Viajar nesses quase dois anos e seis meses de mestrado virou algo recorrente. Em primeiro lugar, é comum sair de Natal em direção aos congressos com sede em outros estados. Quando não é essa alternativa, é fazendo prova para concurso público, a prova de títulos ajuda a impulsionar a carreira do futuro servidor (docente ou não).
Na primeira semana de julho, eu encaminhei para Caruaru, interior de Pernambuco, também conhecida como a Capital do Forró, que fica na região do Planalto da Borborema, região do semiárido, mas com serras por perto. O que vimos lá? Muita coisa!
Por isso, não sentimos a quentura. No entanto, a noite, sofremos com o frio de quase 17 graus no primeiro dia. Afinal, por que fui para Caruaru? O objetivo inicial foi realizar uma oficina no Intercom, a etapa regional maior congresso de Comunicação do país. O evento aconteceu no campus agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Isto, no entanto, não quer dizer que fiquei quieta. Observei a cidade pernambucana no tempo livre e vamos falar a seguir (para melhor experiência, clique nas imagens para ampliar e ver melhor as brechadas fotográficas):
Primeiramente, precisamos falar sobre o espaço onde aconteceu o congresso. O campus da UFPE é pequeno, mas bem estruturado e organizado. Lá oferece cursos de Pedagogia, Administração, Design (ênfase em gráfico, moda e produto), Engenharia Civil, Ciências Econômicas, Medicina, Comunicação social (ênfase em mídias digitais e produção cultural), Engenharia de Produção e Licenciaturas em Física, Química e Matemática.
O espaço não é grande, mas atende todas as necessidades, como ginásio, restaurante universitário e uma ampla biblioteca.
Mas não pense que só tem essa universidade em Caruaru, descobri que perto tinha o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), e a Universidade de Pernambuco (UPE), que é estadual.

Pisar em Caruaru e não conhecer a tradicional feira seria um sacrilégio. A feira tem de tudo um pouco, desde os produtos alimentícios de feira, até produtos manufaturados, como roupas, calçados, bolsas, panelas e outros utensílios. A feira também é berço para abrigar o artesanato da cidade, com mestres antigos ensinando os mais novos a arte e também em sua volta tem pequenas galerias.
Realmente, você vai ver muita coisa barata para comprar e a vontade é levar tudo que vende na feira. Infelizmente, não consegui ir à Feira da Sulanca, que fica próximo e vende roupa barata. A Feira da Sulanca é uma feira que surgiu inicialmente na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, a 56 Km de Caruaru, a partir dos retalhos de helanca trazido da cidade de São Paulo. Por isso, veio o nome.
Mas, no final da Feira de Caruaru tem uma praça de alimentação com restaurantes que oferecem o melhor da comida nordestina.
A Fábrica de Caroá é um espaço bastante importante para o pessoal de Caruaru. O espaço é um museu para mostrar a importância da fibra homônima para a região e a semente para a produção têxtil do estado. Ao mesmo tempo, também transformou espaço para estimular o empreendedorismo.
Um dos espaços da antiga fábrica se transformou em uma das unidades do Porto Digital. É uma atividade desenvolvida pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em Caruaru, surgiu o Armazém da Criatividade, a região como um território estratégico para o futuro tecnológico do estado.
A iniciativa faz parte do maior investimento já destinado ao polo tecnológico de Pernambuco, totalizando R$ 44,5 milhões, fruto de um contrato de gestão entre o Governo do Estado e o Porto Digital, através do programa Inova PE. Para apresentar o espaço, a Gabriella Barros, que participa do congresso e trabalha no armazém, apresentou.
Com gentileza e doçura, mostrou o espaço detalhe por detalhe, alternando em detalhes de sua biografia. Moradora do tradicional bairro do Salgado (aquele que virou meme da internet no passado com o programa Sem Meias Palavras), ela mostrou o orgulho de suas raízes e também de sua participação em coletivos e atuação como mestranda em comunicação.
Foi por causa dela que descobrimos o paradeiro de Jeremias. “Ele é amigo do meu irmão, virou evangélico e parou com a bebida. Ele não morreu”, prontamente disse no rooftop do Armazém da Criatividade.
O espaço tem curso de formação, estúdio para podcast e outras gravações, espaço coworking e dentre outras atividades.
Aberto no final de 2025, o Museu está de volta. Tivemos a sorte de ver o espaço aberto e conhecer a importância da fibra, que lembra bastante o sisal do Rio Grande do Norte. A retomada das atividades ocorreu após uma nova organização interna e atualização do circuito expositivo.
As intervenções incluíram a instalação de divisórias em gesso para criar ambientes renovados, além de pintura, atualização expográfica e inserção de recursos de acessibilidade, como audiodescrição e pontos de interatividade.Uma dessas inovações foi mostrar áudio de como funcionava o maquinário de fabricação e espaço acessível para as pessoas com deficiência.
Fundada em 1935, a Fábrica de Caroá foi um dos principais empreendimentos industriais de Caruaru no século XX. A unidade utilizava tecnologia importada da Europa e se dedicava à produção de fibras extraídas do caroá, planta típica da Caatinga usada na fabricação de cordas e outros itens.
O fundador, José de Vasconcellos, também controlava uma companhia elétrica e chegou a abastecer a fábrica com energia própria, revendendo o excedente ao município. Ao lado do complexo industrial, foi construída a Vila Caroá, que abrigava operários e foi posteriormente demolida para dar lugar ao Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, onde acontece o tradicional São João de Caruaru.
A estrutura da empresa se expandiu para outras localidades, com unidades de beneficiamento de fibras e algodão em cidades como Custódia, Belmonte e Campina Grande.
No antigo espaço onde ficava a Casa das Máquinas da fábrica, está o Museu do Forró. Foi inaugurado em 24 de junho de 1986 como Museu do Forró de Caruaru. Ele guarda e expõe ao público, discos, fotografias, indumentárias e instrumentos musicais, incluindo o acordeão em que o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, tocou pela última vez.
O espaço tem muita coisa original de Gonzagão, inclusive a Carteira de Habilitação, o CPF e também os talões de cheque.
O museu não é muito grande, mas é um ótimo espaço para entender a força do forró que tem Caruaru. Lá, inclusive tem uma calçada da fama com assinatura de muitos artistas, como a cantora Elba Ramalho, que transita neste estilo juntamente com o frevo.
Conclusão
A cidade apresenta semelhanças com outras cidades nordestinas, misturando o lado sertanejo e com a expansão da população, mesclando o tradicional com o lado cosmopolita. É a mistura da Caatinga com os grafites nos pilares dos viadutos. A produção fabril com o têxtil com a inovação em outras áreas. O sertanejo com as tribos urbanas.
Vale a pena conhecer o Nordeste além de suas capitais.



















































