Adivinha que está vendendo em Natal? Sim, Guaraná Jesus

Seguindo a sugestão dos Brecheiros, que agradeço bastante. Sim, o Guaraná Jesus está sendo vendido nas terras potiguares e em grandes supermercados, como Favorito (foto acima do título de autoria do Felipe Magno) e Nordestão. Alguns leitores estão comentando que também pode ser encontrado na Docelândia do Midway Mall e em pequenas lanchonetes espalhadas na capital do Rio Grande do Norte.

A delícia cor de rosa começou a ser expandida em outros estados brasileiros no ano passado. Você pode nunca ter pisado no Maranhão, mas já bebeu um dos produtos mais conhecidos do estado, o Guaraná Jesus. Alguns dizem que tem gosto de xarope, mas acho muito bem e fico feliz quando as pessoas trazem esta iguaria para mim de presente quando vão viajar por aquela região. Inicialmente, ela chegou nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

O Guaraná Jesus é principalmente popular por sua cor rosa e sabor diferente, com toques de cravo e canela. A bebida, lançada em 1927, se tornou um dos ícones do Maranhão, sendo muito procurado por turistas que visitam as cidades do estado. Ainda existe a versão Jesus Zero.

Ao contrário dos três primeiros estados, que uma lata de 350 ml de Jesus custara cinco reais, aqui em Natal está no mesmo preço que uma Coca-Cola e Guaraná Antártica.

Guaraná Jesus é um refrigerante cor de rosa com sabor adocicado, lembrando vagamente cravo e canela, devido a estes serem alegadamente dois de seus 17 ingredientes. A fórmula foi criada pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes (que era Ateu). O guaraná surgiu de uma tentativa frustrada de fabricar um remédio. Mas o novo xarope agradou muito os netos do farmacêutico, que faleceu em 1963.

Na década de 1980, a marca de refrigerante Guaraná Jesus é vendida para a Companhia Maranhense de Refrigerantes e começa a engarrafar o produto. Hoje, o produto pertence a empresa Coca-Cola. Devido à campanha de 2008 para a nova identidade visual das embalagens, ganhou em primeiro lugar, na categoria melhor estratégia de marketing, o Prêmio Internacional de Excelência em Design.

Quem foi o autor da chacina do baile funk de Mossoró?

Era uma festa de fim de semana, que aconteceria em um bairro periférico da cidade de Mossoró. Neste sábado (11) aconteceria o Primeiro Baile de Favela, um baile que iria tocar funk e rap, porém o evento acabou em morte. Houve correria e outras pessoas acabaram baleadas ou feridas a partir de uma arma calibre 12 e espingarda. Os mortos foram: Eduardo Nunes Farias, de 19 anos; Eriely Amanda de Souza Neves, de 21 anos; Israel Gomes Bezerra, de 19 anos; Kaynan Gomes, conhecido como “Mc Kay”, de 16 anos; e Jocie Morais da Fonseca, de 20 anos. Inicialmente, a polícia havia divulgado que o DJ que tovaca na festa tinha morrido no Hospital Regional Tarcísio Maia, mas, na manhã deste domingo (12), a informação foi corrigida. O DJ está entre os feridos e a vítima que morreu no hospital foi Jocie Morais.

Foto: G1

Entre os outros mortos, a jovem Eriely Amanda foi atingida por um tiro de espingarda na cabeça. Ela tinha sido mãe no final do ano passado. Kaynan Gomes ainda tentou correr, mas caiu morto próximo ao portão de acesso ao local do evento. Eduardo Nunes também tentou correr para se salvar, no entanto, foi perseguido e morto nas imediações do clube. O Kaynan era conhecido como o Mc Kay, um dos funkeiros que estava se apresentando durante o evento e tinha apenas 16 anos, mas estava começando a despontar na cena funkeira de Natal, no qual fazia uma música no estilo funk ostentação, que pode ser visto a seguir no clipe que lançou em janeiro deste ano:

No ano passado, ele participou de uma matéria sobre o Festival de Funk do Rio Grande do Norte:

Seria mais uma apresentação do garoto, que queria ajudar a crescer o cenário funkeiro da cidade, mas criminosos armados invadiram um baile funk, em Mossoró, região Oeste do Rio Grande do Norte, e mataram cinco pessoas. Pelo menos outras cinco pessoas ficaram feridas. A chacina aconteceu no final da noite deste sábado (11). A polícia ainda investiga o que pode ter motivado o ataque no clube. Mas faz três dias que não tem informação sobre o motivo de ter levado o ataque e o por que ter matado o artista? Seria mais um caso do Daleste potiguar. Como assim?

Para quem não se lembra, o MC Daleste era o funkeiro paulista que nasceu na zona Leste de SP (por isso o nome artístico),  criado por família de baixa renda. Era o caçula de três irmãos. Teve uma infância sofrida e conturbada por perder sua mãe muito cedo, devido a complicações de um derrame.

Daleste iniciou sua carreira musical em 2009, divulgando suas primeiras canções na Internet através de uma Lan House.A partir de 2012, MC Daleste abandona o tema do crime em suas músicas para contar o dia a dia de um milionário, engajando de vez com o conhecido Funk ostentação. Foi um dos responsáveis pela popularização do subgênero, produzindo algumas das canções de maior destaque do funk ostentação como “Deusa da Ostentação”, “Mina de Vermelho”, “Quem é?”, “Gosto Mais do Que Lasanha”, “Mais Amor, Menos Recalque!”, “Angra dos Reis” e, postumamente, a canção “São Paulo”.

Daleste no auge de sua carreira faturava mais de 200 mil reais por mês, chegando a realizar mais de 40 shows. Trabalhou em parceria musical com vários outros grandes nome do funk ostentação como, MC Léo da Baixada, MC Dede, MC Danado e MC Pocahontas, e MC Kelvinho.

MC Daleste foi assassinado por dois tiros de arma de fogo enquanto fazia um show na cidade paulista de Campinas. Um deles acertou seu braço esquerdo de raspão e outro abaixo do peito. Segundo a perícia, ocorreram três disparos na noite do dia 7 de julho de 2013. Seu óbito foi confirmado no início da madrugada de domingo no Hospital Municipal de Paulínia, para onde foi levado. Até o momento, nunca soube quem matou e o motivo do crime.

Voltando a Mossoró, além dos mortos, mais pessoas ficaram feridas, que foram:

Gabriela Almeida, de 24 anos,
Emerson Pablo, de 23 anos.
Artur Deivid de Araújo Almeida, 21 anos
Ketler de Sousa,
João Felipe C. da Silva, 21 anos
Lucas Lima Rezende, de 21 anos

O Emerson citado na lista era um dos DJS da festa. Além disso, uma das assasinadas Eriely Amanda havia sido mãe apenas há três meses, também deixando um outro filho órfão. Qual foi o motivo da morte? As pessoas que foram mortas eram realmente o alvo?

Eriely Amanda havia sido mãe recentemente (Foto: Facebook)

O crime foi repercutido no Uol, Folha de S. Paulo, O Globo, Correio da Bahia, Diário de Pernambuco e o jornal El Novo Diário, de Nicarágua. Os sobreviventes ainda estão internados no Hospital Regional Tarcísio Maia.  Os dados do Observatório da Violência Letal Intencional do Rio Grande do Norte (OBVIO), grupo que estuda a violência urbana no Rio Grande do Norte, apontaram que em 90 dia mais de 484 potiguares foram assassinados em 90 dias do ano. Com a chacina no baile funk, os dados apontam que este foi o momento mais violento na Região Oeste, no ano de 2017.

De acordo com o portal O Mossoroense, o caso que chocou a cidade de Mossoró pela violência, mobilizou as redes sociais devido ao momento pelo qual passa a cidade. Além da chacina registrada neste sábado a cidade acompanha uma onda de violência que envolve arrastões, invasões de casas, estabelecimentos comerciais, assaltos a veículos, confronto de facções criminosas e cidadãos comuns feridos a bala.

Dia da Poesia Seis poemas de potiguares da antiga e nova geração

Hoje é 14 de março, dia nacional da poesia. Neste período, está rolando várias atividades em Natal para comemorar este importante gênero literário. A data é celebrada, pois foi o dia que nasceu o grande poeta brasileiro Castro Alves. Poeta romântico, Castro Alves morreu de tuberculose na capital baiana Salvador em 06 de julho de 1871, com apenas 24 anos. Foi ele quem escreveu obras clássicas como “Navio negreiro” e “Espumas flutuantes”.

Mas não é dia 31 de outubro? Existe uma lei 13.131/2015, que criou oficialmente o Dia Nacional da Poesia. Esse Projeto de Lei, sugerido pelo senador Álvaro Dias, teve proposta aceita para que o Dia Nacional da Poesia fosse comemorado no dia 31 de Outubro, nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade. Mas, algumas entidades ainda celebram o dia 14 de março.

Para comemorar, nós selecionamos seis poetas potiguares. Três clássicos da literatura potiguar e o restante representa a nova geração de poema. Apreciem este momento.

Antiga geração: 

Auta de Souza

CAMINHO DO SERTÃO

A meu irmão João Cancio

Tão longe a casa! Nem sequer alcanço
Vê-la através da mata. Nos caminhos
A sombra desce; e, sem achar descanso,
Vamos nós dois, meu pobre irmão, sozinhos!

É noite já. Como em feliz remanso,
Dormem as aves nos pequenos ninhos…
Vamos mais devagar… de manso e manso,
Para não assustar os passarinhos.

Brilham estrelas. Todo o céu parece
Rezar de joelhos a chorosa prece
Que a Noite ensina ao desespero e a dor…

Ao longe, a Lua vem dourando a treva…
Turíbulo imenso para Deus eleva
O incenso agreste da jurema em flor.

Zila Mamede

CANÇÃO DA ROSA DE PEDRA

Essa, a rosa da promessa
da noite do nosso amor,
murcha rosa indiferente,
sem alma, escassa de olor?

Por que essa rosa de pedra,
o meu presente nupcial?
– Pantanosa flor de lama
gerada em brisas de sal.

O riso da minha infância,
gritam-no abismos de sangue
onde boia impura, incauta,
flor de pedra, flor de mangue.

A vã promessa incumprida
na noite do nosso amor
repousa em praias de sombra
navega em mares de dor.

Ferreira Itajubá

Recordação
Vi-te. Era noite, a lua descorada
Brilhava nas paragens luminosas
E a noite estava toda embalsamada,
Por que exalavam no canteiro as rosas.
Das esferas azuis, de etéreas pagas.
A luz descia cristalina, em jorros:
Ao longe as águas sem rumos das vagas
E a solidão tristíssima dos morros!

Quando te vi, quando me viste, amamos…
Branca, não sei se recordas… quando
Era a terra um rosal e, pelos ramos,
O mês do incenso ia desabrochando…
Amamo-nos e vivemos docemente
Sobre aterra cheirosa, erma de escolhos,
E eu me banhava apaixonadamente
No santíssimo orvalho de teus olhos

Que febre imensa a do primeiro beijo!
Mornos, teus seios virgens palpitavam…
Ah, quantas vezes, cheios de desejo
Os meus lábios nos teus castanholavam!
Então, se eu te falava em noivado,
Tu me dizias:”meu amor espera,
Deixa que alveje a lua se pecado,
Até que volte o sol da primavera”

Desse tempo risonho do passado
Cheio de tantos sonhos, de ilusões,
Eu tenho o peito agora incendiado
No fogo vivo das recordações…
De ti me lembro. e quando, nestas plagas,
A luz desaba cristalina, em jorros,
Eu vejo ao longe, sem rumos, as vagas
E a solidão tristíssima dos morros.

Nova geração:

Murilo Zatú

sophia

sem chance
sem mais
sem chão

sem sundae
nem sushi
nem hot dogs

sem jung
nem nietzsche
sem a forma das formas
sem o cálculo do vazio
sem a angustia da incerteza
sem a pujança da loucura

sem mais delongas
sem conversa fiada
sem a língua minguante
nem a noite
nem a ausência

sem o gatilho
nem a adaga afiada
sem o corpo
chocho
na maresia álgida

sem flores
sem cactos
sem manjericões
sem pêras
tangerinas
ou melões
cebolas
ou tomates
ou salsa, uma valsa
um bolero

a meia noite é para os ermos
como o crepúsculo é para os cépticos

Gonzaga Neto

morangos frescos se perdem entre os dentes

no breu do quarto
sinto cheiro de móveis amadeirados
quando as batatas da tua perna tentem me sufocar

mãos que hesitam
coxas que excitam

dedo
médio
boca
adentro

você mastiga meus olhos
e escarra um sonoro ‘eu te amo’
antes de despir seu tronco do meu

– eu também

Regina Azevedo

Tomar catuaba com você
Tomar catuaba com você
é ainda mais tesudo
que ir a Hellcife, Natal, Fortaleza
ou ficar sequelado de 51 na Lapa

em parte por dançar forró com um mendigo suado
em parte por você ser o boy com o quadril mais eficiente do mundo
em parte por causa do meu amor por você
em parte por causa do seu amor por maconha
em parte por causa dos ipês albinos na estrada de Brasília

é difícil de acreditar quando estou com você
na existência de algo tão inerte
tão inodoro e ao mesmo tempo tão putrefato
quanto o atual Presidente da República

Nós andamos entre as fantasias da nossa canção
e de repente você se pergunta por que caralhos
alguém construiria um edifício atrapalhando o carnaval
Eu imagino o desmoronamento de um arranha-céu
e eu prefiro assistir ao acontecimento
de um desastre natural refletido nos seus olhos
Eu prefiro ver o seu sorriso diante de um maremoto
diante da falência da agroindústria ou das imobiliárias
a ver qualquer quadro pós-impressionista
exceto talvez Lautrec porque quando eu danço com você
eu não preciso fechar os olhos pra dançar com a melhor pessoa do mundo

Tomar catuaba com você
é ainda mais tesudo
que te assistir tragando um míssil
que ouvir você falando da potência das flores
que reposicionar a cama no lugar
que tropeçar e te encontrar
repetindo a palavra calma
enquanto o vento nos dá um sacode
e você diz que sente
a primavera fazendo cócegas
em nossas barrigas