Uma festa para celebrar o amor nesta sexta

A campanha em transformar os poemas de amor da jornalista Glácia Marillac continua. Nesta próxima sexta-feira (21), no Nalva Café Salão, na Ribeira, a partir das 18 horas, haverá uma festa para angariar os recursos para a impressão dos quadrinhos, que tem o lançamento previsto para o dia 26 de agosto.

De acordo com Milena Azevedo, roteirista da HQ, será uma festa com músicas dançantes que marcaram época, pessoas fantasiadas de personagens em quadrinhos, Duda da Boneca, Oficinas de origami e pintura em camisetas, exposição da artista do amor Civone Medeiros,sorteios e muito mais.

A entrada custará R$ 30, pois quem participar estará automaticamente colaborando no Catarse. Além da festa, terá direito a ganhar o livro/álbum Amor em Quadrinhos no dia do lançamento aqui em Natal. É a terceira investida de Azevedo em produzir HQ via campanha de financiamento coletivo.

O projeto conta com a participação de 15 desenhistas, do Rio Grande do Norte, de São Paulo e Ceará, que ilustraram os roteiros inspirados nas poesias do livro “O amoré …”, da jornalista Glácia Marillac, como falamos anteriormente.

O álbum de historinhas muito especiais será lançado dia 26 de agosto, dentro da programação da HQ Zone, no Praia Shopping, com a vinda do premiado quadrinista mineiro Vitor Cafaggi, que participou do “Laços”, da Turma da Mônica.

A meta é conseguir arrecadar 11 mil reais e está no modo tudo ou nada. O que é isso? Se eles não conseguirem arrecadar o valor, todo dinheiro será devolvido para aqueles que ajudaram.

Todas as quinze HQs foram roteirizadas por Milena Azevedo (Visualizando Citações/Fronteira Livre/Haole), e estão sendo desenhadas por uma equipe de “Ilustradores do Amor”, composta por: Germana Viana (Lizzie Bordello/As Empoderadas), Dika Araújo (Quimera), Blenda Furtado (Haole), Renata Nolasco (Atóxico), Talles Rodrigues (Mayara & Annabelle), Daniel Brandão (Liz), Wendell Cavalcanti (BlackAcre/Boca do Lixo), AnaLu Medeiros (Ana e o Sapo/Carvalhos), Cristal Moura (Maldito Sertão em Quadrinhos), Jackie Monteiro (Seu Sol, Dona Lua), Vinicius, Visentini (Visualizando Citações/Fronteira Livre), Raíssa Bulhões (A casa e a velha/A casa de minha avó), Estrela Santos (Coletânea Potiguar de Quadrinhos), Dany Melo (Dany que Fez) e Carlos Victor Rosso.

Um pouco sobre a obra do Newton Navarro

Esta obra acima faz parte do Newton Navarro e pode ser vista dentro do campus central do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Além de ter sido homenageado com uma ponte, Navarro foi de suma importância para história cultural do estado, com as suas obras de artes e escritos. Nós vamos contar um pouco de sua história a seguir.

O nome completo dele é Newton Navarro Bilro e nasceu no dia 8 de outubro de 1928. Nasceu na casa da sua avó, que fica na Avenida Rio Branco. Newton foi pintor, desenhista e seus trabalhos literários foram publicados nos mais diversos jornais de Natal e em outras cidades brasileiras.

Newton Navarro

Foi o precursor da arte moderna no Rio Grande do Norte. Muitas telas chegaram a chocar a população da pacata cidade de Natal, acostumada apenas às pinturas bucólicas do pôr- do-sol do Rio Potengi, do Farol de Mãe Luiza, da Praia de Redinha e de outros pontos turísticos. Newton Navarro tinha o Nordeste como temática. Desenhou e pintou pescadores, rendeiras, lavadeiras, sem esquecer o sertão, os vaqueiros, cangaceiros e dentre outros personagens do Nordeste. 

A aspiração artística de Newton Navarro desde cedo já despertara. Aos quatro anos de idade, enquanto seu irmão brincava de bola, de velocípede, ele se divertia no chão da calçada fazendo desenhos e pintando com cores berrantes. A família tinha um lado artístico.

Ao retratar Natal e seus habitantes, ele buscava identificar os largos e ruas da boemia, becos simples, casario humilde, igrejas e prédios onde acontece a história da cidade, as bananeiras dos quintais, casas simples das favelas e as pipas coloridas. Sua primeira exposição foi em 1949, que chocou a população por mostrar mais o lado social do que as paisagens bonitas da cidade, além das técnicas de artes ser diferente de outros artistas.

Sua inspiração era o modernismo.

Uma das famosas afirmações, ele disse:

Eu não acho cidade mais bonita que Natal, nem rio mais bonito que o meu rio. Eu vi uma vez o Sena. Achei uma porcaria. Vi também o Tejo e achei também uma porcaria. Mas o Potengi não. Que azul! E os morros que protegem a cidade?E as madrugadas? E as estrelas da manhã? Só em Natal tem essas coisas. A estrela repetida no forte da pedra…Uma cidade coberta de elísios, embalada pela canção dos pescadores, enfeitada de um lado e de outro, rio e mar, pelos azuis e verdes e pelas jangadas. Que cidade maior e melhor? Não existe. Nenhuma. (NAVARRO, 1974).

Suas obras usavam técnicas  como aquarela, óleo, nanquim aguada, guache, bico de pena e outros materiais como borra de café e chá. Também utilizava o grafismo e o abstrato.

Por isso, a ponte que liga a Redinha recebe o seu nome, devido às suas obras falarem muito dos pescadores que ficam do bairro da Redinha e de Santos Reis. A sugestão do nome para a ponte foi dada pelos imortais da Academia Norte-riograndense de Letras, a pedido dos admiradores da obra do artista, através de abaixo-assinado.

Além das pinturas, ele também foi escritor e poeta, um imortal da Academia Norte-riograndense de Letras, a famosa ANL. Publicou alguns livros, como, “Beira-Rio”,  “Subúrbio do Silêncio” e “ABC do Cantador Clarimundo”.

Ele faleceu em março de 1991 em Natal.