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O Atol das Rocas é um local que pertence ao Rio Grande do Norte e foi “descoberto” no ano de 1500. O primeiro mapa do Brasil, em 1502, já mostrava a existência do lugar. Apesar de ser conhecido desde o século XVI, o primeiro mapa detalhado de Rocas surgiu apenas em 1852, desenhado pelo Capitão-Tenente Phillip Lee, com a denominação de Baixo das Rocas ou Baixo das Cabras. Rocas aparece caracterizado como atol em 1858, num levantamento batimétrico feito pelo Comandante Vital de Farias.

Devido à pouca profundidade de suas águas, a navegação nesse trecho da costa é muito perigosa. Os acidentes marítimos em Rocas eram frequentes e, no final do século XIX, iniciou-se a construção do primeiro farol do Atol das Rocas, no qual os restos dele se encontram na ilha até hoje.

Foto: Flickr

Após a sua destruição, o atual farol existe desde 1967 e pode ser visto a seguir:

Por mais que fique a 260 km a nordeste de Natal, somente pesquisadores podem adentrá-la. Mas por que não existe programas de turismo lá? O Atol das Rocas é protegido por uma reserva biológica. É a primeira Reserva Biológica Marinha do Brasil. Sua criação deu-se através do Decreto-lei N.º 83.549, de 5 de junho de 1979. Ela está inserida em uma área de 37,820 ha, delimitada pela isóbata de 1,000 m de um monte submarino pertencente à Cadeia Fernando de Noronha, a partir da Ilha do Farol. Tem uma área de aproximadamente 755,1 ha e abriga, além da Ilha do Farol, a Ilha do Cemitério, ambas de origem biogênica.

Para vir ao Atol, o pesquisador, que deve ser vinculado a alguma universidade ou instituição de pesquisa, tem que apresentar um requerimento informando os objetivos do estudo e como ele será realizado. Fazemos uma análise e, caso seja aprovada a pesquisa, o cientista entra na fila de espera. Isso se dá porque é permitido apenas o máximo de cinco pesquisadores por vez no Atol.” Cada expedição – período em que o cientista fica no Atol – dura entre 20 e 30 dias. Caso seja necessário, o pesquisador pode voltar quantas vezes forem necessárias até a conclusão do estudo.

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Antes disso, o local era alvo de pesca predatória das diversas espécies de peixes que se reproduzem por lá e principalmente de lagostas.

Ele é uma reserva biológico pelo fato de sua alta produtividade biológica e por ser uma importante zona de abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies animais. Os recifes que compõem Rocas crescem no topo de um monte submarino pertencente à Zona de Fratura de Fernando de Noronha. Com uma área de aproximadamente 755,1 hectares, o Atol das Rocas está entre os menores do mundo. De formato oval, tem 3,7 km de comprimento, 2,5 km de largura e um perímetro 7 km.

As areias de Rocas têm origem biológica, sendo compostas principalmente por estruturas calcárias fósseis de algas coralináceas. Essas areias de origem biológica acumularam-se em duas faixas com forma de anel aberto no interior do atol, originando a Ilha do Farol e a Ilha do Cemitério. Juntas, têm uma área de aproximadamente 36 ha. Durante a maré baixa, o anel de recifes que forma o atol fica exposto e, no seu interior, surgem piscinas naturais, de tamanhos diversos e profundidade de até 6 m. Na maré alta, apenas as duas ilhas interiores e o perímetro do atol, com sua margem formada por recifes, ficam emersas.

O Atol das Rocas serve de berçário a muitas espécies. Todos os anos milhares de aves e centenas de tartarugas-verdes retornam para lá para desovar. O local também é área de abrigo e alimentação da tartaruga-de-pente. Em suma, ele é um grande lugar para pesquisadores.

É considerado uma das áreas mais importantes para a reprodução de aves marinhas tropicais do Brasil, abrigando pelo menos 150 milhares de aves, de quase 30 espécies diferentes. Atualmente vivem, o ano todo, cinco espécies de aves residentes: duas de atobás, uma de trinta-réis (ave) ou andorinha do mar e duas de viuvinhas, os atobás-de-patas-vermelhas e as fragatas vêm de Fernando de Noronha para pescar. Além delas, 25 espécies migratórias fazem de Rocas um porto permanente. Passam por ali espécies originárias da Venezuela, da África e até maçaricos provenientes da Sibéria.

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Quase 100 espécies de algas, 44 de moluscos, 34 de esponjas, sete espécies de coral e duas espécies de tartarugas já foram ali identificadas. Entre os 24 crustáceos, destacam-se o caranguejo terrestre e o aratu, que somente habitam ilhas oceânicas. O primeiro levantamento da fauna de insetos do Atol foi realizado em 2000, quando 12 espécies de insetos foram registrados e 3 espécies de aracnídeos, dentre eles um escorpião com veneno pouco perigoso para humanos.

No Atol, ainda foram ainda catalogadas 147 espécies de peixes diferentes, entre os sargos, garoupas e xaréus. Mas apenas duas dessas espécies, o gudião e a donzela (peixe) são exclusivas da região, que abrange o Atol das Rocas e o Arquipélago de Fernando de Noronha, o tubarão-limão, uma espécie rara em Rocas tem motivado estudos de vários cientistas brasileiros e estrangeiros, a espécie passa o início da vida em cardumes, na laguna e nas piscinas do atol.

O manuseio ou captura de peixes, aves, caranguejos, tartarugas e tubarões só são permitidos para fins de pesquisa científica. Fora isso, não é permitido nem mesmo pescar para se alimentar

Hoje, o espaço é administrado pelo Instituto Chico Mendes.


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3 thoughts on “Como assim não existe turismo no Atol das Rocas?







  1. O local não só produz pesquisas como é referência, seguem os links. E não é “chegado do governo” que “proíbi de irem num lugar”, o Atol é Reserva Biológica, simplesmente NINGUÉM pode ir lá fazer turismo, só pesquisa.

    http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2015/05/atol-das-rocas-se-torna-referencia-em-pesquisas-sobre-vida-marinha-no-pais.html
    https://noticias.ufsc.br/2015/06/pesquisadores-da-ufsc-revelam-segredos-da-vida-marinha-no-atol-das-rocas/

  2. se procurar por pesquisas quase não tem nenhuma vinda desse lugar.
    basicamente pegam o dinheiro do povo pra proibi de irem num lugar, o dinheiro fica com os chegados do governo e a ilha vira um tipo de ilha particular do pessoa do instituto chico mendes

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