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Eu era uma recém-caloura de jornalismo e vi nos corredores do Setor 2, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Leilane Assunção andando de vestido, salto e falando sobre todos os assuntos possíveis. Ficava maravilhada com aquilo, porque infelizmente só via notícias de mulheres trans serem prostitutas, graças ao Superpop, da Luciana Gimenez. Acordo triste ao saber de seu falecimento.

Mesmo não sendo amiga ou ter trocado pouquíssimas palavras, admirava pessoas que furam o tecido das coisas comuns e mostram que podemos ser o que quiser. Leilane era uma delas e sempre foi uma das pessoas mais ativas daquele setor de aulas.

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Cresceu na Igreja Evangélica, mas após o questionamento sobre sua pessoa e viu que o local nunca lhe aceitaria, resolveu largar. A transformação para Leilane surgiu enquanto graduava História.

Por causa dela, muitas trans foram estimuladas a entrar no ambiente acadêmico, como a Emily Mel, a primeira a se formar em psicologia na mesma universidade.

Ela era a figura que colocava o dedo na ferida do ambiente acadêmico, que diz ser “mente aberta”, mas é cheia de preconceitos. Sofreu transfobia de alunos, professores e funcionários, o banheiro unissex surgiu após ter sido barrada de usar o sanitário feminino.

Apesar de tudo, ela não desitiu, graduou em história, fez mestrado e doutorado, ainda chegou a ser a primeira professora trans da UFRN.

Mesmo com todos os brilhos, ela sofreu uma difícil batalha contra a sua saúde. De acordo com o jornalista Rafael Duarte, do Saiba Mais, ela não resistiu uma infecção causada por um fungo e estava internada há dias no Hospital Giselda Trigueiro, sem contar que estava com problemas financeiros após suas saída na instituição de ensino.

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Foi com o jornalista a sua última entrevista, que vale a pena ser lida.

A mesma defendia que só a liberalização de todas as drogas poderia fazer frente e combater o tráfico e reduzir a mortalidade de pobres e negros nas periferias brasileiras.

Tinha orgulho do título de doutora em Ciências Sociais conquistado no país que mais mata LGBTs no mundo.

No título de mestrado, defendeu a tese sobre outra guerreira, a mineira Clara Nunes, trabalho que pretendia lançar em livro.

Leilane deixa a mãe, cinco irmães e um grande legado para a comunidade LGBT.

Agora vai encontrar seu amigo João W. Nery e outros trans que lutaram para um mundo mais justo e igual.


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Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

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