[ARTIGO] A hora da Gretchen

Se Clarice Lispector estivesse viva, ela transformaria a Macabéa em uma pessoa bem sucedida e não tivesse morrido em um terrível acidente de carro. De tão pobre, Macabéa só comia cachorro quente, e levava uma vida tão sem graça, que seu namorado larga pela amiga que tinha o pai como dono de açougue.  Poderíamos trocar a Macabéa pela Maria Odete Miranda de Brito.

Ao invés do Nordeste, ela nasceu no Rio de Janeiro, tinha uma vida normal e sem muitas ambições. Até que resolveu querer cantar e dançar no colégio, como uma forma de parar de ouvir os abusos do pai. Um alcoólatra que batia nela e na mãe (li isso no Wikipedia).

Com as irmãs, ela formou um grupo que cantava músicas infantis em forma de discoteca, algo que estava no momento e fácil de pegar a fama.  Achava isso tão bizarro, mas vi que era verdade quando achei esta matéria a seguir:

Cantando “Atirei Pau no Gato”, um produtor argentino conhecido como Mister Sam a achou bonita e resolveu que ela seria a voz de suas composições que só colocavam frases básicas do francês, inglês e espanhol com uma batida bastante dançante. Além de cantar e ser sensual como Betty Boop, a Maria Odete tinha que rebolar. Mas, pera, isto não é nome sensual. Que tal um nome estrangeiro?

Nesta época, anos 70, vários artistas brasileiros fingiam que eram artistas internacionais para gravar em inglês. O Fábio Jr, por exemplo, era o Mark Davis. Então, tinha que escolher um nome gringo, a Maria estava andando na rua e viu um filme nacional chamado “Aleluia Gretchen”. Foi aí que surgiu o seu nome artístico: vindo de um filme que falava de um grupo de pessoas que resolveram implementar o nazismo no Brasil.

A estreia da nova carreira para o grande público da TV aconteceu no Programa Carlos Imperial (ator do filme pornochanchada “Banana Mecânica”), na extinta Rede Tupi.  Seus sucessos foram Freak Le Boom Boom, Conga Conga Conga, Melô do Piripiri (Je Suis La Femme), “Melô do Xique Xique”, “Melô do Pata Pata” e “Latino-americana” (os dois primeiros receberam disco de ouro e o terceiro disco de platina), entre outros.

Detalhe, todas as suas capas dos contatos estava seminua. Mas, mesmo assim, as crianças adoravam.

Para manter a sua fama, ela posou diversas vezes em revistas masculinas, ganhou muito dinheiro, teve filhos e, ao mesmo, tempo surgiram vários relacionamentos abusivos, no qual os seus milhares de casamento chamavam atenção da mídia sensacionalista. Algo que perseguia durante a década de 90/2000.

Durante o auge de sua carreira, ela participou de todos os importantes programas de TV da época e era figura carimbada do Gugu e Sílvio Santos. Um dos momentos mais famosos foi quando deixou o ator Jean-Claude Van Damme de pau duro em rede nacional no domingo a tarde.

Por falar nos anos 2000, a fama dela estava associada às revistas que posam, seus milhares de casamento, excesso de cirurgias plásticas e sua busca incessante de achar uma nova rainha do bumbum, título que ganhou da imprensa. O importante era carimbar na imprensa marrom. A Gretchen, que tornara recordista por chegar a mil espetáculos em três anos, estava fazendo show no Circo do Palhaço Facilita em Natal e para ganhar dinheiro até chegou a fazer filme pornô com um de seus ex-maridos.

Cansada desse ciclo vicioso e não querer voltar a comer só cachorro quente, a nossa Macabéa resolveu ser imigrante e foi trabalhar na Europa, onde abriu um mercadinho, mas chegando a ter aqueles mesmos empregos que todo latino americano faz quando mora por lá.  Mal sabia que iria chegar o período da internet e suas participações virariam gifs.

Agora, os registros de seus trabalhos anteriores eram satirizados pelos internautas. Foi nesse período que ela começou a virar uma exímia participadora de realities shows, inclusive os da Record.

Em 2010 ela participou do reality show Troca de Família, garantindo à emissora o primeiro lugar em audiência durante sua exibição. Dois anos depois, na Rede Record, integrou o elenco da quinta edição de A Fazenda, onde desistiu da competição na sexta semana durante uma festa. Em abril de 2016, Gretchen integrou o elenco da primeira temporada do Power Couple, juntamente com seu marido Carlos Marques.

Todas as suas participações, ela não teve nenhuma vergonha de se expor, ser exagerada ou fazer um barraco, prato cheio para aqueles que querem viralizar um meme.  Esperta, aproveitou da fama da internet e começou a aparecer cada vez mais e mais na internet, com vídeos no You Tube, redes sociais e todas as coisas que ajudariam a ter mídia. Sabendo disso, as equipes de marketing digital rapidamente começaram a chamar para fazer campanha e ganhou dinheiro sem precisar se submeter ao corpo ficar seminu (ou quase).

Qualquer zoeira dos brasileiros tinha um meme da Gretchen e isso chamou atenção da cantora Katy Perry que a convidou para participar de seu clipe e o vídeo já tem mais dois milhões de visualizações, o mais visto do You Tube da semana.

Não viu? Veja:

Agora, conseguimos levar a Gretchen ter sucesso e fama, como ela sempre desejou!

 

Jornalista Glácia Marillac terá seu livro de poemas transformado em quadrinhos

A campanha começou no dia 29 de junho e o objetivo é conseguir arrecadar dinheiro para realizar a impressão do Amor em Quadrinhos, no Catarse.  A meta é conseguir arrecadar 11 mil reais e está no modo tudo ou nada. O que é isso? Se eles não conseguirem arrecadar o valor, todo dinheiro será devolvido para aqueles que ajudaram.

“Será minha terceira investida no financiamento coletivo, e espero que, assim como as outras duas, seja bem sucedida”, disse a historiadora, quadrinista e roteirista Milena Azevedo.

Logo do quadrinho Fotos: Divulgação)

A intenção do projeto é divulgar o amor, visto que o  Brasil vem ganhando destaque no ranking internacional de violência urbana e o estado do Rio Grande do Norte é considerado um dos mais violentos.  Por isso, nasce o quadrinho “Amor em Quadrinhos”, que veio de uma parceria de Azevedo com o projeto “Eu sou do Amor,” que tem como essência o estimulo à ações que neutralizem o medo e potencializem os verdadeiros valores humanos.

O Amor em Quadrinhos trará quinze poemas do livro “O Amor é…”, de autoria da jornalista Glácia Marillac,  cja intenção é simplificar a vida.
Os poemas foram adaptados para a arte sequencial, fazendo com que crianças, jovens e adultos sejam tocados por
palavras e imagens que levem à reflexão e gerem posicionamento ativo para o bem estar em suas vidas, suas cidades e para todo o Brasil.
Todas as quinze HQs foram roteirizadas por Milena Azevedo (Visualizando Citações/Fronteira Livre/Haole), e estão sendo desenhadas por uma equipe de “Ilustradores do Amor”, composta por: Germana Viana (Lizzie Bordello/As Empoderadas), Dika Araújo (Quimera), Blenda Furtado (Haole), Renata Nolasco (Atóxico), Talles Rodrigues (Mayara & Annabelle), Daniel Brandão (Liz), Wendell Cavalcanti (BlackAcre/Boca do Lixo), AnaLu Medeiros (Ana e o Sapo/Carvalhos), Cristal Moura (Maldito Sertão em Quadrinhos), Jackie Monteiro (Seu Sol, Dona Lua), Vinicius, Visentini (Visualizando Citações/Fronteira Livre), Raíssa Bulhões (A casa e a velha/A casa de minha avó), Estrela Santos (Coletânea Potiguar de Quadrinhos), Dany Melo (Dany que Fez) e Carlos Victor Rosso.
O álbum terá 76 páginas em formato 21 x 28 cm, com papel offset 90g., P&B, capa colorida com laminação fosca e lombada quadrada. Diferente de outros projetos no Catarse, eles estão tudo planejado para o lançamento, que acontecerá no dia 26 de agosto., no Praia Shopping, em Natal, dentro da programação da HQ Zone 3.0, numa sessão de autógrafos especial com o quadrinista mineiro Vitor Cafaggi (Valente/ Graphic MSP Turma da Mônica – Laços/ Graphic MSP Turma da Mônica – Lições), autor da capa de Amor em Quadrinhos.
O valor da meta a ser batida é de R$ 11 mil, pois assim poderemos pagar alguns gastos de produção, da confecção das recompensas, da postagem (para apoiadores de fora de Natal), além dos 13% que ficam com o Catarse e o Moip, pelo uso do serviço da plataforma.
Uma das artes do quadrinho
Serão aceitas contribuições a partir de R$ 10 (o pagamento pode ser feito via boleto bancário e cartão de crédito) e há recompensas exclusivas, feitas especialmente para os apoiadores, os quais terão seus nomes listados no álbum impresso.
Para saber mais, o link da campanha é: www.catarse.me/amoremquadrinhos.

[ARTIGO] Alexia, Clarindo e o luto dos ciclistas

Cláudio Clarindo era o ultraciclista conhecido como Black Bull e durante cinco anos consecutivos participou de uma competição em que cruzava todos os Estados Unidos de bicicleta durante quase duas semanas. Tinha grana e uma ampla equipe por trás. Embora tivesse recursos, eles mostravam que a união era mais importante que tudo.

A sua felicidade foi interrompida. Era um um dia de treinamento comum, porém, na estrada Rio-Santos, um motorista chamado Gabriel dormiu no volante e atropelou o Clarindo durante o seu treino habitual.

Voltamos para Natal. A Tribo Totipah é um grupo que busca o amor, na meditação e nas práticas espirituais. Com as suas bicicletas, eles andam por várias cidades do país. Após um sonho de uma criança andando sobre a aurora boreal, o Marcelo Totipah teve a brilhante ideia de sair de Salvador até o Alasca com a bike. Após convidar os amigos através das redes sociais, surgiram várias pessoas que quiseram ajudar o amigo.

Eles não tinham recursos nenhum para esta viagem e mesmo assim eles resolveram pedalar ao infinito e além.

Dentre eles estava a Alexia, uma estudante de psicologia que queria buscar novas aventuras e procurar a paz interior, algo que não a encontrava. Ela saiu um pouco depois que os amigos, mas conseguiu os encontrar. A cada cidade, passagem e encontro nas cidades era um momento mágico e encantador. Eles chegaram em Natal e foram para Pium e outros pontos paradisíacos que o RN oferece, mas uma andada na ciclovia da Ponte Newton Navarro interrompeu a jornada dos jovens e acidentou a Alexia, que teve morte cerebral.

O corpo foi levado para Salvador e o momento que era propício em desistir foi mais um estímulo para continuar a viagem em nome dela. Uma terapia do luto bastante diferente.

A história de Clarindo e da tribo se juntaram nesta quinta-feira (29), quando o documentário sobre o Black Bull foi exibido no campus central do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e mostrava um ultraciclista que fazia altas brincadeiras, era simpático e não tinha tempo ruim, mesmo diante das dificuldades dos avanços da prova.

Por outro lado tinha a tribo que tentava colocar um sorriso no rosto, mesmo que há 15 dias eles foram vítimas de um terrível acidente. O Marcelo, emocionado, antes da exibição do filme, contou como foi difícil atravessar novamente na Ponte Newton Navarro e da esperança de passar o ano novo no estado do Amazonas. Além disso, ele ressaltou a importância do amor e da compaixão das pessoas, visto que o amor move.

Alguns minutos depois, o Clarindo durante os seus depoimentos comentou que a importância destas competições não era apenas ganhar, mas ficar rodeado dos amigos que ama. A lição do filme e que a tribo têm em comum é mostrar que quando está feliz e está cheio de amor, as atividades mais difíceis estão para serem superadas.

O luto, não necessariamente, precisa ser doloroso e ficar internado em um divã de uma terapia, mas pode ser continuando as atividades que eles sempre promoviam.

Agora, a Tribo está se preparando para sair da cidade e ir em direção ao Norte, alguns já estão documentando as suas aventuras em busca da Aurora Boreal. A Associação de Ciclistas do Rio Grande do Norte, a ONG Baobá e Eu sou o Amor se mostraram dispostas a ajudar os rapazes a adquirir o material necessário para que eles pedalem com bastante segurança.

Preparar para mais dois ou três anos de aventura, em nome de Clarindo e Alexia, além do amor pelo ciclismo.