27 27America/Bahia dezembro 27America/Bahia 2016 – Brechando

[ARTIGO] O que aprendemos com a Princesa Leia?

Pode ser denominado um artigo de uma pessoa que gosta muito da série Star Wars, que está triste pela perda da atriz Carrie Fisher, que faleceu aos 60 anos nesta terça-feira (27), vítima de uma parada cardíaca.

É uma pena que a persona que deu a vida à Princesa Leia tenha deixado num período em que os acontecimentos da série de George Lucas estão cada vez mais reais, no qual existe a intolerância de todos os lados, pessoas temíveis prometendo ser salvador da pátria estão no poder e o pessoal sofrendo por perder um lar.

Primeiramente, ela não é aquela princesa estereotipada que os contos de fadas e os antigos filmes da Disney.  Aquela que deve ficar sempre em perigo e esperar o príncipe da vida para salvá-la. Ela nunca foi assim.

Era uma diplomata, sabia usar armas para se defender, além de ter “a força” forte dentro de si por ser filha do Anakin Sywalker. Leia também sabe lutar, pilotar, criar estratégias de ataque e consertar naves espaciais. Às vezes, a princesa era melhor do que Luke Skywalker, seu irmão.

Mesmo reconhecendo a sua posição privilegiada, tinha a noção que nem todo mundo estava bem como ela e mesmo assim queria lutar pela igualdade de todos.  Ela podia se apaixonar, mas Princesa Leia tinha as suas próprias convicções e não era influenciável.

A Princesa Leia perdeu seu planeta de criação pela Estrela da Morte, foi vítima por se opor ao determinado poder, foi presa, teve que enfrentar os opositores com unhas e dentes e mostrou que mulher pode entrar na política e falar bonito. Além disso, ela mostrou que a maternidade não é aquela coisa perfeita como todos falam e que ela sofreu quando seu filho fez coisas terríveis.

Ela mostrou que não é apenas um rosto bonito, mesmo sendo forçada a colocar um biquini esquisito após virar escrava de Jabba para conseguir libertar Han Solo daquele lugar. Apesar de muitos nerds amarem aquela roupa, o filme queria mostrar que isso não deveria ser glamourizado.

O legado da Princesa Leia não é a sua sensualidade imposta, mas a sua força, construída sem estereótipos em um universo antes considerado masculino.

Obrigada, Carrie Fisher, descanse em paz!

Quem pintou o mural de frutas da Fábrica da Sam’s?

Muita gente sabe aonde fica a antiga da fábrica das balas Sam’s, na Avenida Senador Salgado Filho. Mesmo não estando mais lá, o local ainda serve como ponto de referência dos natalenses que tentam deslocar na Avenida Salgado Filho. Um dos destaques é o mural pintado na entrada do prédio, mas quem pintou? Na nossa matéria falando da fábrica dizemos que foi Aécio Emerenciano, mas não falamos de sua biografia.

A unidade fabril foi instalada no local em 1968, quando a indústria duplicou a sua produção e mudou do bairro da Ribeira para um local maior. Dois anos depois, Aécio foi convidado pela fábrica a fazer o mural que existe até hoje na cidade. Na época, ele foi chamado para representar as frutas que eram produzidas no Nordeste e Rio Grande do Norte. A obra tem nome, se chama “A Fruteira do Nordeste” e tem 200 metros de extensão.

Mas, a história de sua arte vem um pouco antes.

O artista Aécio Emerenciano (Foto: Novo Jornal)
O artista Aécio Emerenciano (Foto: Novo Jornal)

O artista e advogado inspira-se nas belezas naturais da Praia de Muriú, aonde mora, para elaborar suas obras. Nascido em 1935, em Ceará-Mirim, Aécio Emerenciano despertou para as artes ainda na adolescência, em Maceió, influenciado pelo pintor Mário Hélio Neto de Gouveia.

Em Natal, para onde se mudou ainda jovem, teve o incentivo do pintor Newton Navarro e do escritor e folclorista Veríssimo de Melo. Nos anos 50, em Recife, descobriu os trabalhos de Lula Cardoso Aires e Brenand e, sob essa influência, iniciou seus murais, utilizando as paredes de sua casa na rua Ângelo Varela. A decisão de expor os trabalhos só veio nos anos 60, por insistência de amigos.

A arte de Aécio Emerenciano está espalhada por toda parte, em murais que explodem em cores, frutos, flores e peixes, com traços marcantes e de um lirismo muito puro. Além de Natal, ele tem trabalhos em Salvador (BA), Campo Grande (MS) e em Niterói (RJ).

Além da fábrica, ele também tinha uma obra no painel do antigo Aeroporto Augusto Severo, o trabalho demorou oito meses para ficar pronto. Também tem artes no Parque das Dunas, Governadoria e Assembleia Legislativa.

Painel no Aeroporto Augusto Severo
Painel no Aeroporto Augusto Severo

Atualmente, ele ainda continua pintando as suas obras, que são inspiradas nos peixes, frutas, principalmente o caju, e outros elementos que compõe a natureza.

Painel sendo recuperado por estudantes
Painel sendo recuperado por estudantes

No ano de 2009, o artista lançou um livro chamado “A natureza viva de Aécio Emerenciano”, no qual é um álbum de 109 páginas que reproduz 48 obras dos artista que estão espalhadas no Rio Grande do Norte.

Em 2012, o painel da fábrica da Sam’s foi recuperado por alunos da Escola Estadual Stella Wanderley, localizado no bairro de Neópolis. O resultado fez parte da programação do evento de Casa Cor no Rio Grande do Norte. No ano de 2014, Aécio foi tema de exposição na Pinacoteca Potiguar, no qual 15 quadros foram selecionados pelo artista Iaperi Araújo.

Já em novembro deste ano, a grife potiguar “Aire” realizou um desfile também na Pinacoteca, no qual foram criadas roupas em homenagem aos diversos artistas do Rio Grande do Norte. Além de Aécio, foram homenageados Ana Rique, Azol, Dorian Gray, Flávio Freitas, Marília Bulhões, Mocó, Sônia Faustino e Willame Galvão.