na mesma noite.  O selo do grupo, Sinewave Label, também enviou uma nota de repúdio sobre a ação, que pode ser conferida neste link.

O músico, Jônatas Barbalho, quem emprestou a bateria disse que a banda só foi autuada por pertubação. “Na hora que aconteceu [a ação da polícia] foi inacreditável. Eu fui autuado só porque emprestei a bateria que estava usando e passamos quatro horas na delegacia ontem por causa disso”, comentou o jovem.

Até o momento, o Instituto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Idema), quem administra o Parque das Dunas, ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.

*Atualizado às 10h32, do dia 19/10/2015