Vizinhos reclamam de barulho de Igreja Evangélica frequentada por jovens

A atriz Quitéria Kelly utilizou o Facebook, neste domingo (25), para criticar que estava incomodada com o barulho das festas religiosas promovidas pela Igreja Videira, no bairro de Neópolis, zona Sul de Natal.  Entretanto, ela criticou o fato de que os fiéis estavam fazendo passagem de som às 7 da manhã para a festa de Natal da igreja que aconteceu no mesmo dia.

A festa foi bastante promovida na página da comunidade, que tem quase 10 mil seguidores somente no Facebook.

Kelly, no entanto, criticou a falta de planejamento da igreja e da falta de diálogo com os moradores da redondeza.  “Como se já não bastasse chegar em nosso bairro desrespeitando os moradores com seus milhares de carros estacionados nas calçadas, com suas gincanas barulhentas ao ar livre, com direito a fogos de artifício e tambores, fora o barulho de ensaios semanais, quando não diários, da banda da igreja”, afirmou, no qual pensa em fazer um boletim de ocorrência para reclamar da poluição sonora.

A atriz falou que já chegou a reclamar aos representantes da igreja sobre os carros na calçada, que estavam atrapalhando a entrada dos vizinhos na calçada, mas sem sucesso.

O desabafo completo pode ser lido a seguir:

A Comunidade Cristã Videira – Natal passou de todos os limites.
Como se já não bastasse chegar em nosso bairro desrespeitando os moradores com seus milhares de carros estacionados nas calçadas, com suas gincanas barulhentas ao ar livre, com direito a fogos de artifício e tambores, fora o barulho de ensaios semanais, quando não diários, da banda da igreja… enfim, eis que hoje, dia 25 de dezembro, dia em que todo mundo acorda um pouquinho mais tarde, porque além de ser domingo hoje ainda é feriado, ou seja, dia de descanso pra muita gente, eis que a Videira resolveu fazer um evento onde começaram a passar o som às 07h00 da manhã na calçada da igreja, no volume máximo, testando microfones e músicas sem a menor preocupação com a vizinhança.
A falta de respeito e preocupação com os seus “semelhantes” é tão grande, que assusta saber que essas pessoas se reúnem para falar em Deus, para celebrar uma religião, para comemorar suas crenças mesmo que seja passando por cima dos direitos de outros cidadãos que nada tem a ver com isso. O egoísmo é tão grande, o desprezo pelo outro é tão assustador que só posso imaginar o pior vindo dessas pessoas, se elas fazem isso na esfera espiritual e religiosa imaginem o que não fazem em esferas afetivas e profissionais? O que esperar dessas pessoas? O que esperar desses adolescentes que frequentam esse lugar? Um mundo melhor?? Pra quem?? Apenas pra eles?
Pois toda vez que você passar na frente da Videira saibam o que os moradores das redondezas sofrem com a presença dessa igreja em nosso bairro.

Até o momento, a Igreja não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Alguns fiéis chegaram a comentar a postagem, defendendo os cultos realizados.

O Brechando, inicialmente, falou que era de Goiânia, mas não é e essa informação foi corrigida. Peçamos, desculpas.

Mas, a Igreja Videira, antes, ficava num espaço pequeno na Praça da Agaé, perto do Natal Shopping. Depois, eles se mudaram para Neópolis em um prédio que antes foi outra Igreja Evangélica, a Renascer, da bispa Sônia.

É muito comum no domingo, na Avenida Ayrton Senna, milhares de jovens andando na via com bíblias na mão e se amontoando numa calçada, cheia de carrinhos de comida, conversando sobre diversos assuntos. Porém, esses eventos também acontecem em dias de semana.

A comunidade evangélica é conhecida por receber muitos jovens e está fazendo sucesso entre os adolescentes de Natal. O vídeo do batismo entre os jovens mostra que a intenção é conquistar o público de 12 a 25 anos:

Vale lembrar que Neópolis é cheia de templos religiosos, como a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, a Igreja Batista e tem um templo espírita.

[ARTIGO] Cachos vão dominar o mundo

“Vá escovar o seu cabelo”

“Você é mais bonita com o cabelo liso”

“parece um bombril”

No ano de 2016, eu parei de ir as festas apenas na chapinha. No último sábado (16), eu fui para uma festa de formatura usando meu cabelo cacheado natural. Foi algo libertador e ao mesmo tempo eu senti que minha autoestima estava lá segura e firme.  A festa de Natal também não foi diferente e esta foi a minha foto assumindo os meus cachos e o meu corpo acima do peso.

Todas as mulheres já escutaram, pelo menos alguma vez, uma dessas frases. Eu, por exemplo, já escutei. Pera, eu estou escrevendo este texto sobre cabelo com ele preso, deixa eu tirar a presilha e pentear apenas com os dedos.

Agora sim, je suis prête.

Esta é a minha vida de cacheada. São os meus tóintóin que lembro das minhas raízes familiares. A minha bisavó materna, Zumira, era negra e tinha cabelo crespo. Além disso, a minha família paterna tem cabelos cacheados. Reza a lenda que eles eram descendentes de índios tapuias, nos quais eram recheados de pelos e cabelos encaracolados.

A minha tia, que tinha cabelo crespo, teve que crescer ouvindo que o cabelo dela era ruim e passar por inúmeras coisas para esconder o crespo.

E cabelo é vilão ou mocinho para você determinar?

Reconheço que quando era jovem não conseguia ver alguma artista que pudesse me identificar. A maioria das garotas eram brancas e de cabelo liso. Até os anos 2000, eu não via uma Taís Araújo, Karol Concá, Vanessa da Mata, Camila Pitanga ou Solange Knowles. Antigamente, as pessoas falavam que era muito difícil manter os cachos e era mais fácil alisar.

Após 23 anos de vivência, eu percebi que assumir os cachos é uma forma de resistência política e sociocultural. Mas, isso não seria vitimismo? Não necessariamente, muitas mulheres como eu, tem cabelo cacheado, e desde cedo sempre veem nas revistas, internet ou programas de televisão que ter os enroladinhos é difícil, não é bonito ou olhar as notícias apontando que o certo seria ondular.

Na minha época, cabelo bonito era aquele liso e sedoso ou quando tinha foto dos anos 80 da moda do permanente associava cacho com o cão poodle.

Muitas vezes, o cacheado está ligado às questões sociais. Por exemplo, a maioria das pessoas pobres e periféricas têm cachos e muitos foram forçados a “alisar” porque achavam que não estavam adequados aos padrões impostos pela sociedade, se arriscando em diversos produtos bastante perigosos e poderia destruir o couro cabeludo ou a própria vida.  Ninguém, afinal, quer sofrer racismo, ser olhado torto toda hora ou passar por inúmeras dificuldades.

Hoje, muitos estão caindo na real para mostrar que a naturalidade é uma forma de dizer: “Ei, vamos respeitar as diferenças e somos todos iguais perante a lei.”.

O apoio dos meus familiares para manter o cacheado me ajudou a resistir as tentativas de cabeleireiros em alisar o meu cabelo e aguentar o bullying que sofria na escola. Eles sempre enfatizavam pessoas que me representavam.

Quando vejo outras pessoas que pensam assim como eu é um misto de felicidade com emoção. É lindo ver o depoimento de mulheres que deixaram a química e falaram da “liberdade”. Foi essa liberdade que senti quando parei de relaxar, que estavam destruindo os meus cachos, e voltar em deixá-lo volumoso.

Se você está em transição, aguente firme. Se está na luta em manter os cachos, continue.