Existe uma Natal na África do Sul?

Na verdade, Natal é uma província localizada na África do Sul, com o nome de KwaZulu-Natal, que faz fronteira com os países Moçambique, Lesoto e Suazilândia.  É a única região do país que o idioma dominante não é o inglês, mas o Zulu, um dos dialetos existentes no continente africano. As duas maiores cidades da região é Pietermaritzburg, a capital da província, e Durban, que lembra um pouco da Natal do Rio Grande do Norte.

Esta província recebe este nome pelo fato do Vasco da Gama ter a visitado no dia 25 de dezembro de 1497, 100 anos antes da fundação da cidade brasileira de mesmo nome.

Cidade de Durban, na província de Natal, na África do Sul, que lembra Natal do Brasil

Nos princípios do século XIX, a região era habitada principalmente pelos Zulu e os britânicos adquiriram muito daquelas terras dos chefes Shaka e Dingane.

Os agricultores africânderes (ou bôeres) chegaram à região em 1837 e, depois de várias batalhas com os Zulu, eles fundaram ali uma “república”. Em 1843, os britânicos anexaram Natal à Colônia do Cabo, o que levou ao êxodo dos bôeres. Formando, assim a Colônia de Natal. 50 anos depois se tornou um governo autônimo da Grã-Bretanha e 17 anos depois foi uma das províncias fundadoras da União Sul-Africana.

Em 1993, com o início do mandato de Nelson Mandela, Natal se juntou com a terra de KwaZulu, que era um bantustão, um antigo território reservado na África do Sul para os negros e foi uma das primeiras medidas para a implantação do apartheid. Segundo o plano do governo sul-africano, toda a população negra do país seria deslocada para os bantustões e perderia a nacionalidade sul-africana, mas continuaria trabalhando na África do Sul.

Dia que Natal virou uma cidade comunista

Há 80 anos, Natal já foi uma cidade regida pelo comunismo. Por algumas horas. Esta ação fez parte da Intentona, quando o Partido Comunista do Brasil, o PCB, liderado por Luís Carlos Prestes, queria que o Brasil se tornasse um governo comunista. Uma tentativa de fazer uma Revolução Russa nas terras tupiniquins, que aconteceu 20 anos antes. De todos os estados existentes na época, apenas o Rio Grande do Norte conseguiu colocar o plano na prática.

Enquanto isso, a situação política no Brasil, deteriorava-se em face da crise econômica e das contradições existentes no interior do Governo Vargas

Na época, Prestes fez contato direto com a Internacional Comunista e foi convidado para passar uma temporada de estudos do marxismo-leninismo na União Soviética, para onde viaja em setembro de 1931 e permanece até abril de 1934, quando chega ao Brasil, em companhia de Olga Benário.

Aconteceu no dia 23 de novembro de 1935 por militares, em nome da Aliança Nacional Libertadora. O objetivo era uma revolução “nacional-popular” contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo, possuindo, nas suas reivindicações menos imediatas, aspectos como a abolição da dívida externa, a reforma agrária e o estabelecimento de um governo de base popular.

O levante aconteceu em três lugares: Natal, Recife e Rio de Janeiro.

O 21º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, sediado em Natal, iniciou um levante liderado por sargentos e cabos filiados ao Partido Comunista do Brasil e à Aliança Nacional Libertadora, organização política de esquerda, recebendo a adesão da direção do PCB e a participação de operários, populares e ex-integrantes da guarda civil do Estado. Consolidado o controle militar, foi instalado um autodenominado “Comitê Popular Revolucionário” que durante 80 horas (três dias), até a madrugada do dia 27, manteve o controle da capital e de 17 cidades do interior, dissolvendo-se e se pondo em fuga, ante a aproximação de tropas leais ao governo federal.

Em Natal, as condições locais contribuíram para amplificar a motivação. Os militares de baixa patente, muitos já excluídos, outros ameaçados, com uma atuante célula comunista no quartel, há muito se encontravam aliciados por tenentes de outras guarnições. A demissão coletiva foi o estopim que detonou o levante antes da hora. Curiosamente, foi também a razão do sucesso inicial. A surpresa, somada à incompetência do aparelho de segurança, contribuiu para que os militares tivessem razoável apoio popular.

O quartel, onde hoje funciona a Casa do Estudante, no bairro da Ribeira, ficou cravejado de balas. Uma Junta de Governo chegou a ser formada e destituiu o governador Rafael Fernandes e a Assembleia Legislativa.

Várias pessoas foram presas, incluindo o líder comunista Luís Carlos Prestes, e culminou com o golpe militar de 1937 que implantou o regime de direita denominado Estado Novo.