Por que essa travessa de chama Aureliano?

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Em uma das partes da Ribeira, tem ruas que possuem nomes de coronéis, mas apenas uma se chama Travessa Coronel Aureliano Medeiros. Mas, quem foi o Coronel Aureliano Medeiros? Após uma longa pesquisa, a travessa recebe o nome do rapaz que criou o Solar Bela Vista, conforme falamos nesta postagem aqui. O Solar foi construído em 1907, quando o Coronel Aureliano Medeiros começou a construir o palacete residencial que depois veio a ser conhecido da cidade como Hotel Bela Vista na subida da Junqueira Aires (hoje, Avenida Câmara Cascudo). Ele é este rapaz da pequena foto a seguir:

O nome completo dele é Aureliano Clementino de Medeiros, veio da Paraíba e se tornou um homem bem sucedido no Rio Grande do Norte. A família transferiu-se para Macaíba (1868) onde, mais tarde, tornar-se-ia comerciante e constituiria considerável patrimônio. Em fins do século XIX, além de solidamente estabelecido no comércio e já próspero proprietário de imóveis, foi eleito Presidente da Intendência (Prefeito) naquele município, onde construiu a primeira ponte da cidade. Depois do mandato, resolveu transferir-se para Natal. No início do século XX, ele virou proprietário da casa de verão dos Albuquerque Maranhão, onde hoje é o Hospital Universitário Onofre Lopes.

O coronel Aureliano Medeiros foi casado duas vezes. Do primeiro casamento, com Apolônia, nasceram dois filhos, José Medeiros e Manoel Medeiros. Na verdade um casamento que não chegou a durar muito, chegando logo a viuvez.

Apolônia, primeira mulher de Aureliano

Depois, o Coronel Aureliano Medeiros casou com D. Rosa Teixeira de Carvalho, do Engenho Cajupiranga, hoje São José de Mipibu. Desse casamento nasceram Irene, Olímpia, Amélia, Aurélia, Maria Leonor, Aureliano Filho, José Ulisses, João Batista de Medeiros e Oswaldo Medeiros. Foi a dona Rosa, a homenageada pelo Solar Bela Vista.

Os dois últimos citados no parágrafo anterior chegaram a estudar na Suíça, como recomendava ser feito com os filhos de gente de bem. Durante nove anos cursaram os estudos intermediários e chegaram a iniciar Engenharia e Medicina, retornando ao Brasil e abandonando os planos em razão da Primeira Guerra Mundial.

Medeiros faleceu a nove de setembro de 1933. Cinco anos depois de sua morte, os herdeiros do casarão, Irene, Olímpia e Olívia, alugam o imóvel ao Tribunal de Justiça. Alguns anos depois, ainda na década de trinta, o palacete foi alugado a D. Maria Cabral, passando a ser Pensão Familiar. Até que em 1948 foi alugado ao sr. Sinval Duarte Pereira, quando recebeu o nome que terminou celebrizando, o âmbito da cidade, o casarão do Hotel Bela Vista.

A sua casa era centro de influencia política para o resto da cidade. E do palacete assombrado, que tinha capela particular e missa aos domingos e servia como clube social que a cidade ainda não tinha, começavam a ser alargados os caminhos do progresso social. Natal já tinha bailes, gelo e vestia casaca. E esse palacete viveu grandes festas da chamada alta sociedade natalense do começo deste século, inclusive recepções aos governadores da época e por estes oferecidas à elite e ao mundo político local.

O solar João Galvão, que fica do lado do Solar Bela Vista, também pertenceu ao coronel, que foi utilizado para a família se hospedar enquanto o casarão do lado não estava pronto.

Um ano após a construção do Solar, perto de hoje é a Travessa Aureliano, o mesmo coronel, que era plantador de Algodão, criou a loja “Paris em Natal”, próximo do cinema Polytheama. De acordo com Anderson Tavares de Lira, lá havia grande loja de tecidos, chapéus, calçados, perfumes entre outros artigos finos.

 

Solar Bela Vista e Paris em Natal, resquícios do Aureliano Medeiros em Natal

Ao ato da inauguração compareceram distintos cavalheiros da sociedade natalense, representantes do comercio, da imprensa, a banda de música do Batalhão de Segurança e o chefe político estadual Dr. Alberto Maranhão, que foi o freguês da primeira venda da loja: um corte de fazenda para a primeira dama do Rio Grande do Norte – Inês Barreto Maranhão. Fechou as portas nos 40 e hoje é um bar.

Hoje, a loja Paris em Natal encontra-se em total estado de abandono:

 

 

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