Aluízio Alves x Dinarte Mariz: Explicando a famosa rixa política

Vermelho x Verde, quem foi testemunha de uma eleição no interior do Rio Grande do Norte sabe o que estou falando. A origem desta rixa de cores de partido veio na década de 60, quando o Governo do Estado foi disputado por Aluízio Alves e Dinarte Mariz, período que surgiu a Ditadura Militar e, consequentemente, os partidos MDB e Arena.

Aluízio Alves era formado em direito, mas trabalhava como jornalista. Sua vocação política surgiu em consequência das suas atividades profissionais e a estréia se deu sob as bênçãos de José Augusto Bezerra de Medeiros e Dinarte Mariz, líder da UDN potiguar e, assim, Alves foi eleito deputado federal em 1945 e participou da Assembleia Nacional Constituinte que promulgaria a nova Constituição em 18 de setembro de 1946. Reeleito em 1950, 1954 e 1958, chegou aos postos de secretário-geral da UDN e vice-líder da bancada.

O rompimento entre Mariz e Alves surgiu quando o Mariz, governador recém-eleito, ignorou uma série de ações de governo que foram reunidas por Aluísio Alves num extenso documento. Irritado, afastou-se politicamente de seu mentor e ingressou no PSD e foi eleito governador em 1960 para o desgosto de Dinarte Mariz.

Com a vitória da Ditadura Militar, os dois citados apoiaram inicialmente o golpe, que aconteceu no dia 01 de abril de 1964. Inicialmente, ambos ingressaram no Arena. Mas, a convivência entre os dois não era nada tranquila. A paz entre vermelho e verde durou até o ano seguinte, quando Alves apoiou Walfredo Gurgel para o governo e Dinarte o oposto.

Campanha de Walfredo Gurgel (Foto: Morada da Memória)

A vitória de Walfredo Gurgel impediu que o estado fosse governado, pela segunda vez, por Dinarte, confirmando “a supremacia política da família Alves” e, ao mesmo tempo, contribuindo para o aumento do radicalismo político.

Em 1966, Dinarte veta a candidatura de Aluízio Alves para o Senado. Apesar de dominar a maioria dos diretórios municipais da ARENA, Dinarte não teve forças para fazer um candidato seu, contentando-se com um arranjo de conveniência. O mossoroense Duarte Filho foi o ungido pela ARENA. A indicação e a eleição de Duarte Filho, candidato consensual da ARENA verde (Aluízio) e da ARENA vermelha (Dinarte) não garantiu a pacificação do partido.

Três anos depois, com a instalação do Ato Institucional número 5 houve a cassação de Aluízio Alves, fazendo com que ele migre para o MDB.

Dinarte Mariz

No início da década de 1970, os dois líderes políticos lançaram as candidaturas de seus herdeiros políticos: Henrique Eduardo Alves e Wanderley Mariz. Nessa época, Dinarte encontrava-se no auge de sua carreira política, enquanto Aluízio encontrava-se no ostracismo. Foi também na década de 1970 que surgiu uma nova oligarquia política – Maia, liderada por Tarcísio Maia, substituindo a liderança do senador Dinarte Mariz. Ao mesmo tempo, as eleições para chefes de estado passaram a ser indiretas, surgindo assim os prefeitos e governadores biônicos.

Os dois inimigos políticos só se uniram apenas no final da década de 70, durante a gestão de Tarcísio Maia, no qual depois os Alves viraram inimigos políticos da segunda família citada na década de 80.

Dinarte Mariz faleceu em 1984.

Como uma flanelinha mudou em 10 anos

O fotojornalista Ney Douglas Marques já trabalhou nos principais jornais e portais da cidade do Natal. É conhecido por registrar o cotidiano da cidade do Natal. No ano de 2007, ele fotografou uma flanelinha de nome Maria, que se tornou personagem de uma reportagem feita para o Jornal de Hoje em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Chamou atenção pelos olhos verdes que ficaram bastante destacados na lente.

De acordo com Douglas, ela ficava pastorando os carros no cruzamento das avenidas Prudente de Morais com a Capitão-Mor Gouveia. Neste ano, ele encontrou novamente Maria, na Prudente, e registrou. O resultado pode ser visto a seguir:


A história da flanelinha lembra a de Sharbat Gula, uma mulher afegã da etnia Pashtu. Seu rosto ficou famoso na capa da revista norte-americana National Geographic.

Gula perdeu os seus pais durante o bombardeio soviético do Afeganistão. Enquanto ela estava no campo de refugiados Nasir Bagh, no Paquistão, em 1984, ela foi fotografada pelo fotógrafo Steve McCurry. Gula, então com 12 anos de idade, era uma das estudantes em uma escola dentro do campo de refugiados. McCurry tirou a foto quando a encontrou sem burcaas – dada a rara oportunidade de fotografar o rosto de mulheres afegãs (a lei afegã obrigava as mulheres a usarem a burca).

Embora seu nome não fosse conhecido, sua foto, nomeada Afghan Girl (Menina afegã), apareceu na capa da revista National Geographic, edição de junho de 1985. A imagem de seu rosto, com um tecido enrolando sua cabeça, e seus olhos verdes olhando diretamente para a câmera fotográfica, tornou-se um símbolo do conflito entre afegãos e da situação dos refugiados por todo o mundo. A foto de Gula foi nomeada como a fotografia mais reconhecida na história da revista.

A identidade da menina afegã ficou desconhecida por mais de 15 anos, à medida que o Afeganistão continuava fechado para a imprensa ocidental, até a queda do taliban, em 2001. McCurry fez várias tentativas em localizar Gula, na década de 1990, mas sem sucesso.

Em janeiro de 2002, uma expedição da National Geographic viajou ao Afeganistão, com a missão de localizar Gula, a pessoa da famosa fotografia. McCurry, ao saber que o campo de refugiados Nasir Bagh estava para fechar, perguntou aos outros refugiados que ainda moravam no campo. Um deles conhecia o irmão de Gula, e conseguiu fornecer pistas da localização de Sharbat Gula.

A expedição finalmente encontrou Sharbat Gula, então, com 30 anos de idade, numa região remota do Afeganistão. Ela tinha voltado para o seu país de origem em 1992. A sua identidade foi confirmada, usando tecnologia biométrica.

A história de Sharbat Gula foi mostrada na edição de abril de 2002. Ela também foi o principal tema de um documentário de televisão, que foi ao ar em março de 2002. Em reconhecimento a Gula, a National Geographic criou um fundo de caridade, com o objetivo de beneficiar as mulheres afegãs. Em 26 de outubro de 2016, Gula foi detida no Paquistão pela Agência de Investigação Federal (FIA) por viver no país usando documentos falsos.