Quando eu jogava Sonic, em minha infância, para derrotar o Doutor Robotnik tinha que bater em sua nave com oito batidas. Após dizer o número oito, explodia, o vilão fugia. Nova fase, novo cenário. Não tem descanso, você tem que estar pronto. O mestrado pode não ser um cartucho de Mega Drive. Na verdade, são vários cartuchos. Pode zerar um jogo, mas sempre vai ter o lançamento de uma extensão. E nunca zerarei o jogo por completo.
O primeiro ano parecia que estava vivendo em um sonho, queria conquistar bolsa, procurar fundamentos teóricos, conhecer os colegas e começar a desbravar a pesquisa que tanto sonhou.
Logo veio o primeiro baque, a receptividade é difusa. Nem todo mundo, vai ser efusivo ou empolgado. Outros vão duvidar da qualidade de sua pesquisa apenas por um um olhar julgador e vai ser difícil ser mestranda e trabalhadora ao mesmo tempo. Por isso, normal alguns alunos escolherem uma alternativa ou outra.
Entretanto, descobrirá que existe uma luz no fim do túnel quando não consegue uma bolsa de primeira e é possível encontrar incentivo à pesquisa em outros órgãos do Poder Público. Juntando a conciliação de trabalho com estudo (com muito esforço).
Ao mesmo tempo, as pessoas serão crueis, capacitistas e julgarão desde a sua pose de pesquisadora. Vão lhe chamar de mal educada quando estiver empolgada ou questionarão se está calada demais ou falante demais. Se atropelar a fala de alguém, mesmo que sem querer, é inconveniente. Mesmo assim, você vai conseguir ser profissional, mesmo apresentando o trabalho com lágrimas no rosto.
Nesses momentos descobre que tem rede de apoio e nunca será um trabalho totalmente solitário. Tem gente que interessa nos seus estudos.
Foi no mestrado que aprendi que sou forte, me conheci e o lado pesquisadora continuará. Onde? Não sei. A pesquisa, portanto, vai estar no trabalho, no conhecimento e na experiência.


