Jovem natalense desabafa como morar na periferia

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A estudante de jornalismo Jadeanny Arruda está perto de se formar. Assim como muitos natalenses, ela está acompanhando de perto o que está acontecendo no Presídio de Alcaçuz, no qual facções rivais estão brigando entre si e 26 apenados foram mortos. Apesar de negado pela equipe de Segurança do Governo do Estado, familiares de presos comentam que existem mais pessoas mortas.

Entre o discurso de “bandido bom é bandido morto” e “fim do discurso de ódio”, a Jadeanny lembra de como foi crescer no bairro do Bom Pastor, zona Oeste de Natal, através de sua página pessoal no Facebook. Assim como Mãe Luíza, registrada na foto acima por Canindé Soares, o bairro fica numa região periférica dominada por traficante de drogas e muitos moradores ralam para conseguir se sustentar.

Jadeanny relatou como foi crescer vendo traficantes darem remédios aos seus vizinhos que estavam precisando de um atendimento médico, vê-los andando pelas ruas e de várias vezes ouvir os barulhos de tiro entre policiais e traficantes na guerra contra o tráfico.

Apesar dos problemas, ela comemora por ter conseguido estudar numa escolar particular (as escolas públicas da região não era das melhores) e de ter entrado numa universidade federal, apesar de ver muitas pessoas que cresceram com ela acabarem indo ao tráfico, que para ela é “um caminho sem volta”.

“Os barulhos de tiros são comuns desde minha infância, quem mora na periferia sabe que nem tudo é tão tranquilo e nem tão terrível, tudo pode estar em guerra e depois ficar em paz e tudo pode estar em paz em se transformar em uma guerra. Quem mora na periferia se “acostuma” a receber a notícia de algum traficante morto. Mas uma das coisas que mais me dói nisso tudo é ver as crianças que cresceram comigo se tornando os novos traficantes, perpetuando um caminho sem volta. É muito triste saber que a família cedo ou tarde vai chorar, seja pela prisão ou morte. E quando a prisão vem não deixa de ser uma morte”, continuou.

Entretanto, ela reconhece que foi uma exceção, visto que seus parentes tiveram que trabalhar primeiro para consegui terminar os estudos e não o contrário.  Vale lembrar que o Bom Pastor fica próximo da Comunidade Novo Horizonte, conhecida como a Favela do Japão, lembrada nos noticiários policiais pelas mortes de pessoas.

“[No domingo], podia ser ouvido barulho de tiros. O estopim foi ouvir um áudio de uma amiga da minha tia (pelo Whatsapp), – que mora na comunidade do Japão, contando do terror e do medo dela e das filhas com a intensa troca de tiros. Não são dois presídios que vão me trazer a sensação de segurança”, lamentou.

O desabafo completo pode ser lido a seguir:

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