O que você precisa saber do primeiro festival de música de 2017?

No primeiro final de semana de janeiro, entre os dias 7 e 8 de janeiro, acontecerá o Festival Ribeira 360º. Muitos estão torcendo pelo sucesso do evento, visto que a Ribeira vai ficar um pouco carente de festivais, se o Dosol cumprir a promessa que o festival migrará para praia. A intenção é comemorar os 20 anos do projeto de revitalização da Ribeira com artistas potiguares e suas músicas autorais.

Confira algumas curiosidades do evento a seguir

É idealizado pelo produtor cultural Marcílio Amorim e a intenção é ocupar todo o largo da Rua Chile, na Ribeira.

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A Rua Chile foi aonde nasceu o Festival Mada.

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Quem está confirmado para a festa? Plutão Já Foi Planeta, DuSouto, Rastafeeling, General Junkie, Khrystal, Mad Dogs, Camila Masiso, e Luísa & Os Alquimistas.

Luísa e os Alquimistas estão confirmados no festival
Luísa e os Alquimistas estão confirmados no festival

A intenção do evento é misturar artistas de diversos estilos, pois haverá desde samba até o heavy metal.

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Os ingressos já estão a venda de ingressos Ótica Oticalli, do Midway Mall. As vendas online, por sua vez, continuam no Bilheteria Digital.

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Aqui está a programação do evento:

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Outra novidade no Festival #Ribeira360º é a participação do Palco Remuin – Rede de Música Independente do Natal, que vai reunir diversas bandas que levam o seu som por conta própria. Quem vai tocar neste palco?  Veja aqui:

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Além do Palco 360º, que é o principal, outros dois espaços irão homenagear os points que ajudaram a difundir a música local nos anos 1990: Palco Blackout, Palco Bimbos e Lounge Kazarão da Ribeira.

Ribeira ainda com os primeiros bares (Foto: UOL)
Ribeira ainda com os primeiros bares (Foto: UOL)

Um dos autores do projeto de Revitalização da rua Chile, o arquiteto Haroldo Maranhão irá apresentar uma exposição do painéis, fotografias e documentos que explicam como se deu o processo de recuperação e prospecção no largo, e detalhes sobre o projeto “Fachadas da Rua Chile”, que em 1996/97 recuperou a pintura frontal de parte do casario, tornando viável a ocupação dos empreendimentos e casas noturnas.

Haroldo Maranhão, o arquiteto (Foto: Facebook)
Haroldo Maranhão, o arquiteto (Foto: Facebook)

E aí curtiu, saca mais um pouco da história da revitalização:

O bairro da Ribeira é conhecido como ponto de referência do comércio da cidade, abrigando até hoje um dos mais representativos conjuntos de edificações e casarios de grande valor histórico. Mas foi há vinte anos que uma onda revitalizadora o fez ressurgir como opção cultural, na carona de um projeto arquitetônico que chamava o poder público para a revitalização daquela área, a partir da rua Chile.

Foi o tempo do famoso Blackout Bar, do Armazém do Cais, Itajubar, A Lata e Bar das Bandeiras, que com suas agendas diversificadas abriram espaço para a música produzida em Natal. Essa efervescência espalhou-se por ruas adjacentes como Frei Miguelinho, Dr Barata, Duque de Caxias e Tavares de Lira e nelas surgiram mais casas noturnas com o mesmo perfil cultural e festivais.

Esta foi a casa da Rua Chile onde morou o poeta Ferreira Itajubá

Esta foto de Magnus Nacimento, publicada no ano passado para o jornal Tribuna do Norte, mostra um casarão centenário que fica na Rua Chile. A residência de rosa e branco, com número 63, morou um poeta potiguar que não é muito lembrado e seu primeiro livro foi lançado dois anos após a sua morte, intitulado de “Terra Natal” (1914). Foi enterrado como indigente no Rio de Janeiro.

Era nesta rua que ele morou, montou seu circo e trabalhou por muito tempo. Atuou como poeta, jornalista, auxiliar de comércio, funcionário público e professor, apesar da baixa escolaridade.

Ferreira Itajubá era o nome de Manoel Virgílio Ferreira, nascido no dia 21 de agosto. Não se sabe se Ferreira veio ao mundo em 1875, 1876 ou 1877. Muito menos se nasceu em Natal ou na cidade de Touros, onde fica a origem de seus familiares.

Aprendeu as primeiras letras, com o professor Tertuliano Pinheiro e com Joaquim Lourival Soares da Câmara. Ficou órfão de pai aos seis anos, vitimizado pela varíola. Sua mãe foi quem lhe criou. Então, Itajubá teve que entrar na labuta bem jovem. Aos 12 anos, ele foi trabalhar numa loja na Rua Chile. Quatro anos mais tarde se mudou para Macau após receber uma outra proposta de emprego.

Assim como seu pai, ele também ficou doente de varíola e teve que voltar novamente para a capital potiguar, tendo que retornar ao antigo emprego, no qual recebeu o direito de estudar. Entretanto, o patrão morreu e resolveu montar um circo no quintal de sua casa, onde fazia todos os personagens.

Em 1896, ele criou o jornal literário “O Echo”. Em seguida, ele fundou a revista “A Manhã”. Entretanto, ele escreveu para todos os periódicos daquela época, como “A República” e “O Diário de Natal”.

Sua poesia era ligada ao Romantismo, mas com influência do Parnasianismo e do Simbolismo.

Com a antiga residência Itajubá “ainda viva”, a intenção é usá-la para fazer um memorial em sua homenagem. A proposta já foi aprovada em um edital municipal e o orçamento é de R$ 280 mil, envolve parceiros nacionais e inclui a restauração do imóvel.

A casa já foi uma agência de publicidade e também funcionou como o camarim do Centro Cultural Dosol, que fica do lado da residência.

O que precisa saber sobre a Rua Chile em Natal

Inicialmente, a Rua Chile, localizada no bairro da Ribeira, era destinada aos prédios comerciais e grandes armazéns da cidade. Além disso, ela não tinha este nome e fazia parte de um dos trajetos dos bondes que ainda circulavam no início do século XX. Foi uma das principais ruas em seu período histórico.

Antes de ser chamada Chile, a mesma já foi chamada de Alfândega e do Commércio, com dois M mesmo. Os antigos armazéns estocavam algodão, açúcar e peixe, entre outros produtos que chegavam e partiam pelo porto.

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Entre 1869 e 1902, a sede da Administração Provincial funcionou na Rua Chile em um sobrado, retornando em seguida para a Cidade Alta, onde se encontra a Pinacoteca do Estado. Até hoje existem alguns pequenos armazéns de pescados na Rua Chile. O final da via fica a Capitania dos Portos. Ainda tem algumas oficinas mecânicas.

O local também fica o finado cabaré do Arperge, que hoje se encontra em ruínas, mas foi um dos lugares mais tradicionais da boêmia potiguar. Os trilhos que passavam os bondes e o calçamento ainda permanece o mesmo desde os áureos tempos.

Ruínas do Cabaré Arperge
Ruínas do Cabaré Arperge

Atualmente, abriga bares e boates, como o Galpão 29 e o Centro Cultural Dosol, palco de um dos importantes festivais de música alternativa da cidade. Foi na Rua Chile que começou o festival Mada, que acontece na Arena das Dunas.

O local também se encontra a Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (EDTAM), uma das principais companhias de balé no Rio Grande do Norte e faz apresentações em diversos lugares do país.

Suas casas e prédios pertencem à Zona de Preservação Histórica (Centro Histórico de Natal).