Mutirão de grafitagem no Passo da Pátria acontece neste sábado

O projeto INarteurbana vai dar mais um passo para as atividades culturais no bairro do Passo da Pátria, zona Leste de Natal: mutirão de grafitagem, que acontecerá durante o fim de semana. As intervenções artísticas ganham força a partir da manhã deste sábado, às 10h30, quando artistas urbanos convidados e selecionados desta edição vão criar novas peças de grafite pelos espaços do bairro, em especial, no muro que circula a Praça do Passo.

Além disso, será a finalização da nova Praça do Passo que vai receber bancos, uma horta comunitária e o esperado anfiteatro ecológico, construído junto com moradores. A previsão é de que tudo se conclua no domingo.

“Vai ser um momento bem importante para a comunidade porque os grafites que existem lá no muro da praça já estão desgastados, e isso vai trazer ainda mais vida para esse espaço de convivência que eles ganham a partir de agora”, opina Agathae Montecinos, presidente da Pixo, uma das associações culturais responsáveis pelo projeto. Entre os selecionados, mediante uma chamada pública, e os convidados, pela proximidade artística com o projeto, 20 artistas de 8 estados diferentes compõem a edição 2017 do projeto INarteUrbana. Os nomes foram revelados ao longo da semana nas redes sociais do projeto e podem ser conferidos aqui.

A partir deste sábado, os artistas começam a compartilhar suas experiências com jovens da comunidade através de oficinas e trabalhos práticos, culminando com uma grande exposição coletiva no dia 1 de setembro em local a definir. Confirme sua presença aqui

Os artistas convocados são: Memi (RJ), Cazé (RJ), Diego Mouro (SP), Ramon Sales (CE), Daniel Torres Artes(RN), Etnograffiti (AC), Thayroni Arruda (PB), Ianah (PE), Augusto Barros(PE) e Toys & Omik (DF). Já os convidados, por sua vez, são: Arthur Doomer (PI), Bones – Wallace Paes (RN), Arbus (RN), Kefren Pok (RN), Mag Magrela (SP), PazCiencia420 (RN) Marcelo Borges (RN), Bruno Otavio (RN), Doce Freire(RN) e Acidum Project (CE)

Criado em 2015, o INarteurbana é um projeto sociocultural de ativação dos espaços públicos por meio de ações artísticas desenvolvido na comunidade do Paço da Pátria.

A iniciativa é uma realização da Casa Vermelha em parceira com a associação franco-brasileira Pixo, e conta com o apoio do Espaço ViraMundo; Escola Municipal Murici Gomes; Rádio comunitária do Passo; Grupo de idosos; ADIC; Governo do Estado do Rio Grande do Norte; Fundação José Augusto; Pinacoteca Potiguar; Sherwin Williams; Fondação Air France; Aliança Francesa de Natal; Consulado Geral da França em Recife e do Instituto Francês.

Dia que Natal se transformou em Nova Amsterdã

Nos livros de história, a Holanda resolveu invadir o paíse quando Portugal se transformou em União Ibérica, período em que o país europeu unificou com a Espanha. No século XVII, surgiu a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. A primeira Nova Amsterdã surgiu 10 anos antes que Natal foi invadida, numa área que hoje é conhecida a cidade de Nova Iorque, Estados Unidos.

A cidade foi fundada em 1625 pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, na ilha de Manhattan, um local estrategicamente posicionado, com o objetivo de defender o acesso fluvial para o comércio de peles no vale do Rio Hudson.

Tornou-se o maior assentamento neerlandês na América do Norte, a capital dos Novos Países Baixos, permanecendo sob controle neerlandês até 1664, quando foi capturada pelos britânicos. Embora os neerlandeses tenham reassumido o controle de Nova Amsterdã em 1673, os britânicos recuperaram o assentamento no ano seguinte, pelos termos do Tratado de Westminster.

Como surgiu a Nova Amsterdã que hoje é Natal? Em 1633, os holandeses tomam a cidade do Natal no Nordeste brasileiro dos portugueses e a rebatizam de Nova Amsterdã. Nesse período a cidade cresceu e por causa de sua região privilegiada geograficamente foi muito preciosa para os holandeses por onde eles poderiam observar se algum inimigo se aproximava da região e proteger o importante comércio açucareiro do Nordeste brasileiro.

Vale lembrar que os holandeses não foram santos, houve muita resistência dos povos locais, resultando nos massacres de Cunhaú e Uruaçu, que falamos por aqui.

Embora tenha recebido o nome da principal cidade neerlandesa, Natal não era o principal núcleo do protetorado, mas a cidade do Recife. Segundo o historiador Câmara Cascudo, Natal tinha apenas 6393 habitantes no final de 1805, passando para mais de 16 mil pessoas no final do século XIX.

Natal permaneceu com esta denominação até quando tropas portuguesas, auxiliadas sobretudo por pernambucanos, estes que fundaram a cidade de Natal, e índios aliados expulsaram os invasores e restauraram o domínio de Portugal na região.

O que pouca gente sabe é que a origem da comunidade judaica de lá mistura um naufrágio e a história do Brasil. Os antepassados do rabino Lopes Cardoso viveram no Recife há quase quatro séculos. Ele ainda sabe canções em português e ladino, a língua dos judeus de origem ibérica. O rabino descende dos primeiros judeus que chegaram a Nova York. Foi há 350 anos, em 7 de setembro de 1654. Um monumento homenageia o pequeno grupo de 23 refugiados sobreviventes do naufrágio de um navio que deixou Recife, um mês antes. Durante a ocupação do nordeste brasileiro pela Holanda, comerciantes judeus de origem portuguesa se estabeleceram no Recife, onde fundaram a primeira sinagoga das Américas, recentemente restaurada.

Depois da reconquista do Nordeste por Portugal, holandesas e judeus foram expulsos. Com o fim do Brasil holandês, os judeus expulsos do Recife tiveram que voltar à Holanda. Mas um dos navios naufragou durante uma tempestade no Caribe. Os sobreviventes tiveram todos os bens roubados por piratas, mas conseguiram carona numa caravela para chegar a Nova Amsterdã, hoje Nova York. Desembarcaram no porto de onde hoje saem os barcos com turistas para visitar a Estátua da Liberdade. Esses judeus portugueses fundaram a comunidade judaica que se tornou a maior do mundo. O primeiro cemitério judeu da cidade ainda existe. Ali estão enterrados descendentes de portugueses, com nomes como Lopes, Mendes, Homem e Cardoso, mas o tempo quase apagou os nomes nas lápides. É o lugar histórico mais antigo de Nova York.