Um minuto de silêncio: Sense8 não terá a terceira temporada

O que mais gosto de ver na Netflix são os seriados e me ajudaram a tirar aquela preguiça que tinha quando procurava meus episódios favoritos via torrent. Além disso, ele mostrou que é possível mostrar coisas bacanas além do meio de comunicação comum, no qual muitos diretores de televisão deveriam ter ficado com dores de cabeça e ficarem questionando: “Por que eu não fiz isso antes?”. No entanto estamos vendo que os meios de comunicação via streaming está crescendo bastante e muito rápido, porém podemos ver uma queda vertiginosa.

Após terem falado do cancelamento da série “The Get Down”, que conta a história da periferia de Nova Iorque nos anos 70, agora foi a vez de Sense8. Sim, uma das séries mais populares do canal não terá uma terceira temporada, uma vez que os recursos gastos não foram recompensados em audiência. Agora, a série querida das Irmãs Wachowskis está no limbo.

A série falava de oito pessoas que nasceram no mesmo dia, porém em diferentes cantos do mundo (Estados Unidos, Quênia, Islândia, Coreia do Sul e México) e que são conectados por telepatia. Ou seja, eles sentiam os pensamentos de cada um, se comunicavam entre si com força do pensamento e, juntos, tinham que lutar contra os seus inimigos que queriam destruir.

Mais cedo o ator Brian J. Smith, que interpreta o policial Will Gorski, deu a entender que os chefões da Netflix estão considerando abandonar a série para sempre. E isso pode ser justificado pelo grande orçamento de 9 milhões por episódio. Dando um retuíte em um fã da série que questionava sobre a renovação, o ator comentou: “Talvez seja um bom momento para começar a fazer algum barulho.”

 

A informação sobre o cancelamento foi confirmada pelo jornalista Curt Wagner, que tem um site de série chamado Show Patrol. Somente agora que a Netflix confirmou o cancelamento.

“Após 23 episódios, 16 cidades e 13 países, a história do cluster de Sense8 está chegando ao fim”, disse Cindy Holland, relações públicas da Netflix, que cuida do conteúdo original do serviço. “Foi tudo o que nós e os fãs sonhamos que seria: corajoso, emocional, deslumbrante e bastante inesquecível.”

Aqui está o comunicado completo aqui traduzido pelo Brechando:

“Após 23 episódios, 16 cidades e 13 países, a história do cluster de Sense8 está chegando ao fim. Foi tudo o que nós e os fãs sonhamos que seria: corajoso, emocional, deslumbrante e bastante inesquecível. Nunca houve um show mais verdadeiramente global com um elenco e equipe igualmente diversificado e internacional, que é apenas refletido pela comunidade conectada de fãs profundamente apaixonados em todo o mundo. Agradecemos a Lana, Lilly, Joe e Grant por sua visão, e todo o elenco e a equipe pelo seu artesanato e compromisso.”

Sense8 tinha forte apoio da comunidade LGBT, e a equipe inclusive veio ao Brasil ano passado na Parada LGBT de São Paulo, onde gravou uma cena memorável da 2ª e última temporada.

O cancelamento de uma série tão popular faz com que a gente questione se o serviço via streaming é realmente o futuro da internet e se o Netflix está realmente andando para trás, consequência de querer crescer mais do que o seu limite. Mas, acho que a Netflix não fez um erro tão grotesco, apesar de ter muita dor no coração e gostar bastante da série.

A gente acredita que a internet é o futuro dos meios de comunicação, porém a forma como estamos utilizando para monetizar (ganhar dinheiro) ainda é algo muito analógico. Ainda não temos grandes empresas de marketing digital e tudo que estamos fazendo com a internet é algo experimental. Ao mesmo tempo, eu acredito que o dinheiro gasto para o Sense8 poderia transformar em criação de novas séries tão criativas quanto. O Netflix sempre acertou em fazer séries incríveis com uma qualidade Hollywood com menos recursos e esperamos que o cancelamento de Sense8 não seja uma mancha para a empresa. Mas, um sinal de alerta.

Cinco quadrinistas para conhecer no Rio Grande do Norte

Natal possui uma grande safra de quadrinistas por aí e muitos ralam muito, visto que a maioria dos seus trabalhos são publicados de forma independente ou estão trabalhando para estúdios grandes, como a DC Comics. O Brechando listou cinco  quadrinistas do Rio Grande do Norte para conhecer. Confira:

1) Milena Azevedo

Milena Azevedo é um dos nomes fortes do quadrinho potiguar. Ela trocou a História pelas histórias em quadrinhos e hoje se divide entre escrita de roteiros, letreramento e diagramação de HQs, e a organização de eventos de cultura pop em Natal. Nos anos 2000, ela foi criadora da loja Garagem Hermética, que vendia quadrinhos de diversos autores e hoje se transformou em um site. Já publicou quadrinhos nas revistas Subversos, Maturi, Mosaico, Zona Gráfica #3 (Portugal) e Monotipia (virtual). Em 2013, junto com o chargista Brum, fundou a MBP (selo independente de quadrinhos) e lançou O Guarda-Vidas e as coletâneas Visualizando Citações (finalista por duas vezes consecutiva do Troféu HQ Mix, maior premiação do gênero, no Brasil) e Fronteira Livre (finalista da categoria “BD Alternativa” na 42ª edição do Festival de Angoulême).

2) Leander Moura

Graduado em artes visuais pela UFRN, Leander começou a ilustrar e escrever histórias em quadrinhos em meados de 2009, ainda durante o curso. Entre suas principais publicações até agora estão “O Evangelho Segundo o Sangue”, de 2014, em co-autoria com o roteirista Marcos Guerra; e a versão em HQ do romance “Maldito Sertão”, de Marcio Benjamin, publicado no final do ano passado.

Atualmente, além de ser integrante do coletivo “Quadrinove”, Leander é colaborador da editora Clock Tower, para qual assinou a capa do livro “O Rei Amarelo” (2015) e ilustrou o livro “O Mundo Sombrio – Histórias de Mitos Cthulh”, de Robert E. Howard; e também o famoso conto “Nas Montanhas da Loucura”, para o livro “O Fantástico Mundo de H.P. Lovecraft”.

3) Wanderline

Wanderline é artista plástico e mora em São Rafael, onde começou primeiramente pintando apenas quadros. A sua entrada nos quadrinhos chegou em meados de 2010 quando criou o Urubu Man, além de ter publicado suas tirinhas em publicações locais, nacional de outros países, como Portugal. Dentre as suas publicações estão para revista Maturi, berço dos quadrinistas potiguares, “Amigos Amantes Amore”, “Depois de Tudo”, “Mosaico” e “Os notáveis”. Além disso, já participou de diversas parcerias, como Projeto Visualizando Citações da escritora Milena Azevedo.

4) Geraldo Borges

Borges é natural de Fortaleza, mas está em Natal há alguns em Natal, onde tem o Estúdio Quadrinhos, que estimula os natalenses em aprender a desenhar ou trabalhar como quadrinista. Ele é formado em Engenharia Civil, porém sempre se interessou em fazer HQs, no qual fez um curso com Al Rio e começou os seus primeiros trabalhos, como Capitão Rapadura, Graph It e depois foi trabalhar para  DC Comics, desenhando personagens como Liga da Justiça, Batman, Mulher Maravilha, Legião dos Super-Heróis, Lanterna Verde e Asa Noturna.

5) Rodrigo Fernandes

Natural de Umarizal, Rodrigo Fernandes trabalha como quadrinista já faz algum tempo e em 2003 lançou o quadrinho chamado “Bispo”. Recentemente, ele foi um dos potiguares que participou da Comic Con Experience em Recife. Além disso,trabalha arte finalizador em edições de outras  produções. O artista umarizalense junto com outros quadrinistas potiguares vem há anos na luta a favor dos quadrinhos nacionais e independentes.  Além de ser quadrinista, ele também ensina desenho.

 

Importância de Elino Julião para o forró e aos potiguares

Pouca gente, sabe, mas o cantor de forró Elino Julião era potiguar e faz 11 anos que deixou a vida terrena. Na próxima quinta-feira (1), a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte fará uma homenagem, no qual irá criar o memorial da história de vida e do legado musical do artista potiguar, considerado patrimônio imaterial da cultura potiguar.

Os arranjos orquestrais e partituras serão organizados como acervo do projeto e ficarão disponíveis em meio digital no Portal Morada da Memória – Elino Julião. Se fosse vivo, ele estaria com 81 anos.

O projeto garante a transmissão do legado musical de Elino Julião de geração a geração, recriando na sociedade potiguar uma interação com sua história musical, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade.

Mostrando, assim, que a música erudita e popular podem andar de mãos dadas.

Julião foi filho de Francisca Augusta e Sebastião Pequeno, tocador de cavaquinho, Concertina e harpa. Começou trabalhando ainda criança, no sítio Tôco, como carregador de água e alegrava os moradores da fazenda onde morava cantando e batendo em latas as músicas que aprendia nas festas de Sant’Ana em Caicó. Costumava sair da fazenda descalço e a pé, rompendo 18 km de caatinga para bater a famosa ” peladinha ” em frente à Igreja de Sant`Ana na cidade de Caicó e articular-se, claro, para cantar na sede do Caicó Esporte Clube, no domingo à tarde. Cantar para Elino, já era êxtase.

Aos 14 anos veio para Natal, se escondeu no bairro das Quintas e logo garantiu seu espaço para cantar no Programa Domingo Alegre da Rádio Poti, junto ao radialista Genar Wanderley e no animado Forró da Coréia, onde hoje é a Arena das Dunas, nome de seus maiores sucessos aqui:

Por causa da canção, ele conseguiu espaço e reconhecimento cantando músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros, espalhando que o Rio Grande do Norte também poderia produzir forró. Por falar em Jackson do Pandeiro, o mesmo convidou Julião para fazer parte de sua banda. Mas Elino tinha de prestar serviço militar e assim o fez. Após sair das Forças Armadas voltou a procurar Jackson, com quem foi morar e trabalhar no Rio de Janeiro.

Como ritmista de Jackson, se apresentou nas rádios, TVs do Brasil inteiro. Foi na casa de Jackson, que Elino compôs suas primeiras músicas. Gravando seu primeiro disco em 1961, na gravadora Chanticlê. Em seguida, Jackson o levou para a Phillips, por onde lançava seus discos. Depois foi para a CBS (Sony), permanecendo por 23 anos.

Com o sucesso foi convidado para trabalhar em São Paulo, junto a Pedro Sertanejo, onde permaneceu por 6 anos, até se unir a Luiz Gonzaga, que o convidara para ser seu ritmista. Com o rei do baião Elino fica por três anos. E em 96, Julião e outros artistas do gênero saem da CBS. Dois anos depois, grava o seu primeiro disco independente, com ajuda da esposa.

Ele teve nas raízes do autêntico “forró pé de serra” do sertão nordestino, registrou e divulgou com originalidade e alegria a cultura e as tradições dos folguedos populares nordestinos por mais de de 4 décadas. Foi criador de grandes sucessos da música popular nordestina, tais como: O Rabo do Jumento, O Relabucho, Maria Home, Puxando Fogo, Na Sombra do Juazeiro, A festa do Senhor São João, Cajueiro de Pirangi, Filho de Gaiamun e muito outros.

Foram mais de 400 composições, 48 LPs e 9 Cds em 43 anos de carreira. Para sua terra regressou em 1997, com o mesmo entusiasmo com que foi.

O cantor faleceu em Natal após ter sido vítima de um aneurisma cerebral, aos 69 anos, após ter jantado com a sua família. Seu corpo foi sepultado no cemitério Morada da Paz.