Cine Panorama realmente existiu!

Graças ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) das estudantes de Rádio & TV, Amanda Lima e Luciana Salviano, descobri uma foto do Cinema Panorama quando ele ainda estava em pleno funcionamento.  O trabalho, em forma de revista, contava um pouco da história dos cinemas de rua de Natal, no qual quase todos viraram igrejas evangélicas ou espaço para lojas de Departamento.

O Cine Panorama foi o único cinema do bairro das Rocas. Construído por Luiz de Barros, que hoje é nome de arranha-céu, foi inaugurado no Dia 29 de janeiro de 1967, com o ” 007 contra o Satânico Dr No” do cineasta inglês Terence Young.

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Já falei por aqui sobre o cinema.  O Panorama ficava em frente ao Hospital dos Pescadores. Foi inaugurado em agosto de 1971 e era para exibir filmes de todos os gêneros. O diferencial dele era um estabelecimento longe dos principais bairros da cidade, como Ribeira, Cidade Alta e Alecrim, que na época eram cheios de salas de cinema.

Depois de muita pesquisa, eu descobri o endereço daquele local e utilizando o Google Maps, eu descobri que o prédio ainda existe e funciona uma igreja evangélica. Pode perceber que a estrutura ainda lembra daqueles cinemas antigos de interior. Consegui a confirmação que era o local a partir de artigos acadêmicos.

Em relatos em blogs, alguns clientes do cinema diziam que lá existia uma sala com uma imensa prateleira, cheia com cilindros de lata, que armazenavam os grandes rolos de filme. Além disso, as máquinas de projeção eram imensas.

Entretanto, a década de 70 ficou conhecida pela produção de pornochanchada e os primeiros filmes comerciais famosos de sexo explicito, como “Garganta Profunda” e o pequeno cinema das Rocas começou a colocar estas produções em cartazes.

O poeta Lívio Oliveira, no trecho do artigo “Deep Throat and the Panorama“, disse que se arrepende de não ter ido assistir alguma sessão. “Mas, sabe o que lamento até hoje? Não ter assistido a nenhuma sessão no velho Panorama, lá nas Rocas. Meus irmãos mais velhos iam para aquelas aventuras picarescas que eram as apresentações de pornochanchadas e outros filmes de teor erótico, e em meio a figuras na plateia, digamos, meio esquisitas”, disse em um dos parágrafos.

À medida que os cinemas começaram a aparecer nos shoppings, os cinemas de bairro começaram a decair. Depois, o Panorama virou uma unidade da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil (MEPB).

O templo foi inaugurado por um grupo de americanos, no qual ficavam estudando a Bíblia e tinham experiências espirituais. Então, dois missionários viriam ao Brasil com a intenção de pregar o que eles acreditavam. Inicialmente, eles fixaram residência em Manaus (AM) e depois se mudaram para Natal. No dia 25 de junho de 1949, organiza-se em Natal a Missão Evangélica Pentecostal do Brasil. A Igreja ficara conhecida como Tenda Catedral devido o uso de tendas.

Inicialmente, eles fundaram a primeira igreja no Alecrim e depois em vários bairros da cidade, incluindo a Rocas.

 

Tentando ser estilista em Natal

O Rio Grande do Norte é conhecido por ser bons produtores de bordados e rendas, principalmente na região do Seridó. No entanto, quase não existe cursos técnicos ou de graduação para área de moda, no qual muitos que desejam trabalhar na área tem que se virar para que o seu sonho tenha de se tornar uma realidade. Este é o caso do estilista Fanny Rodrigo, que é estudante de Teatro na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e formado no curso técnico de estilista no Senai em Natal.

Foi neste segundo citado que surgiu a inspiração de trabalhar em fazer roupas em Natal, no qual ele anda com as suas peças customizadas pelas ruas da cidade.  Na verdade, isto surgiu bem antes, por meio de familiares, visto que a mãe, tia e avó são costureiras. Portanto, boa parte da infância foi vendo estas mulheres costurando roupas.

“No ano seguinte de integrar ao curso do Senai, eu ganhei um concurso chamado Arte Moda Potiguar, que ganhei 1500 reais para fazer a minha primeira coleção e foi apresentada na Pinacoteca do Estado. No ano seguinte, eu participei de novo deste mesmo concurso, cujas minhas roupas foram mostradas no palco do Teatro Riachuelo, no Midway.”.

Apesar do sucesso, ele tentou procurar trabalhar com os estilistas daqui, porém o mercado de trabalho era muito complicado. “Aqui você tem que trabalhar numa fábrica ou ser modelista numa loja de tecidos. Ainda pode ter muito dinheiro para trabalhar com a sua própria loja”, lamentou.

Fanny com o seu casaco (Fotos: Lara Paiva)

Foi então que teve a ideia de fazer as suas próprias roupas, fazendo com que chamasse atenção dos amigos, que chegaram a pedir para que ele fizesse trajes parecidos com que o mesmo usasse. Assim nasceu a sua grife “Capim”, no qual desenvolveu sete camisetas que representasse a sua vida, no qual uma falava sobre cinema, animais, arte e dentre outros assuntos.

“Uma delas contém a atriz Marilyn Monroe, por representar o meu amor pelo cinema”, disse.

Essas camisetas começaram a ser vendidas em Fortaleza como uma forma de sustentar na viagem e conseguiu esgotar através do boca a boca.

Após o boca a boca, ele criou coragem e trabalhou na segunda coleção do Capim, baseado nos hieroglifos dos povos do Egito com feitiçaria. “Além disso, é uma forma de fazer visibilidade, pois eu sei que não venderá da mesma forma como a outra. É uma forma de dizer que estou aqui trabalhando com a moda em Natal.”.

Rodrigo reconhece que os seus trajes vestido de forma extravagante e que de uma forma, ou de outra, ajuda a influenciar. “Sinto que revoluciono aonde quer que eu passo. Há um mês estou numa bolsa de pesquisa e as pessoas estão procurando se vestir melhor. A professora, por exemplo, vestia de uma forma mais relaxada e hoje está mais elegante.”.

O nome da coleção se chama “Bruxas”, que é uma forma de criar a própria comunicação através de uma linguagem diferente, parecido com o que a Vivienne Westwood fez na década de 80 sobre a sua vida familiar.  “Diferente dela, eu usei os hieroglifos para descrever como está sendo minha vida como estudante de Teatro”, relatou.

Como falamos anteriormente, Fanny está cursando Teatro na UFRN. Inicialmente, ele ingressou não para se formar em ator, mas ajudar na sua formação de estilista. Quer dizer, o seu foco é ser figurinista. “O curso é mais uma forma de formar ao professor, pois é uma licenciatura.”.

Neste meio do teatro, ele conseguiu ser protagonista do filme “Verde Limão”, dirigido por Henrique Arruda, no qual já falamos aqui no Brechando.

Apesar das dificuldades, Fanny disse que a moda sempre ajuda a continuar a querer realizar os seus sonhos. “Não importa quantas vezes posso apanhar, pois a moda me ajuda a me erguer diante dos problemas”, finalizou.