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Quem foi o autor da chacina do baile funk de Mossoró?

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Era uma festa de fim de semana, que aconteceria em um bairro periférico da cidade de Mossoró. Neste sábado (11) aconteceria o Primeiro Baile de Favela, um baile que iria tocar funk e rap, porém o evento acabou em morte. Houve correria e outras pessoas acabaram baleadas ou feridas a partir de uma arma calibre 12 e espingarda. Os mortos foram: Eduardo Nunes Farias, de 19 anos; Eriely Amanda de Souza Neves, de 21 anos; Israel Gomes Bezerra, de 19 anos; Kaynan Gomes, conhecido como “Mc Kay”, de 16 anos; e Jocie Morais da Fonseca, de 20 anos. Inicialmente, a polícia havia divulgado que o DJ que tovaca na festa tinha morrido no Hospital Regional Tarcísio Maia, mas, na manhã deste domingo (12), a informação foi corrigida. O DJ está entre os feridos e a vítima que morreu no hospital foi Jocie Morais.

Foto: G1

Entre os outros mortos, a jovem Eriely Amanda foi atingida por um tiro de espingarda na cabeça. Ela tinha sido mãe no final do ano passado. Kaynan Gomes ainda tentou correr, mas caiu morto próximo ao portão de acesso ao local do evento. Eduardo Nunes também tentou correr para se salvar, no entanto, foi perseguido e morto nas imediações do clube. O Kaynan era conhecido como o Mc Kay, um dos funkeiros que estava se apresentando durante o evento e tinha apenas 16 anos, mas estava começando a despontar na cena funkeira de Natal, no qual fazia uma música no estilo funk ostentação, que pode ser visto a seguir no clipe que lançou em janeiro deste ano:

No ano passado, ele participou de uma matéria sobre o Festival de Funk do Rio Grande do Norte:

Seria mais uma apresentação do garoto, que queria ajudar a crescer o cenário funkeiro da cidade, mas criminosos armados invadiram um baile funk, em Mossoró, região Oeste do Rio Grande do Norte, e mataram cinco pessoas. Pelo menos outras cinco pessoas ficaram feridas. A chacina aconteceu no final da noite deste sábado (11). A polícia ainda investiga o que pode ter motivado o ataque no clube. Mas faz três dias que não tem informação sobre o motivo de ter levado o ataque e o por que ter matado o artista? Seria mais um caso do Daleste potiguar. Como assim?

Para quem não se lembra, o MC Daleste era o funkeiro paulista que nasceu na zona Leste de SP (por isso o nome artístico),  criado por família de baixa renda. Era o caçula de três irmãos. Teve uma infância sofrida e conturbada por perder sua mãe muito cedo, devido a complicações de um derrame.

Daleste iniciou sua carreira musical em 2009, divulgando suas primeiras canções na Internet através de uma Lan House.A partir de 2012, MC Daleste abandona o tema do crime em suas músicas para contar o dia a dia de um milionário, engajando de vez com o conhecido Funk ostentação. Foi um dos responsáveis pela popularização do subgênero, produzindo algumas das canções de maior destaque do funk ostentação como “Deusa da Ostentação”, “Mina de Vermelho”, “Quem é?”, “Gosto Mais do Que Lasanha”, “Mais Amor, Menos Recalque!”, “Angra dos Reis” e, postumamente, a canção “São Paulo”.

Daleste no auge de sua carreira faturava mais de 200 mil reais por mês, chegando a realizar mais de 40 shows. Trabalhou em parceria musical com vários outros grandes nome do funk ostentação como, MC Léo da Baixada, MC Dede, MC Danado e MC Pocahontas, e MC Kelvinho.

MC Daleste foi assassinado por dois tiros de arma de fogo enquanto fazia um show na cidade paulista de Campinas. Um deles acertou seu braço esquerdo de raspão e outro abaixo do peito. Segundo a perícia, ocorreram três disparos na noite do dia 7 de julho de 2013. Seu óbito foi confirmado no início da madrugada de domingo no Hospital Municipal de Paulínia, para onde foi levado. Até o momento, nunca soube quem matou e o motivo do crime.

Voltando a Mossoró, além dos mortos, mais pessoas ficaram feridas, que foram:

Gabriela Almeida, de 24 anos,
Emerson Pablo, de 23 anos.
Artur Deivid de Araújo Almeida, 21 anos
Ketler de Sousa,
João Felipe C. da Silva, 21 anos
Lucas Lima Rezende, de 21 anos

O Emerson citado na lista era um dos DJS da festa. Além disso, uma das assasinadas Eriely Amanda havia sido mãe apenas há três meses, também deixando um outro filho órfão. Qual foi o motivo da morte? As pessoas que foram mortas eram realmente o alvo?

Eriely Amanda havia sido mãe recentemente (Foto: Facebook)

O crime foi repercutido no Uol, Folha de S. Paulo, O Globo, Correio da Bahia, Diário de Pernambuco e o jornal El Novo Diário, de Nicarágua. Os sobreviventes ainda estão internados no Hospital Regional Tarcísio Maia.  Os dados do Observatório da Violência Letal Intencional do Rio Grande do Norte (OBVIO), grupo que estuda a violência urbana no Rio Grande do Norte, apontaram que em 90 dia mais de 484 potiguares foram assassinados em 90 dias do ano. Com a chacina no baile funk, os dados apontam que este foi o momento mais violento na Região Oeste, no ano de 2017.

De acordo com o portal O Mossoroense, o caso que chocou a cidade de Mossoró pela violência, mobilizou as redes sociais devido ao momento pelo qual passa a cidade. Além da chacina registrada neste sábado a cidade acompanha uma onda de violência que envolve arrastões, invasões de casas, estabelecimentos comerciais, assaltos a veículos, confronto de facções criminosas e cidadãos comuns feridos a bala.

Lara Paiva

Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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