Museu Nacional: Quando resta as cinzas para Ciência

Artigo
Compartilhe:

O tweet diz:

Nos últimos oito anos, a União mostra que está cada vez mais escassa no investimento em educação. Quando falamos desta área, não centralizo apenas a melhorias de escolas públicas, visto que a Constituição Federal de 1988 aponta que a obrigatoriedade disso para o Ensino Infantil e Ensino Fundamental aos Municípios e o Ensino Médio para o Estado. 

Quando falo em Educação, também falo de investimento à ciência e às pesquisas. As pessoas falam tanto em investimento em tecnologia, mas esquecem da importância das pesquisas históricas, visto que estudando o passado faz compreender nosso futuro. 

Foi assim que pessoas, como Mary Del Priore, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro dedicaram anos de pesquisa analisando a história do Brasil, pois assim compreenderíamos certas atitudes que o povo brasileiro insiste em fazer. 

Após a posse do presidente Michel Temer, os investimentos voltados para pesquisa e educação estão cada vez mais em xeque. É ameaça de corte de bolsas nas universidades federais, pesquisadores desempregados e também o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico  (CNPq) mais diminuto.

Sem contar que contamos nos dedos os investimentos da iniciativa privada voltada para área. 

Quando falo em Educação, não apenas restrinjo ao Ministério da Educação, mas também outras pastas que possuem a ligação e juntas podem melhorar esta área, como o Esporte, a Cultura e a Ciência. 

Mas não é isso que está acontecendo, visto que o Ministério da Cultura quase foi extinto e o da Ciência e Tecnologia se juntou com o da Comunicação. 

Apesar da luta de conseguir manter o Ministério da Cultura, os recursos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico) estão cada vez mais escassos, tanto que a Fortaleza dos Reis Magos voltou a ser administrada pelo Governo do Estado devido a demora na reforma.

O descaso com os museus e os instrumentos históricos estão cada vez mais nítidos, mas mal sabíamos que o pior estaria por vir. 

Na noite deste domingo (2), a televisão mostrou o incêndio que destruiu um dos principais museus brasileiros: o Museu Nacional, que possui 200 anos de história e foi construído quando a Família Real Portuguesa esteve no Brasil.

Apesar de não haver feridos, todo o acervo foi destruído. Desde 1892, o museu ocupa um prédio histórico, o palácio de São Cristóvão, que foi doado por um comerciante ao príncipe regente D. João em 1808 e que depois tornou-se a residência oficial da família real no Brasil entre 1816 e 1821.

Quem já visitou os bairros históricos do Rio de Janeiro, sabe que lá respira a história da formação do país e é a herança direta do legado que os portugueses deixou na nossa terra. 

Foi também palco para a primeira Assembleia Constituinte da República, de novembro de 1890 a fevereiro de 1891, que marcou o fim do império no Brasil.

Desde 1946, o Museu Nacional é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem um perfil acadêmico e científico.

Entre seus principais tesouros estão a primeira coleção de múmias egípcias da América Latina e o Bendegó, o maior meteorito já encontrado no Brasil – ele foi achado no sertão da Bahia no século 18 e pesa mais de 5 toneladas.

Pesquisadores e funcionários do Museu Nacional se reuniram com o Corpo de Bombeiros para tentar auxiliar no combate das chamas. 

Enquanto isso, o Ministério da Cultura só divulgou uma nota lamentando o ocorrido. 

 

Veja como era o museu antigamente:

Essa é a nossa história indo para as cinzas. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.