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[ARTIGO] Eu quero ter a vida sexual de Cleo Pires

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Estava conversando que toda a mulher queria ser bem resolvida e falasse que ficaria com tal homem sem medo de ser julgada por amigas e companheiros. Queria ter uma vida sexual da Cleo Pires, onde pudesse falar o que perguntasse sem pudor ou problema. Ou, até mesmo, falar de putaria (sim, putaria/sexo/sacanagem como queira definir). Por enquanto, algumas desabafam em grupos fechados como o LDRV (Lana Del Rey Vevo) ou PCTB (Please Come To Brazil). Ela, provavelmente, deve ter gozado muito mais que aqueles que a julgam.

Mas, isso deveria ser algo tão natural, visto que foi através do sexo que a gente surgiu e se sentir bem com o seu corpo não quer dizer que você é uma puta ou vai para o inferno por conta disso. Além disso, ninguém deveria te julgar por você gostar de sexo, afinal é bíblico quem julga será julgado da mesma maneira na hora do juízo final do Apocalipse de São João.

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As pessoas estão de cabelo em pé por conta que Cléo Pires, uma mulher, com carreira de atriz bem sucedida, de 35 anos, e não depende mais de ninguém. Praticamente, a nossa Luz Del Fuego dos tempos modernos ou uma Pagu. Duas pessoas bem para frentex no século XX, que merecem ser googladas por vocês, brecheiros. Porém, elas eram ricas e independentes, podiam fazer o que bem entender das nossas vidas. As pessoas só aceitam que falem de sexo se for este tipo de mulher. Enquanto isso mulheres negras além de não poderem falar com toda vontade do mundo que já fez sexo em todos os lugares possíveis, com quantos anos perdeu a virgindade e das fantasias sexuais, elas são ainda alvo de objetos sexuais dos homens, ainda, em pleno século XXI.

Muitas queriam estar no papel de Cleo Pires, apesar dos memes, falar sobre sua vida íntima sem problemas, sem ser denominada de puta (!) ou algo do gênero.

Por que a mulher não pode falar que tem uma vida sexual igual a de um homem? Enquanto isso, estudos da Universidade de Manchester diz que mais de 50% dos homens com mais de 70 anos possuem uma vida sexual ativa.

Pensar que 53% das brasileiras solteiras entre 18 e 25 anos jamais tocaram uma siririca. Para quem não sabe, isto se chama a masturbação feminina. Sim, mais da metade das mulheres nunca enfiaram os dedos nela mesma, usou vibrador, consolo, chuveirinho, colocou o travesseiro entre as pernas e outros métodos para masturbação feminina. Enquanto os homens podem falar do ato repetido com a mão direita ou falar coisas mais pesadas e nojentas em redes nacionais.

Para piorar, o blog Mulheres Resolvidas contou que uma pesquisa realizada pela Durex (empresa de camisinha) com mais de 1 mil brasileiras, por exemplo, mostrou que 78% delas não atingem orgasmo ou muito menos sabem o que é isso.

Sem contar que o prazer da mulher é cada vez mais desestimulado depois dos 50 anos, principalmente quando chega a menopausa, período natural da vida no qual os médicos apontam que ocorre diminuição da libido, dificuldade para chegar ao orgasmo e dor durante a relação transformam a vida sexual das mulheres com mais de 50 anos em um problema, afastando o prazer e causando preocupações que, muitas vezes, geram uma crise no casamento.

Além disso, a mulherada pode fazer diversos tratamentos, como terapia e a mudança de hábitos em nome de uma rotina mais saudável, com dieta balanceada e prática de exercícios.

O prazer associado ao sexo pode ser explicado em termos evolutivos. Ele pode funcionar como um bônus para a realização do ato sexual. Em muitas espécies o sexo tem um alto custo energético, de forma que, se não houvesse tal compensação, provavelmente as espécies não o realizariam e consequentemente desapareceriam. Pois é, enquanto vocês reclamam da Cleo Pires, ela vai ajudar a procriar a espécie humana, se ela tiver filhos, claro, pois é opção dela.

Você não precisa transar igual a Cleo Pires, mas você precisa ser aberta como Cleo Pires. Como assim? Ser bem resolvida em saber o que te faz sexualmente bem e parar de satisfazer apenas seu companheiro/namorado/ficante/pau amigo.

Lara Paiva

Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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