Desenhos dos pacientes do João Machado serão expostos no hospital

Na próxima quarta e quinta-feira (21 e 22), o Hospital Psiquiátrico Doutor João Machado abre a exposição “Ouça” com parte do acervo visual do setor de terapia ocupacional do hospital. São desenhos realizados pelos pacientes entre os anos de 1962 e 1979 durante as aulas de praxiterapia.

A gente já falou um pouco desta exposição nesta matéria aqui. Os trabalhos serão expostos no auditório do hospital, das 8h às 16h.

O João Machado é o maior hospital psiquiátrico do Rio Grande do Norte. Antigamente, muitos internos receberam aulas de desenhos durante o tratamento de praxiterapia. Essas atividades ficaram muito tempos esquecidas nos arquivos da unidade hospitalar até serem descobertos novamente por Pollyane Azevedo, estudante de Artes Visuais, que resolveu utilizá-las para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Os materiais estavam em uma pasta de quatro volumes.

Até o momento, o nome dos autores estão em sigilos e Pollyane não sabe se ainda estão vivos. Suas formas, suas cores, seus personagens, tudo que neles se vê é resultado de uma experiência vivida e perfeitamente equilibrado dentro de seu universo artístico. Suas composições, ora harmoniosas ou desconexas, fazem parte da construção interior de seus criadores, de suas lembranças ou projeções de surtos delirantes.

Juntos, esses elementos compõe o código de acesso a um mundo novo e inventivo, de representações e imagens adaptadas ao modo particular de cada um, seu lugar de pertencimento e de sua identidade.

Esses dois poetas vão lançar livros em Natal nesta quarta

O Natal está chegando, mas durante esta semana vários eventos culturais acontecerão e dentre eles estão o lançamento dos livros de Anna Zêpa e Daniel Minchoni, que estarão nesta quarta-feira (21) em Natown, mais precisamente no bairro de Petrópolis. Os dois têm fortes ligações com a cidade que fica na traseira do elefante.

Zêpa se chama Anna Paula e antes de virar escritora trabalhava na equipe de marketing do Carnatal e se mudou para São Paulo para tentar ser atriz. Em SP, ela começou a frequentar eventos de poesia. E essa convivência com outros poetas gerou o surgimento de um produção poética própria que acabou virando um livro, o “Primeiro Corte” (Selo Doburro, 2013).

Depois, um poema surgiu e veio a ideia de colocar ele pelas paredes, na cidade. As fotos, no entanto, começaram a espalhar na internet. Então surgiu o livro “A convivência de nossos rastros” (2015, Selo Doburro).

Fundou a companhia “As de Fora”, em parceria com a atriz portuguesa Tânia Reis, em 2012.

Agora, ela lança o livro de contos “Da perda à pedra a queda é livre” , que foi publicado recentemente em São Paulo pelo selo Demônio Negro e em Lisboa pelo selo Douda Correria.

“Rosário de Boatos ou Tracelim de Outros” é o novo livro de poesia de Daniel Minchoni, lançado recentemente em São Paulo pelo selo DoBurro. Daniel Minchoni é natural de São Paulo, mas boa parte de sua carreira começou no Nordeste. Inicialmente, pisou em Recife e aos 18 para Natal para entrar na faculdade de Publicidade.

Com o professor Ruy Rocha criou o Poesia Esporte Clube, onde criavam poemas e saraus. Os encontros sempre aconteciam na Casa da Ribeira. Junto com o Carlos Fialho, ele foi um dos criadores do selo Jovens Escribas onde lançou alguns livros, como “Iapois, Poisia” e “Escolha o Título”. Foi também na faculdade que conheceu Sinhá, que também é poeta.

Depois, ele se mudou, novamente, para São Paulo e foi lá que desenvolveu o Sarau do Burro (foi daí que surgiu o nome do selo), Sand Slam (criação de poemas mais curtos) e o festival “O Menor Slam do Mundo”.

Serviço
Lançamento dos livros de Anna Zêpa e Daniel Minchoni
Onde: Between Gallery – Rua Campos Sales, 384
Hora: a partir das 19h

Brechando o Flin, Festival Literário de Natal

O Festival Literário de Natal aconteceu na semana passada em Natal e foi encerrado no sábado (17) com um show gratuito do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro. O evento reunia escritores, leitores e gente interessada em dar um rolé pela cidade, principalmente neste período de fim de ano.  Mas, no dia anterior, eu dei boas brechadas sobre o Flin, como ele é mais conhecido.

Fotos do flin: lara paiva

Livros, muitos livros
Livros, muitos livros

O Flin, em comparação aos eventos anteriores, estava mais enxuto, devido à famigerada crise econômica que o prefeito Carlos Eduardo bate na tecla. Neste ano, no entanto, ele investiu mais em festa do que na própria literatura, quando colocou duas atrações nacionais gratuitas no largo do Teatro Alberto Maranhão. Enquanto isso a programação de autores foi bem reduzida.

Além disso, foi uma forma de tentar revitalizar a Ribeira, que se não tivesse evento naquela hora estaria bem escura e bastante perigosa.

Lançamento de livros
Lançamento de livros

Entrando na Praça Augusto Severo, onde fica o largo do teatro, você via logo o letreiro mostrando aonde era o Flin, porém não havia um mapa para explicar onde ficava cada lugar, você tinha que trabalhar na intuição. Por exemplo, na entrada tinha o estande com as editoras Sebo Vermelho, Cooperativa Cultural, Jovens Escribas e dentre outros.

Também tinha agendas para vender
Também tinha agendas para vender

No momento que chegamos havia dois lançamentos acontecendo simultaneamente. Eram os livros “Sexo, Estômago e Memória: Uma Noite com Alex Nascimento e Woden Magruga”, de Mário

Bate-papo com Woden Madruga, Alex Nascimento e Mário Ivo Cavalcanti
Bate-papo com Woden Madruga, Alex Nascimento e Mário Ivo Cavalcanti

Ivo Cavalcanti, e “Absoluta Urgência do Agora”, de Patrício Júnior. Era o momento certo para comprar e conversar com o autor na sua frente, até mesmo para tirar uma selfie, se você for um pouco mais sem-vergonha.

Era uma ótima oportunidade de comprar livros em um preço mais barato e conhecer as produções locais.

O tema principal deste ano era cordel, no momento que chegamos havia um grupo tocando repente e recitando vários cordéis famosos na cidade. Também tinha um espaço para comprar os cordéis de Paulo Varela, um dos artistas importantes do cordel no Rio Grande do Norte. Ainda tinha uma biblioteca itinerante, mas estava fechada.

Biblioteca no fundo e espaço para vende cordel
Biblioteca no fundo e espaço para vende cordel

A programação estava grudada na entrada de uma das tendas aonde acontecia o bate-papo. Portanto, você tinha que a baixar no celular, no site da Prefeitura do Natal. Mas, muitas vezes era comum perguntar: “O que está rolando, hein?”.

O relógio marcou 20 horas, a tenda principal estava rolando um bate-papo e o escritor Mário Ivo Cavalcanti, juntamente com Alex Nascimento e Woden Madruga foram conversar sobre o livro citado acima. Inicialmente, seria um bate-papo com o cantor Raimundo Fagner, que fez um show no dia anterior, sobre poesia e literatura, mas por motivos de saúde, Fagner teve que voltar para o Rio de Janeiro.

Como bons jornalistas, eles sabem se virar quando uma pauta cai e transformar em algo diferente. Assim como no livro, eles falaram de tudo, causando crises de riso na plateia, desde o fechamento do Bella Napolli até à Operação Lava-Jato. Eles praticamente transformaram aquela palestra em uma conversa de boteco. Isto é um elogio, pois conversa de bar são as melhores e foi numa delas que aprendi a diferença de um peito normal e o de silicone.

Depois, eu fui caminhar, encontrei alguns amigos e começamos a falar sobre o filme Rogue One, que estreou recentemente e é um spin-off de Star Wars, conforme foi devidamente brechado nesta seguinte matéria. Fui autorizada em fornecer alguns spoilers que não contarei nesta matéria e depois resolvi comer.

Tinha muitos food trucks, mas se não quisesse ser atingida pelo raio gourmetizador, tinha aqueles sebosões, espetinhos e outras delícias de comida de rua que estavam com um preço mais em conta.

Comidinhas perto do teatro
Comidinhas perto do teatro

Resolvi andar pela Avenida Duque de Caxias, onde o Buraco da Catita estava começando a abrir, os gringos que estavam saindo do albergue em direção ao ponto de ônibus e os últimos estabelecimentos comerciais estavam fechando a porta. Começava a ler os pixos, olhar os prédios do século XVIII ainda intactos, olhar aquele poste do século XIX  e ver as pessoas andando de um lado para o outro no bairro tradicional da cidade.

Depois, finalmente cheguei ao Nalva Melo Café Salão, que é um salão de cabeleireiro localizado na Ribeira que é mais que um salão de beleza. Ele é um espaço cultural, onde funciona uma cafeteria e espaço para diversos eventos culturais da cidade.

Exposição de Civone Medeiros no Nalva Melo Café Salão
Exposição de Civone Medeiros no Nalva Melo Café Salão

Ele fez parte da programação alternativa do Flin, onde no momento em que pisamos estava tendo o lançamento do livro “Para eu Parar de Me Doer”, do Thiago Medeiros, exposição de Civone Medeiros e uma apresentação musical. O evento foi organizado pelo Selo Caravelas.

Hora do show, tinha Plutão Já Foi Planeta e começou a sexta, hora de se divertir. Isso era o Flin, uma mistura de tentativa de revitalização da Ribeira, cultura, música, literatura e entretenimento.