[ARTIGO] Fugindo da Ribeira, Diogo Nogueira faz apresentação no Teatro Riachuelo

Cidades
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Era século XX, os escravos foram libertos, mas a falta de trabalho lhe fizeram adentrar aos cortiços e morros do Rio de Janeiro.  Baseado em diversos ritmos africanos, as batucadas ajudaram a formar o que seria o samba. No início da República, o samba era proibido de ser tocado.

Existem registros na história do Rio Grande do Norte, através do Jornal A República, que um samba foi proibido próximo da praça Pedro Velho.

Em uma das casas que, segundo o jornal, era “um casebre em ruínas” e “uma ameaça a segurança e higiene públicas”, se reuniu de “sábado até a manhã do dia 3 de julho”, uma “súcia de vadios”, que promoveram um “samba”, com “gritos infernais”. Afirma a nota que o problema não era novo e o local era utilizado para “Práticas imorais”.

Mas, claro que isto começou a ser aceito ao longo dos anos.

As origens do samba potiguar surgiram na década de 30, principalmente nos bairros da Rocas, Ribeira e Cidade Alta, berço das escolas de samba Balanço do Morro e Malandros do Samba. Além disso, os amantes da batucada ficam perdidos na quinta-feira, uma vez que vários lugares nesses bairros da zona Leste possuem uma própria roda de samba.

Por isso, muitos sambistas cariocas, como Dudu Nobre, Xande de Pilares, Teresa Cristina e dentre outros, procuram fazer shows na região. Mas, tem gente que prefere em um local mais central.

Para valorizar o samba potiguar existe diversos projetos, como o Ribeira Boêmia, que acontece no Solar Bela Vista, com artistas locais e também nacionais. Mas, um release me chamou atenção, visto que cada vez mais queremos popularizar o samba, porém de vez em quando queremos elitizá-los.

Em turnê nas cidades de Fortaleza e Natal, no qual o show é nesta sexta-feira (25), o sambista toca no Teatro Riachuelo para turnê do seu mais novo álbum, “Munduê”, e comemorar os 10 anos de carreira.

Conhecido por divulgar o samba raiz, principalmente no seu programa na TV Brasil, o filho de João Nogueira procurou no seu trabalho inteiramente autoral trazer sonoridade que privilegia a batucada. No repertório, o sambista traz um show com destaque para o samba com pé no chão, com muito batuque, foco na ancestralidade, através de músicas inéditas de sua autoria e também composições que fizeram sucesso e marcaram a sua carreira. Há muito tempo Diogo Nogueira deixou de ser uma promessa para se tornar um de nossos maiores sambistas.

Os produtores culturais de Natal, no entanto, deveriam estimular grandes artistas que fazem este gênero musical para os lugares aonde foi feito e isto seria uma vitrine não só para o cantor e compositor, mas também aos sambistas locais.

Levar para um teatro elitista é algo meio contraditório, enquanto a raiz do samba se encontra em camadas mais populares, principalmente que tem um programa de televisão que enfatiza esse assunto.

O álbum “Munduê” foi produzido por Rafael do Anjos com Alessandro Cardozo, e é um trabalho que representa a salutar tomada de posição de Diogo em favor do bom samba de raiz, com interessante número de arranjos com ênfase na percussão e com mensagens na linha positiva, que quer também melhorar o País e o mundo com seu som, incluindo mensagens para energizar nosso espírito em tempos tão tenebrosos. E o show segue a mesma proposta.

A banda que o acompanha é formada por João Marcos (baixo e direção musical), Henrique Garcia (cavaquinho), Wallace Pres (violão), Jefferson Gordo (bacteria), Maninho (percussão), Bruno Barreto (percussão e coro), Wilsinho (percussão) e Fabiano Segalote (trombone).

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